Na mira do inimigo

No início da Segunda Guerra Mundial, um comboio internacional de navios aliados liderados pelo capitão Ernest Krause (Tom Hanks) atravessa o temido Atlântico Norte e precisa enfrentar a perseguição de submarinos nazistas. 

Tom Hanks não apenas estrela, como também é o responsável pelo roteiro de Greyhound: Na Mira do Inimigo, aliás, o terceiro de sua carreira (os anteriores foram The Wonders: O Sonho Não Acabou e Larry Crowne: O Amor Está de Volta).

O astro adapta do livro “O Bom Pastor” de C. S. Forester, um conto de guerra naval fictício que recria como foram os conflitos no meio do Oceano Atlântico durante a Segunda Guerra Mundial. Greyhound é o nome do navio que lidera uma escolta marinha com outras 37 embarcações que levam tropas e recursos para Liverpool pelo norte do Atlântico.

O problema é que, por um período de 50 horas, eles precisam navegar por uma área sem suporte aéreo, ou seja, se tornam alvos fáceis de submarinos alemães.

Se não bastasse, esta é a primeira vez que o religioso comandante Krause realiza o trajeto. O roteiro acerta ao explorar a inexperiência e a insegurança do protagonista durante a urgência da missão.  

Se compararmos o filme com outros trabalhos de Tom Hanks, em especial, Sully e Capitão Phillips, notamos que os diretores dessas produções, Clint Eastwood e Paul Greengrass, foram capazes de desenvolver um profundo desenvolvimento de seus protagonistas.

Aqui, o diretor Aaron Schneider se destaca negativamente pela ausência de elementos que possibilitem uma aproximação maior do espectador com o protagonista. Afinal, o longa não é capaz de trazer nenhuma emoção, mesmo havendo um esforço para tal logo na cena de abertura, que mostra Krause se despedindo de sua namorada, vivida por Elisabeth Shue. 

Ao longo de 90 minutos, a sensação é de claustrofobia, com a maioria das cenas ocorrendo dentro das cabines do navio.

O filme mostra a ameaça de um inimigo invisível, gerando um sentimento de tensão latente, graças aos ótimos efeitos especiais, como fotografia, som e computação gráfica. Extremamente técnico, a reconstituição da época é impecável, desde os procedimentos navais ao jargão de bordo. 

Inicialmente destinado aos cinemas, a pandemia fez com que a distribuição do longa ficasse exclusivamente por streaming, via Apple TV+. Essa alteração prejudicou o filme, visto que seu grande destaque, os efeitos visuais, não possuem o mesmo impacto na tela pequena.

Déborah Schmidt é formada em administração e servidora.

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