Linchamento e saques em Rio Grande e Pelotas. Um sinal?

Apesar de tratar, neste espaço, da pandemia e dos problemas urgentes que ela insere, o Amigos tem começado a conversar sobre a eleição à prefeitura, que começa a ganhar corpo, mesmo convivendo-se com as angústias diante do novo coronavírus, um controverso fato inédito nesta geração, que, obrigatoriamente, estará na campanha.

Mais de quatro meses depois de vigência de medidas restritivas do convívio social, com a população induzida a ficar em casa, dois episódios recentes mereceram talvez consideração menor do que mereciam: um saque a um caminhão de comida na Vila das Corujas, em Pelotas, e um saque de botijões de gás no bairro Getúlio Vargas, em Rio Grande.

No primeiro, ao tentar impedir o roubo da carga, o motorista do caminhão foi contido à força para que outros moradores da Vila saqueassem a totalidade dos alimentos. Já em Rio Grande, após um acidente de trânsito envolvendo um caminhão de gás, moradores do Bairro agrediram o motorista e acabaram por linchar o carona, completando o ataque com o disparo de tiros mortais.

As considerações sobre o par de eventos não ultrapassaram o âmbito policial. Talvez devessem, pois pode ter relação com o estado emocional das pessoas sob confinamento. Pode que tenham sido eventos isolados, mas, nesse momento, fazem pensar com maior atenção.

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Por razões de sobrevivência, talvez a população esteja começando a emitir sinais de que não esteja suportando mais as medidas restritivas.

As duas ocorrências, tanto em Pelotas como em Rio Grande, aconteceram em bairros pobres, onde as pessoas saem à rua de manhã para poder comer à noite. Sem trabalho, limitados pelo confinamento, com auxílio emergencial do governo federal chegando em valor pequeno e às vezes nem chegando, ficar em casa pode estar deixando de ser uma opção.

No terreno da suposição, pode ser que as pessoas estejam sentindo que se a atual situação se estender por mais tempo (fim do ano?) morrerão de qualquer maneira, de fome, de falta de assistência, de depressão.

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As pessoas podem estar dando vazão a sentimentos primitivos em busca de subsistência, ao ponto inclusive de perder o controle, até matar, como fizeram com o carona do caminhão, em Rio Grande. Mesmo que essas lamentáveis ocorrências não tivessem se dado, mas ainda mais porque se deram, o tema pandemia terá, obrigatoriamente, de estar presente nas agendas da campanha eleitoral nas cidades: questões de saúde associadas diretamente à covid-19, mas também ao desemprego, à angústia, à análise e ao questionamento das políticas públicas e dos decretos.

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