Afastamo-nos hoje para podermos nos abraçar amanhã!

Fazendo uma viagem virtual por algumas partes do Planeta, observa-se como as aglutinações são importantes para manter os seres vivos mais confortáveis ou o ambiente mais frio ou mais quente.

Passando pelas redondezas do Continente Antártico, em períodos mais frios do ano, deparamo-nos com milhares de pinguins encostados uns nos outros, pois este tipo de comportamento faz com que a temperatura corporal se mantenha mais alta, na medida em que o calor de uns vai passando para os outros, evitam, portanto o afastamento social em prol de uma melhor garantia de sobrevivência; subindo as montanhas dos Andes na região equatorial, naturalmente mais quente, percebe-se que a temperatura vai diminuindo na medida em que se atinge maiores altitudes, pois as moléculas que formam a atmosfera ficam mais distantes e a luz que incide nelas, transformando-se em calor, por estarem mais afastadas, perdem calor para o espaço entre elas e não passa de umas para outras, deixando a temperatura mais baixa do que as zonas mais ao nível do mar; as aves, em qualquer parte do mundo, acomodam seus ovos em ninhos e acomodam-se sobre eles para mantê-los aquecidos, o que não aconteceria se estivessem sem esta proteção, pois o calor necessário para o desenvolvimento do embrião até eclosão com a ruptura da casca, passa do corpo da mãe para os ovos, aquecendo-os.

Percebe-se, portanto, que se manterem juntos, com um mínimo de afastamento, é da natureza dos seres vivos e até questão de sobrevivência. É o contato maior que permite passagem de calor mais intenso, é o contato que estabelece proteção entre os animais.

E aí temos o paradoxo provocado por uma epidemia onde o risco é o contato, pois este é o mecanismo utilizado por determinados agentes infecciosos, que proliferam com intensidade tanto maior quanto maior for o contato entre os hospedeiros preferenciais destes agentes, isto é, rompe-se o instinto de proteção dado pela aglutinação entre os seres vivos, para que sejam evitados contágios, que provocariam expansão de uma doença.

Nesta pandemia da COVID-19, observa-se este fenômeno, o contágio aumenta com a maior aglutinação, contato, entre as pessoas. Daí ser necessário um maior afastamento social possível. Possível por ser impossível a paralisação total das atividades humanas, pois existem casos em que as pessoas têm que sair para locais onde se encontram outras e, para reduzir os danos de contágio só deverão sair para realização destas tarefas essenciais.

Em razão disto, atividades que determinem, pela sua natureza, grande número de pessoas em um mesmo local e por muito tempo, devem ser suspensas. Estou me referindo as atividades de ensino, pois os ambientes escolares são naturalmente locais de grande aglutinação de pessoas de todas as idades.

Na Educação Infantil as crianças buscam o aconchego dos professores, pois sentem falta das mães, aproximam-se umas das outras para brincar, enfim, são sujeitas a abrigarem vírus no corpo, nas roupas e utensílios utilizados pela Escola.

O mesmo, de forma diferente, mas sempre buscando aproximação, ocorre nos primeiros anos do Ensino Fundamental e assim por diante nos outros anos.

É impossível um afastamento social eficiente em uma Escola, sem considerarmos que estes estudantes fazem parte de uma rede de enorme capilaridade na medida em que tem que se deslocar de suas casas, na maioria das vezes utilizando transporte público, desta forma o contágio se estende de suas casas, pelas ruas das cidades até a Escola. O mesmo ocorre com os professores e demais funcionários das escolas e com os fornecedores de insumos a estas instituições de ensino.

Depreende-se daí o enorme risco de se aumentar o número de pessoas contaminadas com o Coronavírus, saturando o sistema de saúde e prejudicando, por consequência, aqueles que são obrigados, em razão de suas atividades serem consideradas essenciais, a circularem pela cidade.

Conclui-se, então, a necessidade se manterem fechadas as Escolas e, aquelas que não puderam desenvolver um trabalho remoto com os estudantes, que são a grande maioria, deverão recomeçar o ano letivo deste ano de 2020 em 2021, com a elaboração de um Plano Político Pedagógico dentro desta realidade e contando com a garantia de que não haverá mais riscos para este enorme contingente de crianças, jovens e adultos que buscam os bancos escolares para garantir um futuro melhor e mais digno e que os procedimentos de um ensino qualificado sejam seguros, como deverá ser segura a saúde deste enorme contingente de pessoas.

Então poderemos, em algum momento, voltarmos a um convívio normal, saudável, onde apertar as mãos, abraçar, beijar, ir ao cinema, ao teatro passarão a serem comportamentos normais e saudáveis e esta crise que tantas tragédias familiares deixou, tantos problemas causou, será uma página que deverá ser sempre lembrada como uma lição de quão importante é sempre se estar prevenido para o enfrentamento das adversidades que se escondem nos caminhos da humanidade…

Neiff Satte Alam é professor Universitário Aposentado – UFPEL Biólogo e Especialista em Informática na Educação

 

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