CONSCIÊNCIA NEGRA JÁ

“Por ocasião da independência, o Brasil tinha cerca de 4 milhões de habitantes, 50% deles escravos negros. Nos anos 1820 o país recebia 40 mil escravos por ano. Esse comércio rendia milhões para os traficantes, seus intermediários e compradores finais. Uma “peça”, isto é, um escravo pagava seu custo de aquisição numa colheita de café; nos anos seguintes, dava lucro. Não era sem motivo que os empresários exigiam do império a manutenção de um sistema tão rendoso.

Apenas em 1831, “para inglês ver”, o Brasil “proíbe” o tráfico e finge considerar livres os negros desembarcados no país a partir de então. Mas é tudo hipocrisia: o tráfico continua livre, sendo reforçado em 1835 por uma lei que autoriza o açoite e a condenação à morte de escravos que cometam qualquer violência física contra seus senhores ou familiares destes.

Em 1845, indignado com a manutenção do tráfico, o Parlamento inglês autoriza sua Marinha a aprisionar navios negreiros e seu Almirantado a julgar os traficantes como piratas. Pela lei Bill Aberdeen (nome do autor do projeto), os escravos capturados são enviados para as colônias inglesas, onde servem como mão-de-obra barata, recebendo um salário suficiente para sua simples sobrevivência. A abolição inglesa é uma burla, reconhecem diversos estudiosos, pois não é livre quem se submete a trabalhar sem esperança de progredir na vida”.

(Trecho do capítulo A Escravidão na Época dos Farrapos do livro LANCEIROS NEGROS (JÁ Editores, 2015, 2a. ed), esgotado.

livro Lanceiros Negros, dos Jornalistas Geraldo Hasse e Guilherme Kolling, tem como objetivo fazer um inventário mínimo dos temas e das obras que informam sobre a questão dos lanceiros negros.

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