O DIABO DE CADA DIA

Baseado no livro homônimo de Donald Ray Pollock, O Diabo de Cada Dia explora a perspectiva de vários personagens corrompidos ou traumatizados nos anos entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã.

Inicialmente somos apresentados ao jovem soldado Willard Russell (Bill Skarsgård), que retorna da Guerra e começa a formar uma família com a garçonete Charlotte (Haley Bennett). Assim, a trama mostra o religioso Willard enfrentando os traumas que a Guerra lhe trouxe e como isso influenciou sua família por anos, em especial o seu filho Arvin (Tom Holland).

Paralelamente, vemos também um casal de serial killers que caça pessoas que pedem carona na estrada (Jason Clarke e Riley Keough), um xerife corrupto (Sebastian Stan) e um detestável pastor (Robert Pattinson).  

O longa apresenta o mapa das cidades de Knockemstiff, em Ohio, e Coal Creek, na Virginia. Afinal, é ali que se passará, em duas gerações, a partir de meados dos anos 1950, uma história de violência com desfechos trágicos e chocantes. Aliás, a voz rouca que narra o filme é do próprio Donald Ray Pollock, que dá um ar sulista perfeito para a narrativa.

Com uma estrutura quase que dividida em capítulos, são tantas tramas contadas ao mesmo tempo, que muitos personagens não recebem a devida profundidade. Essas subtramas aos poucos vão se cruzando, mas possuem uma temática em comum: o uso da fé como pretexto para praticar atos violentos.

A direção de Antonio Campos, com o roteiro adaptado por ele e seu irmão Paulo Campos, mostra todas as atrocidades cometidas pelo homem em nome de Deus. Não deixa de ser uma crítica ao fanatismo religioso, que acompanha um senso moral completamente deturpado. De fato, o verdadeiro diabo de cada dia é o que está dentro das pessoas.  

Com um elenco extenso, porém harmonioso, são vários os nomes que roubam a cena. O britânico Robert Pattinson capricha no sotaque caipira e interpreta com precisão um pastor mau-caráter que abusa da fé de seus seguidores. O mesmo pode-se dizer de Tom Holland, que surpreende ao viver um personagem complexo, que exige do ator muito mais força dramática do que estamos acostumados a ver. Sem dúvidas, sua atuação é a melhor do filme.

Além da dupla, Jason Clarke está ótimo como habitual, e BillSkarsgård, Riley Keough e Eliza Scanlen mostram talento de sempre. De negativo, a participação minúscula da excelente Mia Wasikowska.  

Intenso e angustiante, O Diabo de Cada Dia é cheio de significados e nos faz refletir se o mal está realmente em toda parte.

Déborah Schmidt é formada em administração e servidora.

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