340 MIL PESSOAS CONFINADAS

Atualizado às 10h26 de 09/08/2020 |

Publiquei este texto, originalmente, às 18h30 deste sábado (8). Às 20h, eu o atualizei, para coincidir com a hora exata do começo do lockdown. Agora, 2h27 de domingo, acrescento algumas palavras.

Pelotas começou um inédito lockdown das 20h deste sábado (8) até 12h da próxima terça-feira (11).

Exceto em casos excepcionais, 340 mil pessoas, o grosso da população, estão proibidas de sair à rua.

64 horas de confinamento. Um Big Brother em cada domicílio.

Quem estiver na rua no lockdown pode ser abordado e detido.

Vindos de um regime de semi-isolamento, que começou com índices melhores, acima de 50%, os pelotenses já sentiam a pressão psicológica, uma pressão que parece ter relação com o relaxamento do isolamento, que caiu muito, para menos de 50%, relação com uma ânsia da população por escapar ao sufocamento da liberdade pessoal, necessidade de “sobrevivência” em vários sentidos.

Pois essa pressão psicológica tende a piorar, mesmo que o lockdown dure poucos dias. Pelo confinamento em si, sobretudo pela incerteza dos próximos movimentos.

Lockdown, na grafia, já é hostil. Trava para baixo é o movimento final dos guardas quando fecham celas de penitenciárias, ao menos nos filmes americanos, se a memória não me engana. Mesmo com dia para ser encerrado o lockdown, a angústia e incerteza são inevitáveis.

Se Paula não conseguir abrir mais leitos de UTI rapidamente, não é impensável que prorrogue o lockdown por toda a semana, mesmo que, ao fazê-lo, agrave ainda mais a crise no setor produtivo, especialmente comércio, base da nossa economia, junto de serviços, até que consiga aquela ampliação: algo que não conseguiu, de maneira substancial, desde o início da pandemia.

Desde sempre foram 31 leitos daqueles. Nos últimos dias, Paula aumentou 4 leitos. Foi um alento, mas modesto para fazer frente à aceleração dos casos de infectados que requerem internação, não em enfermaria, casos leves, mas em UTI, casos graves.

Neste sábado, houve mais três mortes. A ocupação, que estava por um leito, caiu por causa das mortes.

Como Paula e os demais prefeitos da Zona Sul não vão recorrer da bandeira vermelha prevista para a próxima semana, que por si induz ao isolamento (mais que bandeira laranja, nossa atual em vigor), a prefeita, em tese, não tenderia a prologar o lockdown pela semana. Ainda assim, se não conseguir mais leitos, a tese do prolongamento pode se manter de pé.

Ninguém sabe ao certo o que acontecerá. Talvez nem ela, prefeita, que enfrenta o ponto mais desgastante de seu mandato, saiba.

Quando Paula foi eleita, escreveu um post no facebook que alertava para que “não esperassem dela gestos grandiloquentes, que não era salvadora da pátria!” Curiosamente, o que mais se precisa agora é que seja a salvadora, ou seja, que consiga mais leitos, mais equipes de saúde. Dinheiro para isso ela vem recebendo do governo federal.

Paula começou a mandato clamando por Paz em seu pacto Social. Neste último ano, engolfada por problemas sanitários e um ambiente conflagrado, suas pretensões parecem mais uma miragem.

Os empresários reclamam que se a prefeita tivesse garantido a oferta maior de leitos em tempo hábil, sem afogadilhos, talvez a atividade produtiva, afetada por seus decretos, não tivesse de penar tanto quanto vêm penando economicamente. Paula já desagradou o setor. Para ela, politicamente, o desastre seria completo se começarem a morrer pessoas por falta de leitos. Se isso ocorrer, e desejamos que não ocorra, sua expectativa de reeleição pode estar sepultada.

Não apenas pelo perigo acima, mas também por ele, acredito que Paula, no começo da próxima semana, irá anunciar um lote de novos leitos de UTI.

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1 thought on “340 MIL PESSOAS CONFINADAS

  1. Enquanto o povo não tiver o mínimo de respeito pelo próximo durante esta pandemia viveremos momentos difíceis. Todos julgam a atitude da prefeita mas não olham para as suas atitudes…. Quantos estão vivendo como se nada estivesse acontecendo pondo em risco a vida dos demais? É algo a se pensar … Estamos fazendo o nosso melhor para diminuir os casos de covid em nossa cidade?
    A única preocupação que vejo é com a economia , mas MORTOS não trabalham e não contribuem economicamente para o pais…. A situação atual requer de nós algo que não temos a muito tempo… RESPEITO COM O PRÓXIMO.

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