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“QUERIDES LEITORES”

“O oprimido não vai da opressão para a serenidade: passa antes pela vingança, que é um instrumento de justiça primitivo. Quer depor o tirano (a suposta opressão linguística, no caso) para impor sua própria tirania. O mais intrigante é que os que insistem nesse papo de alunes e amigues são os mesmos que não abriam mão de dizer “presidenta”.

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QUERIDES LEITORES,

Tranquilizem-se: a “língua inclusiva” não vai além do título. (O texto será escrito em português arcaico mesmo, para que todos se sintam incluídos, não apenas os radicais que defendem um idioma “neutro”.)

Junto com a segunda onda da Covid, veio mais uma investida contra a língua portuguesa. O Colégio Franco-Brasileiro resolveu, visando ao bem de seus querides alunes, adotar “estratégias gramaticais de neutralização de gênero” para o “enfrentamento do machismo e do sexismo no discurso”.

Questões desse tipo só ocorrem a quem ainda não entendeu a diferença entre gênero gramatical e sexo – e a quem entendeu muito bem, mas crê que a ideologia prevaleça sobre conhecimento linguístico.

“Jornal” tem gênero gramatical (masculino), mas não tem sexo. Se reproduz por meio de processos gráficos, sem preliminares, genes egoístas, fusão de gametas etc. “Jornalista” tem sexo, mas a palavra que designa a profissão é comum de dois gêneros – o que não torna o jornalista e a jornalista automaticamente bissexuais ou de gênero fluido. Sexo pertence ao domínio da biologia; gênero gramatical, ao reino das palavras – lá, onde estão os poemas que esperam ser escritos.

O professor Sérgio Nogueira – Mestre em Linguística e inimigo dos preconceitos – ensina que, na nossa língua, se há algum privilégio, é do feminino. A forma feminina é marcada – a masculina, não. “Todas” refere-se exclusivamente às mulheres; “todos”, igualmente a homens e mulheres, sem excluir ninguém. E lembra que mudanças no idioma ocorrem naturalmente, e que a imposição de regras cria mais adversários que adeptos.

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É a mesma linha de pensamento do professor Deonísio da Silva, para quem estão tentando assassinar a língua portuguesa a tecladas. Querem mexer nas cláusulas pétreas da sua Constituição, que é a gramática – em vigor desde que se separou da mãe, o latim. Essa Constituição não é outorgada, mas uma obra escrita e reescrita permanentemente pelos falantes.

Num texto que, merecidamente, viralizou, a escritora Vivian Mansano explica que é inócuo mudar a vogal temática de substantivos e adjetivos para deixá-los “neutres”. “O elefante” termina em “e” e é masculino; “a alface” também termina em “e” e é feminina – o que define o gênero é o artigo que acompanha a palavra. Por outro lado, ela prefere dizer “a humanidade” ao invés de “o homem” quando se trata da espécie, não do indivíduo. Porque aí não é questão de gênero ou ideologia, mas de lógica.

Foram criados, para autores e “pessoas influenciadoras”, alguns manuais com propostas para eliminar o uso do masculino genérico. Em vez de “os artistas” (masculino, sexista), usar “a classe artística” (feminino, inclusivo). Em vez de “os interessados” (masculino, machista), “as pessoas interessadas” (feminino, neutro). Em vez de “os cariocas” (masculino, excludente), “a população do Rio” (feminino, abrangente) …

Teríamos que nos acostumar a novos ditados: “A humanidade é a espécie lupina da humanidade”, “O feitiço vira contra a pessoa praticante de feitiçaria”, “Quem não tem criatura canina caça com criatura felina”.

Um desses manuais vai além. Sugere que se pergunte sempre o pronome pelo qual a pessoa quer ser chamada e que se faça, nas apresentações, uma “inclusão radical em foco interseccional”, do tipo “Sou X, mulher, cisgênero, branca e uso o pronome ela.” Que se evite “senhor/senhora” (usar “senhore”), “ele/ela” (usar ”ile”). Em vez de “ator/atriz”, “pessoa atuante”. E dá-lhe sujeito oculto, gerúndio, infinitivo, perífrases, volteios e circunlóquios.

Nesse ponto, deixo de lado os linguistas e recorro à lição do psicanalista Francisco Daudt: o oprimido não vai da opressão para a serenidade: passa antes pela vingança, que é um instrumento de justiça primitivo. Quer depor o tirano (a suposta opressão linguística, no caso) para impor sua própria tirania.

O mais intrigante é que os que insistem nesse papo de alunes e amigues são os mesmos que não abriam mão de dizer “presidenta”.

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O Franco-Brasileiro recuou – mas, assim como a Covid, não há qualquer garantia de que não venham novas ondas por aí.

Eduardo Affonso é colunista de O Globo e, a pedido nosso, autorizou o compartilhamento, aqui, de seus posts no facebook.

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Câmara aprova medidas de transparência e teto para orçamento secreto

Pelas novas regras, emendas de relator ficarão limitadas a R$ 16,2 bi

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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (29), um projeto de resolução que tem como objetivo ampliar a transparência das emendas de relator-geral do Orçamento – conhecidas como orçamento secreto.

O texto aprovado é o substitutivo do senador Marcelo Castro (MDB-PI) ao Projeto de Resolução do Congresso Nacional (PRN) 4/21. O documento determina um teto para as emendas no valor aproximado de R$ 16,2 bilhões e estabelece que elas sejam divulgadas na internet, porém, sem especificar se o nome do parlamentar também terá que ser divulgado.

Castro rejeitou as 22 emendas propostas sob o argumento de que a ideia era resolver a situação emergencialmente. “O que estamos fazendo é uma coisa emergencial, para salvar o que foi empenhado, o que falta ser empenhado e salvar o orçamento”, disse.

Segundo o deputado, o parecer atende em 100% a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, no último dia 10, suspendeu as emendas do relator-geral ao Orçamento da União. Castro apoiou publicidade da indicação das emendas de relator a partir de agora, mas não retroativamente. “Não há a menor necessidade de o recurso chegar a um município e não saber quem foi o parlamentar que solicitou”, disse.

Protestos

A sessão contou com protestos de diversos parlamentares. Muitos deles, como a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), argumentaram que a sessão deveria ser destinada à apreciação de vetos e não do projeto em questão. Outros, como Adriana Ventura (Novo-SP), argumentaram que o tema era muito complexo para ser debatido e votado em uma única sessão.

O fato de o substitutivo do relator não especificar se os nomes dos parlamentares serão divulgados fez com que muitos deputados questionassem a real transparência da resolução e se ela atenderia às demandas do STF. Segundo Alessandro Molon (PSB-RJ), o texto não garante que os nomes dos solicitantes estarão vinculados às emendas liberadas.  

“O dinheiro público não pode ser destinado com base na afinidade ou não do governo. Tem de atender critérios impessoais e isonômicos”, disse.

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Senado vota em seguida

Como o PRN 4/21 é uma resolução do Congresso Nacional, o texto precisa ser aprovado pelas duas Casas em sessão conjunta. Porém, por conta da pandemia, Câmara e Senado estão fazendo votações separadas. A expectativa é que, ainda hoje, os senadores apreciem o assunto.

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Resultado do Enem será divulgado em 11 de fevereiro

A data foi confirmada pelo Inep

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Os resultados das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 serão divulgados no dia 11 de fevereiro do ano que vem. A data foi confirmada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela realização do exame, durante entrevista coletiva.

De acordo com o presidente do Inep, Danilo Dupas, o comparecimento neste domingo (28), segundo dia de provas, foi de 70%. Dupas também confirmou que está aberto o prazo para que os estudantes que não compareceram aos locais de prova por problemas logísticos ou por doenças infectocontagiosas, como a covid-19, peçam a reaplicação do Enem 2021, por meio da página do participante no site do Ineo.

Durante a coletiva, o delegado da Polícia Federal, Cléo Mazzotti, informou que foram cumpridos 31 mandados de prisão nos locais de prova. O alvo foram pessoas acusadas de tráfico de drogas, cárcere privado e estupro de vulnerável, entre outros crimes. Duas pessoas foram presas pela tentativa de uso de ponto eletrônico em dois locais de prova.

O transporte dos malotes com as provas foi concluído em todo o país, pelos Correios, em duas horas e 41 minutos.

Na avaliação do ministro da Educação, Milton Ribeiro, a sociedade e a educação brasileiras saíram ganhando com a realização do Enem.

“Saiu ganhando porque, como era o previsto, e nós havíamos dito, a questão do Enem haveria de ter toda seriedade, toda transparência e toda a competência, que é própria dos servidores do MEC, dos Correios e da Policia Federal”, afirmou. O gabarito oficial e os cadernos de questões serão divulgados depois de amanhã (1º) pelo Inep.

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Dória nega ter convidado Leite para coordenar sua campanha, mas…

“Eu não fiz esse convite”

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João Doria negou, em entrevista coletiva nesta segunda, 29, ter convidado Eduardo Leite para ser seu coordenador de campanha.

“Ontem eu li e vi depoimentos, talvez por algum equívoco, de que eu teria convidado Eduardo Leite para ser o coordenador da nossa campanha. Eu não fiz esse convite. Eu convidei o Eduardo a dialogar e ele aceitou…

Doria disse que Leite terá protagonismo na campanha. 

“O papel de Leite na campanha será acertado em conversa após ele retornar dos Estados Unidos. O governador informou que viaja amanhã.”

“Na volta dos Estados Unidos nós estaremos conversando para que ele nossa ter um papel de protagonismo na campanha do PSDB, na nossa campanha, mas não na coordenação. Ele é o coordenador do Rio Grande do Sul. Eu jamais faria esse convite, não porque faltem méritos ao Eduardo, mas ele vota a fazer o seu papel para que foi eleito, que é conduzir os destinos do Rio Grande do Sul e dos gaúchos. Nós precisamos ter um coordenador que fique próximo do candidato. Não é preciso ser paulista, mas é preciso que ele esteja em São Paulo.”

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