Covid/UFPel: “Responsabilizar só a população não é justo. Medidas precisam ser tomadas com urgência”

Nota técnica do Comitê UFPel-Covid
Evolução da Epidemia em Pelotas
Pelotas, 26 de novembro de 2020

O Comitê UFPel Covid-19 vem por meio de nota técnica ressaltar a necessidade de ação imediata frente à situação atual da pandemia no município de Pelotas.

Em notas anteriores destacou-se a necessidade de manutenção e reforço das ações de vigilância epidemiológica. Destacou-se, também, que a grande maioria da população pelotense ainda era, pelo conhecimento atual, suscetível ao vírus (sem imunidade), o que pode facilitar novos surtos de contaminação.

Reforçou-se, sempre, que a vigilância epidemiológica ativa e com alta capacidade de testagem era a única possibilidade, na ausência de vacina, de conciliar o controle da pandemia com a flexibilização das medidas de distanciamento social.

Entretanto, não basta apenas testar. É fundamental o isolamento por 14 dias de casos e contatos. Para casos e contatos de populações vulneráveis é preciso providenciar adequada proteção social para viabilizar este isolamento. Além disso, casos e contatos devem ser claramente orientados sobre o isolamento e monitorados pelos serviços de saúde e de vigilância. É preciso que os profissionais de saúde priorizem a orientação de isolamento e esta ideia deve também ser difundida nos meios de comunicação.

Com evidente aumento do número de casos no início do mês de novembro, havia dúvidas sobre a faixa etária dos casos novos, bem como se tal aumento era reflexo do aumento da testagem em nível municipal. No entanto, o fato é que com o abrandamento das medidas de distanciamento social, o esgotamento da população quanto ao isolamento social somado à existência de feriados em outubro e novembro e a campanha eleitoral, houve um aumento expressivo de casos novos e de internações em Pelotas.

(Gráfico 1 abaixo apresenta o número de casos por semana epidemiológica e casos novos por dia e o Gráfico 2 apresenta o aumento do número de internações).

No município de Pelotas, tanto a equipe de vigilância quanto os leitos de UTI e enfermaria foram desmobilizados. Os motivos de desmobilização dos leitos de UTI, por exemplo, foram explicados pela gestão municipal em comunicação oficial e justificado, principalmente, pela necessidade de atendimento de outras demandas reprimidas. Assim, mediante a impossibilidade assumida de ampliação dos leitos hospitalares em Pelotas e pelo cenário avançado de expansão do contágio, em que a vigilância epidemiológica não consegue dar conta de testagem e isolamento dos casos e seus contatos por completo, novas medidas restritivas são urgentes.

Responsabilizar apenas a população pelos cuidados não é justo. Medidas precisam ser tomadas com urgência, e a espera de poucos dias, frente ao esgotamento dos leitos no município e região, pode ter consequências irreversíveis. Sabe-se das consequências sociais e econômicas de novas medidas restritivas. No entanto, para evitar esses acontecimentos, outras ações deveriam ter sido tomadas anteriormente.

Mediante à falta de capacidade total de atendimento da população, novamente a prioridade imediata precisa ser a defesa da vida.

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