Mudança na direção do PSL pode alterar correlação de forças na eleição pelotense

O que significa eleitoralmente a troca de comando no PSL em Pelotas, confirmada nesta quinta-feira, 27 ?

Resposta: ainda não se sabe; mas pode vir a significar muito no sentido de equilibrar a disputa na eleição para prefeito da cidade, neste ano.

Pode significar muito porque o PSL é o partido que, pelo tamanho da bancada na Câmara Federal, possui direito ao maior tempo de propaganda eleitoral e ao maior fundo partidário eleitoral entre todos os partidos governistas que, hoje, apoiam Paula Mascarenhas, do PSDB, à reeleição. E porque agora, sob nova direção, o PSL, que vinha alinhado com a candidatura Paula, pode eventualmente decidir abandonar o apoio aos governistas e apoiar outro candidato.

Pode abandonar? Sim, pode abandonar. Por esse motivo: mesmo o PSL tendo aquele ativo importantíssimo (maior tempo de propaganda e maior fundo eleitoral, fatores fundamentais numa eleição), os tucanos não escolheram o partido para vice de Paula. Em vez de Henrique Pires, presidente do PSL até ontem, e um dos seis pretendentes cogitados para vice, os tucanos escolheram Roger Ney, do PP, aparentemente pensando em anular a possibilidade de que o PP concorra com chapa própria e Adolfo Fetter Jr. como candidato.

Preocupado com Fetter, o PSDB minimizou o peso do PSL no processo, o que pode ter desagradado este partido, ao ponto de mudarem a direção, substituindo Pires pelo advogado e pastor Hermes Rockenbach, que nesta quinta-feira (27) assumiu a sigla na cidade, com anuência do presidente do PSL estadual, deputado federal Nereu Crispin.

O PSL abandonar a chapa governista pode ser um caminho. Outro pode ser não abandonar, desde que o PSDB volte atrás no nome de Ney do PP para vice, cedendo esta vaga ao PSL, além de outros espaços importantes no governo.

O que fará o “novo PSL” é uma incógnita…

Supondo que o “PSL sob nova direção” decida manter apoio à Paula, por atendidas as condições cogitadas (vaga de vice etc.), o PSDB teria de desistir de Roger Ney, o que fortaleceria o anseio de uma banda do PP por candidato próprio, e o nome de Fetter Jr. como candidato.

O PP tem convenção marcada para 1º de setembro, quando, em princípio, decidirá se terá candidato próprio (Fetter) ou se concorrerá como vice de Paula, Ney.

Dependendo de como os tucanos reagirem aos pleitos do “novo PSL”, e se o fizerem nesta semana, antes da convenção do PP, os progressistas podem chegar à convenção sem precisar considerar a vaga de vice com Ney, porque dele os tucanos haverão desistido.

Se os tucanos nada decidirem quanto aos pleitos do PSL antes da convenção do PP, ainda assim os convencionais podem “sofrer os efeitos da mudança na direção do PSL”, passando a considerar, antes de votarem, que o PSL pode abandonar o governo, o que abriria a possibilidade de se coligar com outro partido, como, por exemplo, o PP, fortalecendo Fetter.

O PSL pode ter se submetido à pesquisa quantiqualitativa proposta pelo PSDB, para definição do vice de Paula, pensando que seria o partido escolhido independentemente do resultado, pelo ativo já mencionado (tempo de propaganda e fundo eleitoral), de grande e decisivo valor numa eleição.

Certamente o PSL não mudou a direção da sigla na cidade – neste momento – apenas por mudar, mas sim por uma razão maior. Por ora, além da troca de comando, o fato marcante é o momento da ocorrência: a cinco dias da convenção do PP, que definirá, em 1º de Setembro, os rumos do progressista na eleição.

A base de apoio aos tucanos na eleição municipal, que parecia coesa e sólida, não parece mais. Além da insegurança inserida pela mudança no comando do PSL, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, deu um comando nacional para o partido, ameaçando dissolver diretórios do PTB que insistirem em coligar com PSDB, DEM e partidos de esquerda.

O que farão PTB e PSL pode alterar, e muito, a correlação de forças na eleição pelotense.

Por exemplo: se o PSL se aliar ao PP, o tempo de propaganda eleitoral destes partidos, somados, será equivalente ao tempo que terá a candidata tucana Paula, mesmo que mantenha o apoio de outros partidos.

Só o tempo do PSL é mais que o dobro do tempo do PSDB.

1 thought on “Mudança na direção do PSL pode alterar correlação de forças na eleição pelotense

  1. Poderiam fazer uma coligação do PSL, PP, PTB, CIDADANIA E PV e lançar candidato próprio, pois precisamos de um lider com coragem e agilidade na prefeitura.

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