Alternância de poder é uma dádiva

Reza o senso comum que só há uma coisa mais difícil do que a esquerda chegar ao poder: é conseguir tirá-la de lá depois. Evo, Chávez, Maduro, Fidel que o digam. E nem é preciso lembrar o PT, que fez o diabo para se eternizar.

Trump é a prova de que o buraco não é à esquerda ou à direita, mas bem mais embaixo. E tem a ver com caráter autoritário – ainda que algumas ideologias tenham mesmo mais pendores autoritários que as outras.

A alternância de poder é uma das dádivas da democracia. Funciona ainda melhor se não se tentar destruir o legado do antecessor – mas aí também já é querer muito. Aconteceu na Espanha, quando a monarquia sucedeu ao franquismo, e aqui, em certa medida, quando Lula sucedeu a FHC. É a tal “continuidade sem continuísmo”. Um passo com a perna direita, outro com a esquerda, e vamos em frente.

Insistindo na narrativa da fraude para não aceitar a derrota, o futuro ex-presidente da futura ex maior potência mundial lembra a senadora Fátima Bezerra com seu mantra “É gópi! É gópi!”.

Um pouco de dignidade é artigo de primeira necessidade quando se leva um pé na bunda. Nas sábias palavras do filósofo Paulo Vanzolini, “um homem de moral (…) reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira, e dá a volta por cima”.

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