Sobre o caso da menina de 10 anos vítima de estupro

Indiana Rosset

Primeiramente ninguém deveria estar opinando se ela devia ou não ter abortado. Ela não era uma jovem irresponsável que transou sem camisinha e agora queria se livrar do “fardo”.

Era uma criança de apenas 10 anos que estava sendo abusada há muito tempo, era uma criança que expressava o desejo de interromper a gravidez e só de tocar no assunto chorava muito.

Não houve pressão para o aborto, uma vez que o caso veio à tona só agora. A menina não abortou antes porque ficou sabendo da gravidez somente no dia 7 de agosto, quando foi para o hospital se queixando de dores abdominais. Nesse mesmo dia, ela contou que vinha sendo abusada desde os 6 anos pelo próprio tio.

No hospital, disseram que não poderiam realizar o aborto pois a gravidez estava muito avançada, tornando assim a prática “não amparada” de acordo com a legislação. E foi aí que entraram com o pedido para que ela pudesse fazer o aborto, E na decisão, o juiz escreveu o seguinte: “a vontade da criança é soberana ainda que se trate de incapaz, tendo a mesma declarado que não deseja dar seguimento à gravidez fruto de ato de extrema violência que sofreu”.

A situação é totalmente lamentável. Não temos nenhum motivo sequer pra comemorar. Independente de ser um bebê fruto de um estupro, ainda é um bebê, não se comemora a morte de um inocente em nenhuma hipótese. Mas a decisão era e sempre foi da menina, que foi vítima o tempo todo. E agora, é vitima de grupos políticos que estão usando e abusando de um trauma pra ganhar palanque eleitoral.

Essa criança teve sua infância roubada, seus sonhos destruídos e seu corpo dilacerado. E ela sequer sabia que estava grávida. Conseguem imaginar isso? Uma criança de apenas 10 anos que não sabia o que estava acontecendo com seu próprio corpo? Conseguem imaginar como está a cabecinha dela? Toda traumatizada e ainda tendo grupos quebrando a porta do hospital onde ela está internada?

Ninguém se importou com essa criança, todos só queriam levantar suas respectivas bandeiras. E francamente? Vocês deveriam ter vergonha disso.

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