Jovens e Idosos na Pandemia

Adolfo A. Fetter Júnior, agrônomo, produtor rural, ex-prefeito de Pelotas, ex-deputado federal

Nossa vida e rotina são extremamente afetadas pela Pandemia, qualquer que seja nossa religião, etnia, profissão, ocupação ou idade. Portanto, NINGUÉM está “imune” ao vírus, nem às suas consequências físicas e mentais, com reflexos sociais, políticos e econômicos.

Adolfo Antonio Fetter Jr.

Se a maioria do “foco” nas abordagens que tenho acompanhado pela imprensa e redes sociais está nas estatísticas do avanço da Pandemia, na discussão interminável sobre bandeiras, isolamento e seus reflexos no emprego/desemprego e nas atividades produtivas, ultimamente começam a ser abordadas consequências físicas e mentais nas pessoas.

Neste sentido, na matéria “A saúde mental está sendo afetada”, entrevista feita pelo jornalista Jarbas Tomaschewski com Elis Radmann (DP 20.07), o tema foi abordado em profundidade e competência, mostrando como tem afetado “grupos de risco”, especialmente idosos e jovens.

De outra parte, há interessante alerta do jornalista Hélio Freitag (DM de 22.07) sobre a flagrante inconstitucionalidade do artigo 4º do Decreto Municipal 6.294, determinando a suspensão da gratuidade dos idosos no transporte.

Em complemento, o Editorial “Vacinas básicas são esquecidas” (DP de 22.07) pondera que, devido à Pandemia e ao medo, vacinas largamente utilizadas contra outras doenças ­– além da Covid-19 – estão deixando de ser aplicadas e que “… o futuro de meninos e meninas ficou comprometido durante o isolamento social por causa das interrupções no fornecimento e na imunização…”. Ou seja, por MEDO da Pandemia, se está descuidando da prevenção de outras doenças, para as quais já se tem vacina!!!

Estes exemplos servem para ilustrar que os EFEITOS da ameaça do vírus – e o medo, pânico e desinformação que assolaram boa parte da sociedade – serão provavelmente MUITO MAIORES do que os da doença em si e estão afetando e comprometendo a própria sanidade física e mental, tanto da população, quanto de governantes.

Ao longo da nossa existência, ouvimos vários “conselhos” dos mais experientes (geralmente avós e avôs):

  • “A saúde entra pela boca”;
  • “Exercício físico é fundamental” e “Esporte é vida”;
  • “A única coisa que não se perde na vida, quando dado, é o conhecimento” e “estuda para ser alguém”;
  • “Larga este videogame e vai brincar na rua, para ser uma criança normal” ou “vai tomar um sol para tirar este branco do corpo”.

A verdade – longamente conhecida – é que somos “animais sociais”. A espécie humana é gregária, sobreviveu e evoluiu graças ao “esforço colaborativo” e ao “convívio social”, com a permanente soma de esforços, reforço de laços e troca de experiências.

Parece que, atualmente, todo o saber acumulado ao longo de milhares de anos da evolução da humanidade é desconsiderado e passamos a ter “gurus” se arvorando em “faróis” para determinar e “iluminar” nossas vidas, além de governantes acreditando saber mais do que as pessoas comuns, impondo medidas restritivas acima do que lhes permite a Constituição.

É hora de fazer retornar o BOM SENSO e, mesmo diante de um cenário tão difícil e inusitado, compreender que os extremos etários da população – jovens e idosos – estão sendo dramaticamente afetados e prejudicados. Acredito que está na hora de se entender isto…

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