Sinais vitais da pré-campanha eleitoral em Pelotas

Atualizado às 17h41 de 15/08 |

HOJE, se contar número de partidos que apoiam, tempo de propaganda eleitoral e recursos do fundo partidário eleitoral, a pré-candidatura mais forte à prefeitura, na eleição que se avizinha, continua sendo a de Paula Mascarenhas (PSDB).

Apesar do eventual e suposto desgaste com a pandemia, a pré-candidatura da tucana não tem, hoje, opositores com aquela mesma musculatura, união, tempo, grana.

Pode inclusive que, em vez de ter sofrido desgaste, Paula esteja bem avaliada, uma vez que, apesar dos solavancos, não morreram pacientes de covid por falta de atendimento, informação de interesse mais imediato (e compreensível) do cidadão.

É certo que desagradou lideranças do segmento produtivo, que apontam falha na gestão da estrutura de saúde. Para eles, se a prefeita tivesse investido mais no sistema, Pelotas (referência hospitalar da região) talvez pudesse não ter entrado em bandeira vermelha, o que permitiria a coexistência do distanciamento social e do funcionamento, sobretudo, do comércio e dos serviços, base econômica da cidade, impedindo seu grande ônus.

Mais que lideranças de entidades empresariais, Paula pode ter desagradado toda uma cadeia de comerciantes etc., de maneira mais ampla. É uma possibilidade ainda não aferida, pelo menos não divulgada. Não há notícias de pesquisas sobre como a sociedade assimilou as ações do governo.

Também não há notícias de pesquisas de intenção de voto para prefeito. Se existem, permanecem de uso interno dos partidos, provavelmente servindo para determinar movimentos de bastidores que a maioria dos eleitores jamais fica sabendo.

A percepção – hoje – de que não há concorrentes com escopo de conjunto para fazer frente à Situação decorre sobretudo da atitude dos demais partidos de maior expressão no cenário (por estrutura e assentos na Câmara), em tese com maiores chances de enfrentar a tucana.

Entre os partidos mais fortes do centro para a direita, o único que içou velas foi o PP. Em pré-convenção dia 2 de agosto, o partido aprovou indicativo de candidatura própria, defendendo um nome para postulante: do ex-prefeito Adolfo Fetter Jr.

Já outros partidos de maior expressão, como DEM e MDB, que podem em tese formar uma aliança com o PP, estão mudos, esperando o quê, não se sabe. O que é sabido é que, em política, tudo tem valor, inclusive a quietude, à espera, muitas vezes, de uma oferta.

DEM e MDB detêm cargos na prefeitura e no governo do estado, também dirigido por um tucano, Eduardo Leite. Ganharão mais cargos? Sinecuras? Acharão bom? Isso não está em questão? Ou decidirão ir para a oposição, como parece estar indo o PP?

Parenteses: (Embora formalmente tenha içado uma vela, o PP, com boa parte de seus quadros, segue bem instalado em cargos de primeiro escalão, de assessoria especial, e outros na prefeitura; então, não se pode afirmar nada em definitivo sobre os rumos do Progressista, ao menos não até a convenção de fato; até lá, muita água vai rolar).

Aparentemente, o PP, ao aprovar indicativo de candidato próprio, percebeu que existe um ambiente propício a uma candidatura de oposição pela direita e tenta puxar uma caravana de carros hesitantes. Há quem considere que o governo, sobretudo após o lockdown, está “embretado”. Pode ser, pode não ser. Como não há pesquisa à mostra, não se pode saber. 

Apesar daquele movimento por independência, o PP segue dividido, ao ponto de aguardar uma definição dos tucanos quanto a quem cederão a vaga de vice. Vereador Roger Ney, presidente da sigla, almeja ser o vice e fez até um teste de vídeo para isso. Se os tucanos derem a vaga de vice ao PP, o partido insistirá em ter candidato próprio?

Outros partidos menores, do centro para a direita, apresentaram nomes, como o de Marcelo Oxley, do Podemos. Mas, ainda pouco conhecidos do eleitorado, poucos tempo de propaganda e recursos do Fundo Eleitoral, não sugerem, hoje, que tenham possibilidades, a não ser que se transformem em fenômeno nas redes sociais. Quem sabe?

Já do centro para a esquerda, até aqui, vimos três partidos içarem velas com candidaturas próprias, PT, com Ivan Duarte, PSol, com Júlio Domingues, e PSB, com Tony Sechy. A esquerda não descarta o que seria sua melhor opção, unir forças numa chapa só. Mas, por ora, essa possibilidade, que segue em aberto, não emite sinais vigorosos naquela direção.

Considerando os elementos tradicionais que regem o jogo eleitoral, há três meses da eleição, os tucanos seguem em posição mais confortável, apesar da pandemia, ou talvez até mesmo por conta dela. É uma dúvida que só uma pesquisa poderia ajudar a dissipar.

Como governantes não costumam tomar decisões de escala sem medir a temperatura ambiente, é provável por exemplo que o lockdown, medida extrema, tenha sido posto em prática apenas depois de o governo ter avaliado qual seria o seu impacto.

Não se duvide que tenham constatado que a maioria da população apoiaria o lockdown, ainda que isso pareça em contradição com o índice de isolamento até então, pouco menor que 50%. Se foi assim, marcaram pontos em vez de perder.

O distanciamento será a marca da eleição? Ou vai vencer a aglomeração?

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