Paula: “Eu não me arrependo de ter contratado o Hospital de Campanha”

Com a desistência da prefeita Paula de renovar o contrato do Hospital de Campanha, começou a ser desmontado nesta quarta-feira (22).

Segundo ela, o HC foi contratado por três meses em um momento em que não se sabia do que ocorreria. Hoje, diz, sabe-se que não é necessário.

O governo gastou R$ 411 mil no aluguel da estrutura do HC.

O Hospital de Campanha não erra para UTI e sim para enfermaria, casos mais leves.

O Amigos entrevistou Paula sobre o tema em 10/07:

O que a senhora tem a dizer sobre as críticas em relação ao Hospital de Campanha? De que é improvisado e de que o governo desperdiça dinheiro com ele?

“Montamos a estrutura básica, lona, piso, camas, sem os equipamentos. Eu decidi não colocar os esquipamentos, embora estejam comprados e depositados na cidade, pois, no momento em que faço isso, tenho de instalar serviço de segurança, o que seria um gasto desnecessário, já que não há pacientes no HC, nem perspectiva disso por ora. O Hospital de Campanha tem 159 leitos. Ao que parece, não vamos precisar usar todos, talvez nem o HC seja necessário.

Compraram equipamentos para todos os 159 leitos?

Não. Compramos para uma parte deles. Porque, como eu disse, a expectativa é de que o HC não venha, no fim, ser necessário. Se for, iremos buscar adquirir mais equipamentos.

De qualquer forma, se o HC não for usado, os equipamentos comprados não se perdem, vão para o Pronto Socorro, para as UPAs.

A gente optou por instalar a estrutura do HC no final de abril, como garantia. Porque as empresas prestadoras do serviço de aluguel de lonas, camas, piso necessárias estavam recebendo pedidos de todo lado. Refleti: O que vai acontecer, não tenho a menor ideia… Vamos precisar e vamos ter? Pelo princípio da precaução, decidi instalar a estrutura e adquirir uma parte dos equipamentos.

Por essa decisão, lá em abril, ninguém me criticou. Não ouvi ninguém dizer: “Que absurdo contratar um Hospital de Campanha”. Não criticou porque ninguém sabia a dimensão do problema. Inclusive, por análises da UFPel, a gente precisaria de quase 300 leitos de enfermaria, o dobro do que temos. Agora estão me criticando. Eu entendo, pois parece dinheiro posto fora.

Na prática, não foi?

Eventualmente terá sido.

Por um lado, é bom que não precisou ser usado. Se precisasse, é porque teria havido o aumento grande do número de pacientes… Por isso digo: é fácil jogar depois do jogo jogado. Tu te vês obrigado, depois de consultar várias pessoas, a tomar decisões enquanto o jogo está em curso.

Eu não me arrependo de ter contratado o HC.

Gostaria, em abril, de ter a ideia que tenho hoje, pois então não teria contratado o hospital. Mas naquele momento contratei. Repito: o investimento que fiz em equipamentos, e também em medicamentos, não é dinheiro perdido, porque poderá ser incorporado pelo sistema de saúde do município, isso está garantido.

Só se perde então o dinheiro pela locação da estrutura física, a lona, as camas?

Essa estrutura a gente vai perder. Até dia 22 de julho, terei de decidir se renovo o contrato com a empresa ou não do serviço.

Por quanto tempo foi o contrato inicial e o custo?

Por três meses, no valor, pelo período, de 411 mil reais. Por tudo isso, a lona, que é grande, as camas, o piso e as divisórias.

Pretende renovar o contrato?

Hoje eu não renovaria, porque estamos com dificuldades de formar equipes médicas, ainda que, para enfermaria, não se requeira profissionais com grande experiência.

Minha ideia é não locar mais. Sei que se fizer isso sofrerei críticas. Mas é como digo, após o jogo jogado, é fácil.

Só reconsiderarei minha posição se, até 22 de julho, a situação sair de controle. Nós estamos fazendo esforço para que não saia de controle.

Eu acredito hoje que tenho de priorizar o Centro Covid, os leitos do Hospital Escola (da UFPel) e contar com as estruturas disponíveis nos demais hospitais.

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