Não é correto dizer que os 90 mil que não votaram desaprovam Paula

Em nome da lógica…

Leio nas redes que, como Pelotas tem 240 mil eleitores e 90 mil deles se abstiveram de votar (ou votaram branco e nulo), isso seria uma “desaprovação” à candidata vencedora.

É uma leitura apressada.

Os 90 mil + 47.941 pessoas que votaram em Ivan superam a votação de Paula, que recebeu 105.2016 dos votos válidos. Mas…

A maioria dos 90 mil que não votaram (mais de 70 mil se abstiveram) não indica obrigatoriamente uma rejeição à Paula, mas possivelmente o contrário. Se houvesse rejeição, ao menos parte dessas pessoas teriam ido às urnas votar no oponente, apenas para tirá-la do cargo. Isso não ocorreu.

Os que se ausentaram de votar, diga-se, em “ambos os candidatos”, podem tê-lo feito porque avaliaram que a eleição já estava decidida em favor da tucana, devido à enorme votação de Paula no primeiro turno.

Não dá para dizer que são contra Paula; isso se poderia concluir se a votação tivesse sido acirrada, como ocorreu em Porto Alegre. Em Pelotas, com a enorme diferença pró-Paula no primeiro turno, os que se abstiveram podem ter se sentido seguros de que ela venceria.

Não devemos esquecer ainda que quem deixa de votar transfere a responsabilidade para que a maioria decida.

2 thoughts on “Não é correto dizer que os 90 mil que não votaram desaprovam Paula

  1. Sim, não é correto dizer que os 90 mil que não votaram desaprovam Paula, mas também não é correto dizer o contrário. Com base em que? Eu, e muitos que conheço não foram votar porque desaprovam tanto a Paula como o Ivan.

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