O que pautará a eleição pelotense?

Atualizado às 20h34 de 19/09.

Como Kinder Ovo, de tempos em tempos Pelotas reserva umas surpresinhas. Carentes de grandes emoções, às vezes parecemos criá-las nós mesmos para suprir a demanda. Em tempos pré-eleitorais, é batata.

Sob forte emoção, Roger Ney foi destituído da presidência do PP. Com intensidade igual, Valter Poetsch renunciou à presidência do Cidadania, depois que o partido preferiu Fetter em vez de Paula, e divulgou uma longa carta.

Bernardo de Sousa ressuscitou, ao menos na missiva de Poetsch.

O presidente do PTB, Agostinho Meirelles, esperneou diante da possibilidade de a tucana Paula escolher o PSL de vice; daí a demora na definição do nome. O PTB detém hoje a vice-prefeitura e gostaria de mantê-la, depois que Roger Ney, do PP, foi descartado.

Será bom ver em campo 10 candidaturas à prefeitura. Uma participação inédita. Até um mês atrás parecia que “estava tudo dominado” em favor de um grupo político. Não parece mais.

Talvez o grande número de candidatos ao Executivo tenha a ver com a pandemia: depois de muito tempo encerradas, as pessoas ficam ansiosas pela vida social. Talvez tenha a ver também com a crise e a busca por oportunidades, sobretudo para o Legislativo, onde o alto número de pretendentes a uma vaga também é inédito.

Estou curioso sobre quais temas pautarão a campanha. Vejo candidatos denunciando valetas nas vilas. Me parece perda de tempo.

Creio em dois grandes temas. As políticas de saúde, sobretudo as adotadas para a pandemia, e seus reflexos sobre a atividade produtiva, incluindo o debate da recuperação da economia.

Talvez o debate ideológico em torno de direitos individuais e coletivos, atiçado pela pandemia, ganhe corpo também.

Como andará a cabeça do pelotense em termos ideológicos?

Tim Maia dizia que pobre no Brasil é de direita. Com a mesma irreverência, talvez hoje dissesse que, depois de tentar ser de esquerda, o pobre brasileiro acabou vendo que a esquerda era de direita também.

Após uma decepção, as pessoas tendem a voltar aos valores conservadores. Foi o que elegeu Bolsonaro.

Pelotas tem muitas pessoas pobres.

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Abaixo as candidaturas:

Paula Mascarenhas, do PSDB, ainda sem vice definido. Apoiada por PSL, PTB, PL, PSD, Solidariedade, Republicanos, DC.

Fabrício Matiello, do MDB, e Marco Marchand (vice), do DEM.

Fetter Jr., do PP, e Antônio Carlos Brod (vice), Cidadania. Com apoio de PROS, PV,  PTC, PSC e Avante.

Ivan Duarte e Iyá Sandrali (vice), ambos do PT (Chapa pura).

Marcelo Oxley e Eduardo Villar (vice), ambos do Podemos (Chapa pura).

Tony Sechi, do PSB, e Renato Abreu (vice), do PCdoB.

Marcus Napoleão, do PRTB, e Luciano Dalla Rosa (vice), do Patriota.

Júlio Domingues e Daniela Brizolara, ambos do PSOL (Chapa pura).

Eduardo Ligabue e José Nilson Maesk, do Partido da Causa Operária, PCO (Chapa pura).

Daniel Barbier e Mabel Teixeira (vice), ambos do PDT (Chapa pura)

2 thoughts on “O que pautará a eleição pelotense?

  1. Creio que o editor acerta ao eleger as políticas de saúde diante da pandemia como o grande tema desta eleição. A opção pela preservação da vida feita pela prefeita ( em consonância com Constituição Federal, OMS, e abundantes evidencias em si), terá o condão de expor os que sempre estiveram a serviço de uma determinada elite de pelotinos que, como um vírus, ficam em estado de latência até que lhes seja dada uma nova ordem para que defendam os interesses daqueles. No presente caso, os que insistem em expor funcionários ao vírus do Covid contra toda evidencia em contrário, que demonstram uma equação simples, aglomeração é igual a aumento do contágio. No baile de máscaras da eleição muitas cairão.

  2. Tantos candidatos, nenhum resultado prático: E tem gente que diz não haver pandemia, que é invenção da China. Todos estes assuntos nos meios sociais tidos como alta cultura, não quero ver a baixa cultura. Mas enfim é Pelotas sendo Pelotas.

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