Cinema: The boys in the band

Aclamada na Broadway, The Boys in the Band acaba de ganhar uma adaptação cinematográfica produzida por Ryan Murphy. Baseada na obra homônima de Mart Crowley, a peça originalmente estreou em 1968 e sua primeira adaptação para o cinema foi em 1970 dirigida por William Friedkin.

Após uma bem-sucedida nova montagem em 2018 na Broadway, incluindo um prêmio Tony no ano seguinte, surge agora uma nova versão cinematográfica que está disponível no Netflix. 

1968, Nova York. Michael (Jim Parsons, soberbo) oferece em seu apartamento uma festa de aniversário para seu amigo Harold (Zachary Quinto), que, para variar, está atrasado. Entre os convidados estão Donald (Matt Bomer), Larry (Andrew Rannells), Hank (Tuc Watkins), Bernard (Michael Benjamin Washington) e Emory (Robin de Jesús). Além deles, Cowboy (Charlie Carver) é um garoto de programa e Alan (Brian Hutchison) é um antigo colega de faculdade de Michael, que chega à festa sem ter sido convidado. 

Ambientada em um único cenário e em uma única noite, a estrutura do filme se mantém praticamente intacta, exceto por algumas cenas que se passam fora do apartamento do protagonista, em flashbacks que proporcionam uma profundidade ainda maior a cada personagem. Na verdade, a adaptação cinematográfica acertou em cheio ao manter sua base criativa. O diretor Joe Mantello é também o diretor da peça que estreou na Broadway há 2 anos e o elenco também é o mesmo que deu vida à trama nos palcos. Com isso, é evidente observar a ótima dinâmica nas conversas que envolvem a todos os homens presentes na festa de aniversário. 

A festa, que inicia com dança e alegria, muda radicalmente de tom com a chegada da chuva. A claustrofobia aparece como mais um elemento na história, aprisionando e obrigando os personagens a saírem da varanda, ao ar livre, e dividirem o mesmo pequeno espaço. O grupo de amigos gays que se conhece tão bem é surpreendido pela adição surpresa de um heterossexual na festa. A partir daí, vemos amizades sendo testadas, duras verdades sendo jogadas na cara uns dos outros e até agressão física, em diálogos carregados de humor e ironia. Em duas horas de duração, a narrativa cria uma tensão crescente e caótica, afinal, são tantos ressentimentos entre os amigos, que basta a chegada de um elemento estranho para que tudo venha à tona. 

Em sua metade final, o que era uma simples comemoração de aniversário se transforma em um jogo tenso e cheio de confissões proposto pelo anfitrião, na qual cada um deve telefonar para a única pessoa que acredita ter amado de verdade. Em pleno anos 60, cada um dos rapazes dessa banda divide suas aflições, angústias, a busca por relacionamentos e por se encontrarem não apenas como homens gays, mas como pessoas, aqui complexas e cheia de sentimentos que lidam com suas imperfeições. 

Com um excelente texto, um elenco fantástico formado por atores abertamente gays e uma direção impecável, The Boys in the Band é uma celebração sobre os relacionamentos.

Déborah Schmidt é formada em administração e servidora.

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