Há quem ache a eleição americana complicada

Há quem ache a eleição americana complicada, e imagine se não seria melhor se fosse igual à daqui: bastava contar os votos dados a cada candidato e pronto. Com a vantagem de economizar campanha, porque lá eles já começam direto pelo segundo turno.

Claro que haveria aquele pequeno suspense de esperar pela apuração no Alaska (o Alaska é o Acre deles). Mas se usassem urna eletrônica, a esta hora o Trump já estaria bufando que foi golpe e o Biden, preparando o anúncio do Bindencare.

Mas o sistema de lá é simples. Prepara-se uma lista tríplice, com sete nomes (oito no Texas). Essa lista vai para as convenções (menos no Alabama, onde são feitas assembleias). Os delegados se reúnem (exceto em Nebraska, onde ficam isolados em cabines) e sorteiam um dos nomes (menos em Utah, onde o quem escolhe é o líder dos mórmons). Feito isso, os eleitores são convocados (a não ser na Virgínia, onde o Olavo é quem intima) a declarar sua intenção de voto (exceção feita ao Wyoming, que pula essa parte). Tirando o Tennessee, nos demais estados as cédulas são enviadas pelo correio (carta registrada na Pennsylvania). As que chegarem em até 15 dias (17 em Connecticut) são entregues aos mesários (todos do sexo masculino no Arkansas). Se forem em número par (número primo na Carolina do Sul), metade delas tem peso 2 (peso 1,5 no Novo México) e a outra metade vai para repescagem (ou revalidação, no caso de Delaware). Tira-se então a raiz quadrada (integral de logaritmo base 2 na Geórgia) e o restante é somado ao que tiver sido apurado em Indiana (caso não seja lua cheia em Illinois). No Maine, as lagostas têm o direito a se abster de participar do pleito.

Ganha quem tiver mais votos na Flórida.

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(P.S. Isso foi escrito de tarde, e deixado de lado. Ainda bem, porque faltam 6 votos para o Binden desmentir a última frase – mais provável que os 56 que o Trump precisa para confirmá-la).

Eduardo Affonso é colunista de O Globo e, a pedido nosso, autorizou o compartilhamento, aqui, de seus posts no facebook.