Hallal: “Tivéssemos ouvido os pesquisadores, poderíamos sair dessa com muito menos mortes”

Em entrevista ao Jornal Extra Classe, reitor e dr. em, Epidemiologia Pedro Hallal, da UFPel (veja link no pé, para a matéria inteira), disse:

“Tivéssemos ouvido os pesquisadores, poderíamos sair dessa com muito menos mortes do que tivemos, especialmente se tivéssemos adotado políticas de testagem em massa, rastreamento de contatos e distanciamento social mais rígido. É uma pena que tantos brasileiros e brasileiras tenham perdido a vida, e a eles e a elas fica aqui a minha homenagem”.

“Se houvesse política pública de testagem massiva, com a devida identificação de contaminados e isolamento para barrar a transmissão, o saldo da Covid-19 certamente estaria longe das 100 mil mortes registradas esta semana desde o primeiro óbito causado pela doença, no dia 12 de março”.

“O Brasil é um dos países do mundo que menos fez testes diagnósticos (PCR) para identificar os infectados e, assim, poder fazer o rastreamento e a busca de casos. Até recentemente o Ministério da Saúde não tinha garantido nem a chegada de testes aos estados e municípios na quantidade necessária por falta de prioridade e de reagentes. Quando mandou, o fez de forma incompleta”.

“Não adiantou. O saldo de 3 milhões de contaminados e 100 mil mortos alcançados na primeira semana de agosto é só a parte mais visível de um problema mais amplo: a desigualdade social, que fez a doença contaminar e matar mais pobres do que ricos, e a negação da pandemia, que transformou o distanciamento em disputa ideológica”.

“Apenas 9% não tiveram sintomas”

“Essa história de que a maioria dos contaminados não apresenta nenhum sintoma está errada. Pelo nosso estudo, apenas 9% da população que têm o vírus não tiveram sintoma algum da doença. E perto de dois terços tiveram perda de olfato e de paladar, sintoma muito característico da Covid-19. Ou seja, esse dado científico poderia ter servido para a Vigilância Sanitária selecionar pessoas que potencialmente poderiam ser testadas positivamente. Ter essa informação e isolar essas pessoas para evitar novas contaminações teria sido essencial. Infelizmente, houve um erro na compreensão dessa doença que não foi corrigido a tempo de evitar tantas mortes”.

“As pautas da cloroquina e do lockdown são exemplos de que, antes das evidências científicas, o que moveu a convicção e a crença das pessoas foi a opinião do ‘time’ para o qual votaram na última eleição. E isso é péssimo para o país”.

“A palavra-chave é desigualdade. A contaminação, pelos dados apurados na pesquisa Epicovid-19 BR, tem uma taxa duas vezes maior entre os mais pobres do que entre os mais ricos”.

Acesse a matéria do Extra Classe na íntegra – AQUI.

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