Omissão e consequências

Renato Sant’Ana, advogado e psicólogo

Enquanto pessoas boas encontram justificativas para não agir, as más são más em tempo integral.

É bem útil observar o que ocorreu no Rio de Janeiro em 2016.

Na eleição para prefeito, 47,3% dos cariocas (quase a metade dos habilitados para fazê-lo) não votaram no 2º turno. Ou seja, mais de 2
milhões, somando 300 mil a mais do que os votos dados ao candidato eleito, omitiram-se, deixando que outros decidissem por eles.

No 2º turno, os cariocas tinham de eleger entre Marcelo Crivella, militante da Igreja Universal, e Marcelo Freixo, militante da esquerda:
eram representantes de duas “religiões” disputando o poder.

Entre os que se omitiram, quantos terão aprendido? Os devotos da esquerda e os devotos da Universal sabidamente não ficariam em casa, mas iriam às urnas. Foram. Votaram. E se elegeu Marcelo Crivella.

Brasil afora, viu-se mais ou menos a mesma demonstração de desinteresse pela política, uma omissão que só favorece aventureiros.

As pessoas esquecem que, abandonando a política, tornam tudo mais fácil para os egoístas que só querem o poder.

Caberá deixar para outros a decisão de quem vai administrar a cidade? Será válido o risco de que tudo se resolva num embate entre fanáticos?

Inclusive porque a omissão é uma forma de egoísmo, é melhor observar os erros dos outros e não os imitar.

Renato Sant’Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail sentinela.rs@uol.com.br

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