Infectologista diz que há hospitais lotados na pandemia e pede responsabilidade às classes A e B

Da Coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

A infectologista Christina Gallafrio Novaes, do Hospital das Clínicas de São Paulo, enviou uma mensagem a amigos com apelo dramático para que as pessoas voltem a intensificar os cuidados para não se contaminarem com o novo coronavírus.

Ela relata que “as infecções por Covid têm aumentado na cidade de São Paulo entre as classes A e B nas últimas 3 semanas, e vários hospitais de que tenho informação ou vivência direta (Sírio, Oswaldo [Cruz], 9 de Julho, Samaritano, Santa Paula, São Luiz…) tiveram aumento significativo de atendimentos”. Pelo menos dois deles, afirma a médica, “estão lotados”.

O salto ocorre porque, segundo ela, as pessoas vão a “festas, encontros, jantares” sem os devidos cuidados: usando máscaras e ficando a distância segura umas das outras.

Christina Gallafrio vai além: diz que, caso esse aumento se espalhe pela população menos favorecida, hospitais públicos podem enfrentar problemas mais sérios do que no auge da epidemia na cidade.

“Espero que esse aumento não passe para a população menos favorecida, porque o HC já não tem condições de reservar novamente um instituto inteiro, como fez na primeira onda, para tratar Covid, uma vez que está lotado agora com as internações por outras doenças que estavam represadas. Não teremos mais condições de ter, como antes, 500 leitos de UTI”, afirma a infectologista.

(…)

“Caros:

Nunca achei que fosse fazer um pedido desses, mas aqui estou, por exaustão. Peço desculpas antecipadamente por meu pedido.

As infecções por Covid têm aumentado na cidade de São Paulo entre as classes A e B nas últimas 3 semanas, e vários hospitais de que tenho informação ou vivência direta (Sírio, Oswaldo, 9 de Julho, Samaritano, Santa Paula, São Luiz…) tiveram aumento significativo de atendimentos e, pelo menos dois desses, estão lotados. As nossas consultas aumentaram exponencialmente. E não é por ônibus ou metrôs lotados. É por festas, encontros, jantares. Espero que esse aumento não passe para a população menos favorecida, porque o HC já não tem condições de reservar novamente um instituto inteiro, como fez na primeira onda, para tratar Covid, uma vez que está lotado agora com as internações por outras doenças que estavam represadas. Não teremos mais condições de ter, como antes, 500 leitos para covid.

Venho então pedir encarecidamente que usem máscaras, mantenham distância e façam pelo menos uma pausa (2 ou 3 semanas já ajudariam bastante) nos encontros não essenciais. Se forem inevitáveis, que sejam ao ar livre, com poucas pessoas. Nós, da saúde, estamos exaustos. Considerem isso antes de promover encontros. Está sendo muito difícil manter nossa saúde mental e física com uma carga de trabalho tão grande de forma contínua desde o início do ano. O descaso vem de cima, eu sei, contra isso não temos muitas armas. Mas aqui, neste grupo querido, tenho certeza que posso contar com a compreensão, apoio e esforço de vocês.

É temporário”.

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