FREITAS LANÇA DÉCIMO LIVRO QUINTA-FEIRA

Às vezes Ninguém é Dom Quixote, geralmente encarna o alter ego do herói de Cervantes ao assumir a personagem Sancho Pança. Essa dualidade permeia o novo romance do escritor pelotense Luiz Carlos Freitas, cujo título – Ninguém – é um convite para penetrar no universo dos loucos, dos sábios e dos tolos. A história se passa no Rio de Janeiro, no período que compreende o início dos anos 1990 até os dias atuais, e conta a trajetória de quatro órfãos – Ninguém, Maisum, Esperança e Benvindo – em um contexto local, nacional e mundial caótico, marcado pela revolução silenciosa em curso, contra o senso comum, conceitos arraigados, injustiças enraizadas, verdades desnudas, civilização apodrecida.

 Negro, pobre e só, Ninguém é o retrato de uma sociedade desigual, intolerante, discriminadora, preconceituosa. Elitista. Em visível estado de decomposição, agonizante, prestes a ser extinta e ceder lugar à outra – semelhante, diferente, renovadora? Acompanhar as aventuras e desventuras de Ninguém desde a precoce entrada no mundo, entre as estantes de livros da Biblioteca Nacional, é obter passaporte para espiar o lado oculto da alma humana, vislumbrar a face mais cruel da era contemporânea, constatar a corrupção dos agentes do Estado, atestar a decadência humana – individual e coletiva.

 Ninguém encara uma pré-infância bizarra, marcada pelo abandono, ainda que sob a guarda de parentes. É descartado. Vai parar em uma instituição de caridade, se defronta com a violência, a hipocrisia, a ambição, a maldade. Foge. Conhece os perigos das ruas do Rio de Janeiro – viver é arriscado. É devolvido ao orfanato. Instituições corrompidas atuam em consonância tácita para ferrar os pobres, os humilhados e ofendidos, com o devido pedido de perdão a Dostoiévski. Adolescente, o negro de olhos verdes, sensibilidade apurada, inteligência rara, argúcia incomum e bondade quase ilimitada, se agarra  na rebeldia da idade e derruba o  teatro de terrores.

Libertos pela força que nasce na coragem dos que nada têm a perder, Ninguém, Maisum, Esperança e Benvindo caem na boca do dragão: são engolidos, mas logo vomitados, devolvidos a entidades devoradoras de crianças e jovens, prisões estatais pintadas com tinta incolor, administradas por vermes. Nesse labirinto, o capitão da lua, se obriga a seguir caminho solo, adentra a névoa que envolve sonho e realidade, é acusado de crimes de morte, internado em manicômio – é preciso tirá-lo de circulação, colocá-lo sob  a “proteção do Estado-pai”. Aí é que se inicia a real viagem de Ninguém pelo território dos loucos, dos tolos e dos sábios.

Freitas

PERFIL DO AUTOR

Luiz Carlos Freitas reside em Pelotas, RS. É romancista, jornalista, cronista e contista. Colunista político do centenário “Diário Popular”, concluiu o primeiro romance aos 17. Neto de imigrantes portugueses, começou a trabalhar aos dez anos e exerceu diversas profissões antes de chegar ao jornalismo. Autor emergente da literatura contemporânea brasileira, publicou nove títulos. Suas obras contêm forte conteúdo popular e são repletas de personagens marginalizados, com ênfase na redenção dos oprimidos. Para o autor, o escritor deve tentar ser um agente de mudanças, buscando um mundo mais solidário e socialmente justo.

NINGUÉM ( romance – crítica social)
Luiz Carlos Freitas
ISBN 978-65-990002-9-4
280 p.
brochura
R$ 40,00

Dia: 24 de setembro

Horário:  Das 10h às 18 horas

Local: Livraria Mundial

Endereço: Rua XV de Novembro, 564

*Serão obedecidos todos os protocolos de prevenção determinados pelas autoridades.

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