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Brasil & Mundo

A realidade virou um vulto que passa

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Pressionados pela pandemia e seus desdobramentos, os fatos não chegam a se cristalizar na nossa mente. É tudo tão rápido que as formas viram uma mancha, um vulto que passa.

O excesso de estímulos lembra um inferno estroboscópico, um sinistro rodoviário, talvez: um comboio de caminhões desgovernado numa descida, a gente só capta o plano geral, depois de sair da frente, claro.

Se os fatos não chegam a cristalizar, imagine os detalhes, onde, dizem, Deus e o Diabo costumam estar. Minha visão periférica é um pouco equina, mas sempre escapam coisas. Às vezes algumas fichas caem dias depois.

Hoje o deputado federal Marcelo Brum, do PSL gaúcho, contou nas redes ter se curado de covid tomando um coquetel de cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina etc.

Detalhe: tomou tudo na semana inicial do contágio, nos primeiros sintomas. Pois tomou remédio demais.

Os próprios defensores daqueles fármacos fazem uma distinção de momentos para que cada um seja ministrado. Segundo eles, não adianta tomar cloroquina nos primeiros dias, quando surgem os sintomas iniciais, leves. Ela seria indicada para a terceira fase da doença, quando o vírus chega ao pulmão.

Como ecoou às pressas a propaganda presidencial, sem prestar atenção aos protocolos dos próprios adeptos daqueles fármacos, a contaminação do deputado talvez seja de outra ordem.

No dia 20 de maio passado, ele postou: “Hoje tive o prazer de conversar com o nosso presidente Bolsonaro, reafirmando meu compromisso de ajudá-lo a conduzir o Brasil para um tempo de ordem e progresso. Fizemos também uma oração a Deus com o presidente”.

Não basta a cloroquina. Alguns bolsonaristas têm o hábito de invocar Deus como se fosse propriedade deles.

O próprio presidente disse, no Pará, que se tivessem tomado cloroquina os 100 mil mortos teriam sobrevivido, como se pudesse ter a garantia. Ora, se houvesse garantia, o mundo teria perdido a oportunidade de usá-la, preferindo concentrar-se em gastar bilhões pesquisando vacina? Os homens são meio loucos, mas chegariam a tanto?

A polarização na política brasileira é irracional, e já saturou. É um aspecto inferior da personalidade.

Defensores daqueles medicamentos em geral são “Bolsonaristas”. Para eles a cloroquina é um brasão nacional. Já os contrários, por falta de comprovação científica 100%, são taxados como “de esquerda”.

Na verdade, como é uma doença nova, não pode haver elementos suficientes para afirmar nada categoricamente. Por isso, dizem que cada caso é um caso, e requer a opinião de um médico sobre ministrá-los ou não: porque não há certeza de eficácia absoluta. E porque, dependendo do caso, pode matar.

Como o ritmo dos fatos tem sido frenético, ninguém parece disposto a parar e analisar friamente as questões, ponderando com equilíbrio, como deveria ser.

A polarização vem piorando à medida que a eleição se aproxima. Infelizmente, estão usando a pandemia para fazer política.

Tem sido feio de ver, porque produz desesperança em quem percebe a loucura da radicalidade, uma face do fanatismo que, para mim, no fundo, é medo. A angústia de se agarrar à primeira certeza que veem pela frente.

Pior que a morte, talvez seja viver mal. Nessas horas, entendo perfeitamente o sujeito misantropo.

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Brasil & Mundo

Leite e a não-questão de ‘ser gay’, da qual continua a falar

Por que o pelotense só foi revelar que é gay quando decidiu disputar as prévias tucanas rumo ao Planalto? Há teorias

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Quando se anunciou gay no Programa do Bial, na Globo, no começo de julho deste ano, abrindo publicamente, pela primeira vez, sua intimidade sexual, Eduardo Leite o fez sem que Bial tivesse perguntado. Leite falou a Bial e à audiência nacional que sua sexualidade era uma “não-questão”.

Para uma não-questão, até que falou bastante sobre ela, enquanto Bial erguia as sobrancelhas de poeta meloso, simulava surpresa, engordava os olhos e balançava verticalmente a cabeça nevada, com ar admirado.

“Eu sou gay. Eu sou gay”, começou Leite o seu depoimento, gravado num hotel. A partir daí falou praticamente só desse tema. De quando se descobriu gay, do comunicado à família, do namorado Thalis, de seu amor pelo médico pediatra capixaba, morador de São Paulo. Falou um monte da “não-questão”, o suficiente para aproveitar a audiência global.

“Sou por inteiro

A repercussão, na província Brasil, foi imediata.

Desde então, transcorridos 120 dias desde a revelação, jornalistas não perdem a oportunidade de voltar a perguntar sobre a “não-questão”, e ele a falar sobre ela, com desenvoltura e com a mesma resposta política: “Sou por inteiro, nada tenho nada a esconder.”

Nos 12 anos anteriores, nas eleições de vereador, prefeito e governador do Rio Grande do Sul, terra onde a macheza supostamente segue sendo um valor arraigado, a “não-questão” permaneceu como tal, fora de questão, daí a revelação neste ano não ter deixado de ser uma surpresa nos pagos da Revolução Farroupilha, que, afinal, não foi merecedora da mesma transparência verificada diante do brother Bial.

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Teoria para a revelação Sou gay

Por que Leite só foi revelar que é gay quando decidiu disputar as prévias tucanas rumo ao Planalto? Há teorias.

Uma teoria diz que um graúdo do PSDB teria dito a ele: “Olha, falam aí que és gay. Como é? Para te apoiar, precisas esclarecer isso. Do contrário, vai ser difícil conseguir apoio do pessoal da Faria Lima. Como sabes, eles não gostam de surpresas.”

Não se sabe se foi assim. Mesmo que não seja verdade, uma pergunta fica no ar. Por que a sexualidade foi uma “não-questão” de fato nas eleições anteriores e, nesta, passou a ser uma não-questão a ser finalmente enfrentada?

Há outros políticos gays, inclusive em cargos executivos. Mas, incluindo parlamentares, até agora, afora Jean Wyllys, que sempre fez da causa LGBTQI+ uma bandeira política, nenhum alardeara sua condição sexual nacionalmente, muito menos na tevê, como Leite fez, nem o simpático senador Fabiano Contarato, do Espírito Santo.

Só depois que Leite deixou o armário Jacarandá, Contarato saiu inteiro do Imbuia Itatiaia, do qual só faltava retirar o dedo mindinho, já que, nele, ser gay não carecia de explicações.

Pretender ser presidente da República do Brasil talvez exija maiores esclarecimentos, nunca saberemos ao certo, poderemos apenas especular, a menos que um dia um historiador conte o que passou. O fato é que a “não-questão” vem há quatro meses “tirando o atraso”, com ajuda da imprensa, que não abandona o assunto.

Bolsonaro x Leite

Nesta semana foi a vez de Veja trazer de volta a “não-questão” em uma entrevista com o pré-candidato tucano, em seu canal no YouTube, cujo título faz pensar: “Eduardo Leite: Comentários homofóbicos de Bolsonaro indicam “alguma incerteza“. Bolsonaro x Leite?

Com a calma habitual, articulando argumentos com impostação autoconfiante, o pelotense contou, outra vez, como foi que “saiu do armário”, expressão dele mesmo, popular, destinada à compreensão de todos, tornando ao mantra: “Eu sou por inteiro, não tenho nada a esconder”, emendando: “Outros têm o que esconder, coisas como rachadinha, petrolão, superfaturamento de vacina etc.”

Aproveitando a deixa, e pondo mais achas de lenha na fogueira, o governador gaúcho sugeriu que Bolsonaro, por debochar tanto de gays, possa ser gay enrustido, homem de outra época.

O fato é que a “não-questão” continua a ser abordada, e, assim, começa a se tornar corriqueira, naturalizada pela repetição e por elegantes respostas ancoradas no mesmo mantra citado.

“O que é pior: gay ou rachadinha?”

Leite e Thalis: namorados e parecidos fisicamente

Muito macho

Para uma “não-questão”, até que está rendendo.

Como uma parte da chamada grande mídia não consegue disfarçar que vê em Leite uma boa aposta, por razões que vão além da política convencional, a insistência na “não-questão” pode, talvez, ter alguma utilidade que escapa ao grande público.

Após a revelação, vez ou outra Leite posta fotos e vídeos de si com o namorado Thalis. Num vídeo, postado pelo governador nas redes, ele aparece em viagem de Porto Alegre até a casa de Thalis, em São Paulo. Em cenas no apartamento deste, Leite aparece doando dois cãezinhos, filhotes de Chica e Bento, que fazem companhia a ele no Palácio Piratini.

“Vai cuidar deles com todo o amor?”

“Vou.”

O vídeo parece comunicar, afastando o preconceito: “Sim, sou gay. Mas sou família, viram!”

A mensagem subliminar parece ser: Se sou capaz de submeter-me sem medo ao sufrágio dos preconceitos, pode estar certo de que sou diferente de todos os que vieram antes de mim e até depois.

Vai colar? Não se sabe. Só isso não bastará, por certo.

De qualquer forma, não se pode negar a determinação de pensar fora da caixa, pagar para ver no que vai dar. Como na história de Luis Fernando Veríssimo: um homem entrou em um bolicho de machões em Bagé vestindo calça balão, lenço no pescoço, camisa amarrada na cintura, pediu uma fanta uva, tomou-a com mindinho levantado e ninguém deu um pio. Explicação para o silêncio: para entrar ali daquele jeito tinha de ser muito macho.

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Impressões

Gosto de colher impressões de amigos para confrontar com as minhas. No caso, sobre a revelação de Leite.

Um, na faixa dos 50 anos, disse: “O brasileiro, sobretudo dos rincões, é conservador. Admitir a sexualidade foi um tiro no pé!”

Outro amigo, também na casa dos 50, opinou: “Quando mostraram o nó górdio a Alexandre, o Grande, para que desatasse, ele pegou a espada e cortou os nós. Antes dele todo mundo tentava desatar o nó górdio e não conseguia. Então tudo é possível, desde que se pense fora da caixa. Dito de outra forma: Leite tem que fazer o eleitor pensar fora da caixa. Fazer o eleitor pensar em Bolsonaro e Lula como ultrapassados, como ele já fez o eleitor pensar a respeito das lideranças políticas em Pelotas. Eis seu desafio.”

Ouvi também um amigo de 90 anos. Ele disse: “Quando é que a gente ia imaginar que um político brasileiro fosse dizer em rede nacional eu sou gay e quero ser presidente do Brasil. Pelo que vejo, o mundo mudou.

Ainda não cheguei a uma conclusão. Às vezes penso, com humildade, que Leite, 20 anos mais jovem do que eu, sabe de algo que eu não sei, algum sentimento dos novos tempos que me escapa.

Às vezes, quando canso de pensar, me vem o seguinte:

O brasileiro já elegeu tanto filho da puta pensando que era boa gente… Talvez agora decida variar, elegendo um homem sincero. De repente, sem nada a esconder.

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Projeto promove acesso igualitário a tratamento no SUS a pacientes de câncer

Objetivo é promover condições iguais de acesso a tratamentos ao tornar obrigatório o atendimento integral à pessoa com câncer por meio do SUS

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) a proposta que institui o Estatuto da Pessoa com Câncer. A medida tem o objetivo de promover condições iguais de acesso a tratamentos ao tornar obrigatório o atendimento integral à pessoa com câncer por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A matéria segue para sanção presidencial. 

O texto inclui o direito à presença de acompanhante durante o atendimento e no tratamento. O texto aprovado prevê entre os direitos fundamentais da pessoa com câncer o atendimento educacional em classe hospitalar ou em regime domiciliar, conforme interesse da pessoa e de sua família e nos termos do respectivo sistema de ensino. 

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A medida assegura que o atendimento e internação domiciliares devem ser oferecidos sempre que possível no âmbito do SUS. O texto prevê ainda que os pacientes com câncer terão prioridade no tratamento domiciliar.

Outro ponto aprovado pelos deputados é a inclusão de garantia de acesso de todos os pacientes aos medicamentos mais efetivos contra o câncer e a avaliação periódica do tratamento ofertado ao paciente na rede pública de saúde, com adoção das medidas necessárias para diminuir as desigualdades existentes.

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Brasil & Mundo

Bolsonaro se irrita com pergunta de rachadinha e deixa entrevista

Presidente se irritou com pergunta sobre rachadinha

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Bolsonaro deixou uma entrevista no meio nesta quarta, 27, durante o programa Pânico, da Jovem Pan.

Dois apresentadores do programa, André Marinho e Adrilles , começaram a discutir por conta de uma pergunta que Marinho teria feito ao presidente sobre rachadinhas.

Insistindo que Jair Bolsonaro respondesse, Marinho cutucou: “Quer pergunta de bajulador?”

Bolsonaro se irritou e encerrou a conversa.

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