Covid e a “Solução Ozônio”

O prefeito Volnei Morastoni (MDB), de Itajaí (SC), viralizou ao sugerir aplicação de ozônio no ânus dos pacientes diagnosticados com o novo coronavírus.

Não é fácil a vida de tradutora de sinais

“Além da citromicina, além da cânfora, nós também vamos oferecer o ozônio. É uma aplicação simples, rápida, de dois ou três minutinhos por dia, provavelmente via retal, tranquilíssima, rapidíssima, em um cateter fininho, e isso dá um resultado excelente”, disse o prefeito, que também é medico, em vídeo publicado nas redes sociais.

O infectologista Claudio Stadnik, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, explica que muitas pesquisas já tentaram aferir os resultados de tratamentos utilizando a ozonioterapia, mas sua eficácia jamais foi comprovada.

Conforme Stadnik, há muitos anos a ciência vem tentando descobrir se o ozônio tem uma potencial ação para a redução de bactérias e vírus. E o produto realmente consegue atuar na redução de bactérias e vírus, segundo Stadnik, mas apenas in vitro, ou seja, em laboratório.

“Toda vez que se tentou usar (o ozônio) de maneira prática, nunca funcionou”, descreve o infectologista.

Quanto à sugestão do prefeito de Itajaí de que a aplicação de ozônio por meio do ânus poderia ser eficaz contra o coronavírus, Stadnik demonstra incredulidade. “Não tem absolutamente nada evidenciado (sobre a ozonioterapia no tratamento da covid-19). É uma insensatez recomendar isso a um paciente, e ainda muito mais insensatez recomendar isso em nível público”.

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