Reitor Hallal: “Lockdown de 3 dias é melhor do que nada, mas é insuficiente”

O Amigos pediu ao reitor Pedro Hallal, da UFPel, que coordena uma pesquisa nacional e outra no RS sobre a prevalência do novo coronavírus, se poderia comentar o anúncio pela prefeita Paula, nesta quarta-feira (5), do decreto em que ela aplica lockdown em Pelotas, começando às 20h de sábado (8) e terminando às 12h de terça-feira (11).

Dr. em Epidemiologia Pedro Hallal, reitor da UFPel

O reitor, também doutor em Epidemiologia Hallal, respondeu:

“Lockdown de três dias é melhor do que não ter.

Ajuda no controle do ritmo da circulação do vírus, embora, certamente, não seja suficiente para contê-lo.

Ao menos vai-se restringir um pouco a circulação, e digo três dias, embora comece no sábado e termine na terça, porque começará às 20h de primeiro dia e terminará às 12h do último.

Existe uma experiência prévia assim.

Há alguns meses, em São Paulo, fizeram lockdown durante um feriadão prolongado, por período maior do que o previsto para Pelotas, quase uma semana, e os resultados mostraram que houve um controle momentâneo na disseminação, pelo menos por curto prazo.

Então, insisto: considero o lockdown pelotense melhor que nada, mas insuficiente. 

Tenho uma preocupação, porém: o Efeito Rebote.

Quando um lockdown é muito curto, pode ter aquele efeito.

Com a população pensando ‘ah, se vai fechar às 20h de sábado, pode ocorrer de, no sábado de manhã, todo mundo ir ao supermercado, provocando aglomeração exagerada.

Isto é um possível problema de um lockdown muito curto, o tal Efeito Rebote, em que, logo antes e logo depois de um lockdown, as pessoas acabem por aglomerar muito, duas vezes, em período curto de tempo, abrindo margem para que uma disseminação no sentido de anular o benefício obtido pelo lockdown”.

 

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