Opinião livre: “O efeito Halley e o dever de casa”. Por Renato Sant’Ana

Por Renato Sant’Ana*

Ainda está viva a memória de 1986, ano em que o cometa Halley se fez
visível da Terra, fato que se dá a cada 76 anos aproximadamente. Ele vai
e volta. E se mostrará por aqui outra vez em 2061.

Nas redes sociais existe o que se pode chamar de “efeito Halley”: certos
conteúdos não param de viajar na WEB. Vão e voltam, sempre voltam.

Tanto a informação verdadeira quanto a falsa, o poema ingênuo que
Drummond jamais escreveria, o inverossímil comentário de Shakespeare
sobre consumismo, tudo vai e volta na facilidade de um clique.

Foi o “efeito Halley” que trouxe de volta a intromissão chinesa na mídia
brasileira, só que, agora, para negar o inegável.

Tanto a Globo quanto a Bandeirantes assinaram, em novembro de 2019,
“termo de cooperação” com o China Media Group, que, além de maior grupo
de comunicação do mundo, é um braço do Partido Comunista Chinês.

Aí, alguém, nas redes sociais, por motivos insondáveis, atropelando os
fatos, veio dizer “oh, isso já foi desmentido!”. Não foi, não!

Veja a fonte! Em 11/11/2019, o site da própria Bandeirantes publicou
matéria assinada por Tatiane Moreno, informando: “O Grupo Bandeirantes
de Comunicação e o China Media Group assinaram nesta segunda-feira, 11,
um acordo de cooperação.”

Mais uma fonte em destaque! Em 14/11/2019, na Folha de S. Paulo, Nelson
de Sá assim intitulou sua coluna: “Globo assina com gigante chinesa para
coprodução e tecnologia 5G”.

Há inúmeras outras fontes que poderiam ser citadas, mas já bastam essas
duas: os dois grupos aliaram-se aos chineses para produção de conteúdo.

E qual é a gravidade da coisa?

Primeiro, é preciso entender que, nos regimes totalitários, “governo”,
“Estado” e “partido” se confundem, formando uma só maçaroca autoritária:
é exatamente assim no macabro totalitarismo chinês.

O segundo item dessa equação é que o China Media Group é um órgão
daquele regime, ou seja, um tentáculo do Partido Comunista Chinês.

O resultado é que, ao firmarem seus acordos, Globo e Bandeirantes não
conveniaram com uma grande empresa, mas se aliaram à maçaroca ideológica
que escraviza mais de um bilhão de chineses e quer escravizar o mundo.

Como não perceber a motivação da China para dominar a mídia doutros
países?  Quem é capaz de pensar e tem honestidade intelectual só precisa
informação. Pois que falem os fatos!

Há poucos dias, na BandNews, Charles Tang, Presidente da Câmara
Brasil-China, expressando-se com a desenvoltura de quem se sente em
casa, não fez cerimônia para enaltecer a ditadura chinesa.

Meses atrás, os canais de TV da Globo e da Bandeirantes serviram de
palanque para o agressivo embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming –
que nos brindou uma linguagem rasteira e inadequada à diplomacia.

Exemplos atuais e passados mostram a China atropelando a soberania dos
países (a mídia brasileira ignora, mas a tragédia da Argentina, neste
momento, provocada por um governo pró-China, é desesperadora).

O comitê organizador da Copa do Mundo da África do Sul (2010) convidou o
dalai-lama, líder espiritual do Tibete, para uma conferência de paz com
Nelson Mandela e Desmond Tutu. Mas o governo sul-africano negou-lhe o
visto de entrada: não houve a conferência de paz!

O governo sul-africano, presidido por Kgalema Motlanthe, admitiu que a
negativa ocorreu para satisfazer a China: o atual dalai-lama,
Tenzin Gyatso, representava a resistência do Tibete contra o
imperialismo chinês, do qual, por sua vez, a África do Sul era refém.

Como ignorar a realidade? O assédio chinês é hoje, sim, uma ameaça à
soberania do Brasil e às liberdades individuais.

Mas o “efeito Halley” vai trazer de novo a contrainformação para
enganar os ingênuos. Entretanto, aquele que encara a vida com
responsabilidade sabe qual é o dever de casa: reafirmar a informação.

Sua baliza ética se traduz numa frase (não importa se dita por Thomas
Jefferson ou pelo advogado irlandês John Curran):

“O preço da liberdade é a eterna vigilância.”

Renato Sant’Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: sentinela.rs@uol.com.br

1 thought on “Opinião livre: “O efeito Halley e o dever de casa”. Por Renato Sant’Ana

  1. não vejo problema algum nas assinaturas desses acordos com o conglomerado chines,tanto a globo quanto a bandeirantes são empresas jornalisticas de grande relevancia e tem um jornalismo isento e comprometido com a verdade basta ver como se comportaram durante o periodo dos governos petistas pois a globo principalmente praticava um linchamento diario tanto de lula como do partido em si e agora no governo bolsonaro mantém a mesma atitude critica em relação ao que aconteçe,denunciando (embora não com a mesma enfase que praticava denuncias nos governos petistas) inclusive pessoas ligadas ao nucleo familiar do próprio presidente.e dizer que o governo chines escraviza seus cidadãos demonstra uma enorme falta de conhecimento de mundo pois a china é hoje o pais que mais investe em melhoria da qualidade de vida de seu povo tendo reduzido pobreza e anafalbetismo aos menores numeros da história,a pobreza hoje na china se sobressai em algumas areas rurais e ainda assim pessoas que são consideradas pobres lá,vivem muito melhor que qualquer pessoa pobre de outro lugar da ásia,e quanto a acordos com grupos estrangeiros as redes de comunicação tem acordos com empresas do mundo todo pois uma empresa de comunicação para emitir uma opinião clara não pode ter uma unica visão de mundo.obg.

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