‘Rebecca, a mulher inesquecível’ não funciona

Adaptada por Alfred Hitchcock em 1940, Rebecca – A Mulher Inesquecível rendeu ao mestre do suspense o único Oscar de melhor filme de sua filmografia. Adaptar um clássico nunca é fácil, e a nova versão da história escrita por Daphne du Maurier está disponível na Netflix.

A trama gira em torno de uma jovem humilde (Lily James) que se casa com Maxim de Winter (Armie Hammer), rico proprietário da mansão Manderley. Chegando lá, ela é recebida com frieza por todos, principalmente pela Sra. Danvers (Kristin Scott Thomas), a governanta da casa. A jovem também passa a viver às sombras de Rebecca, a falecida esposa de Maxim, e descobre, aos poucos, segredos sobre seu passado.  

Com o início reservado para apresentar o romance entre o casal, o longa explora protagonistas emocionalmente solitários. Ela, que após a morte dos pais vira dama de companhia da Sra. Van Hopper (vivida pela maravilhosa Ann Dowd), e ele que acaba de perder tragicamente o amor de sua vida.

Apostando demais no romantismo, o filme do diretor Ben Wheatley não consegue criar um clima de suspense e, com um ritmo lento, as duas horas acabam parecendo muito mais longas do que o necessário. Mesmo com a entrada de um antagonista e muitas reviravoltas, o final definitivamente não empolga.

Rebecca 1940, de Alfred Hitchcock: esse funcionou

Enquanto a versão atual segue uma linha narrativa mais luxuosa, priorizando a enorme e misteriosa Manderley, o clássico optou por ressaltar o talento e a intensidade de seu elenco, formado por Joan Fontaine e Lawrence Olivier, e garantindo o clima de mistério e suspense. Assim, a sensação que fica é de que a produção sempre quer entregar algo a mais e não consegue, quando na verdade, não aproveita o potencial de seu enredo.

Visualmente impecável, Rebecca – A Mulher Inesquecível aposta no romance e não emplaca como suspense, resultando em um remake totalmente desnecessário.

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