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Cultura e diversão

“Era uma vez um sonho”

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Era uma Vez um Sonho adapta o best-seller escrito por J.D. Vance sobre a história de sua vida. Ex-fuzileiro naval e estudante de direito em Yale, J.D. (Gabriel Basso) precisa retornar para a cidade onde nasceu e encarar a complexa dinâmica de sua família e a difícil relação com sua mãe Bev (Amy Adams). Ao mesmo tempo, ele relembra momentos de sua infância e adolescência, principalmente a forte conexão com sua avó (Glenn Close).  

Dirigido por Ron Howard, o filme transforma-se em uma bagunça ao ir e voltar no tempo para mostrar J.D. adolescente (Owen Asztalos) morando com a família no interior, intercalando com a sua versão adulta como um promissor estudante de direito que deseja acompanhar a namorada Usha (Freida Pinto) em Washington em um estágio de verão que ajudará a pagar seus estudos na prestigiada universidade de Yale. Sua volta para casa vem após um telefonema de sua irmã Lindsay (Haley Bennet), que revela o problema de saúde de Bev.  

O fraco roteiro de Vanessa Taylor prefere insistir na jornada individual de um protagonista sem carisma, ignorando qualquer complexidade daquele ambiente familiar. Muito se fala, mas vemos muito pouco de como foram as vidas da mãe e avó de J.D. Para um filme que se apresenta como a história de um homem marcado por essas duas mulheres, é inaceitável o pequeno desenvolvimento de suas personagens. Com isso, o longa apela para o melodrama, ficando visível a falta profundidade na trama.  

Magníficas como sempre, Amy Adams e Glenn Close se destacam ao construírem personagens humanas em todos os seus defeitos. Com 6 e 7 indicações ao Oscar na carreira, respectivamente, as atrizes já deveriam ter vencido há muito tempo, mas é uma pena que aqui suas atuações grandiosas não salvam o filme da mesmice e de um roteiro irregular.  

Forte candidato para o Oscar, e feito exclusivamente para isso, Era uma Vez um Sonho está disponível no Netflix.

Déborah Schmidt é formada em administração.

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Déborah Schmidt é servidora pública formada em Administração/UFPel, amante da sétima arte e da boa música.

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Cultura e diversão

O homem do norte. Por Déborah Schmidt

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O Homem do Norte segue a história de vingança do príncipe Amleth (Alexander Skarsgård) que, quando criança, testemunhou seu pai, o rei Aurvandil War-Raven (Ethan Hawke), ser brutalmente assassinado por seu irmão, Fjölnir The Brotherless (Claes Bang), que ainda sequestrou sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Vinte anos depois ele retorna determinado a salvar sua mãe, vingar seu pai e matar seu tio.

Um dos diretores mais interessantes da atualidade, Robert Eggers se destacou logo com seus primeiros filmes, os excelentes A Bruxa (2015) e O Farol (2019), duas produções de terror aclamadas. Para seu próximo projeto, o cineasta saiu de sua zona de conforto e embarcou em uma trama de ação e aventura, em uma ambiciosa saga viking. O roteiro de Eggers e Sjón é baseado na lenda de Amleth, conhecida como inspiração para a criação da clássica peça Hamlet, de William Shakespeare. O longa explora uma história típica dos nórdicos antigos, acertando no drama familiar e na jornada de vingança.  

Como o protagonista, Alexander Skarsgård demonstra toda sua entrega (física, principalmente) ao viver a versão adulta do guerreiro Amleth. Revelada em A Bruxa, a talentosa Anya Taylor-Joy tem um papel coadjuvante como Olga, mas rouba a cena com seu magnetismo e por estar ligada aos elementos místicos do longa, assim como os personagens de Willem Dafoe e Björk.

Visualmente espetacular, a direção de fotografia de Jarin Blaschke, que trabalhou com Eggers em seus dois filmes anteriores, se destaca pela composição de ambientes naturais. Se tratando de um épico viking, a produção aposta em cenas de lutas com violência e selvageria, e também mostra autenticidade e fidelidade na impressionante recriação do visual e dos costumes vikings.  

O Homem do Norte detalha com perfeição uma saga viking, em uma história de vingança e brutalidade que flerta com o misticismo. Um espetáculo artístico e grandioso.  

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Cultura e diversão

Cuco. Por Vitor Bertini

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No meio do campus universitário, o centro do mundo. No centro do mundo, uma cafeteria.

A cafeteria da faculdade de arquitetura era ponto obrigatório para estudantes de todos os cursos: pela suposta qualidade do café – única que dizia ter grãos de origem, pela temperatura da cerveja, pelas conversas interdisciplinares e, forçado reconhecer, pela beleza das alunas.

– Todas as tribos passam por aqui – explicava Antonela, Antonela Matteo, enquanto apresentava as dependências da escola para uma caloura, filha de amigos da família. Depois, à tardinha, em horário de casa cheia, devidamente instalada com duas colegas em uma das mesas, ainda com a novata à tiracolo, sofisticou o discurso:

– Acolher bem é reconhecer o outro… e a melhor arquitetura faz isto! – Ensinou, elevando o tom de voz e exemplificando, com um giro de queixo empinado, o que queria dizer.

Na mesa ao lado, um grupo de estudantes de geologia misturava cervejas com placas tectônicas. Entre eles, Eduardo. Formando, veterano em ambientes bem mais rústicos, Eduardo ouviu embevecido os conceitos sobre a melhor arquitetura, e se encantou pelo queixo empinado.

Foi o aplauso das amigas aos ensinamentos de Antonela quem deu a deixa que Eduardo precisava: aplaudiu junto, arrastou a cadeira até a mesa das arquitetas e fez uma provocação qualquer sobre estética tempos geológicos.

Um ano de trocas conceituais, cervejas em qualquer temperatura e risadas com aplausos, resultou em uma cerimônia simples, repleta de amigos, na orgulhosa casa reformada – o primeiro projeto de Antonela.

– Somos cosmopolitas e acolhemos o outro – declarou a noiva, toda sorrisos, festejando a presença de todos.

Anos depois, triste, com voz frágil, Antonela repetia a frase:

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– Somos cosmopolitas e devemos acolher o outro – falou, iniciando as tratativas sobre a separação.
– Espero que consigamos levar isto até o fim sem brigar – devolveu Eduardo, olhando para o chão.
– Por favor… – murmurou a esposa, indo buscar dois copos d’água.

Casal de poucas posses e muitas lembranças, as divisões seguiram a harmonia buscada pela arquitetura sob o complacente silêncio de tempos geológicos:

– Fica bem assim pra você? – Perguntou a arquiteta, enxugando uma lágrima, depois da leitura de um detalhado rol de bens e seus respectivos destinos.
– Fica, fica sim – murmurou o geólogo, ainda cabisbaixo. – Você só esqueceu de incluir o relógio da sala. Mas, sem galho, foi mamãe quem nos deu; eu fico com o cuco – ponderou Eduardo.
– Eduardo, o cuco está no nicho projetado especialmente para ele. Sem o cuco, aquele nicho não faz sentido. Não interessa quem nos deu… 
–  O cuco era de mamãe; eu levo o cuco.
– Eduardoo cuco é o centro estético do meu projeto!
– Antonelase é por isso, o cuco marca a porra do tempo geológico da minha mãe– gritou Eduardo, batendo os calcanhares e a porta.

As duas petições de Ação de Divórcio Litigioso foram entregues no Foro da Cidade no mesmo dia, quase na mesma hora.

Para visitar a página de Vitor – AQUI.

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Cultura e diversão

Exposição AGO, de Felipe Caldas, começa dia 5

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O Projeto de Extensão A SALA – Ações de produção e difusão cultural convida para a exposição AGÔ, de Felipe Caldas. Agô, em iorubá, é um pedido de permissão para momentos de entrada, saída, passagem, além de proteção ou perdão, conforme o contexto.

Felipe Caldas pede assim licença para ocupar, de forma simbólica e matérica, o espaço da Galeria A Sala, na exposição que marca o retorno às atividades presenciais após o período de restrições causadas pela pandemia.

Trazendo uma reflexão sobre as condições que nos levam a recorrer às mais variadas crenças (sejam elas religiosas, de ordem política, ou outras) para buscar um refúgio, um alento, uma orientação, a instalação recobre o piso da galeria com mais de meia tonelada de carvão – elemento simbólico de proteção. O artista convoca o público a interagir com esse elemento, ao mesmo tempo em que provoca um questionamento sobre aquilo que acreditamos.

Abertura:

05/05/2022, das 17h às 20h.

Período de visitação:

06/05 à 17/06, de segunda à sexta das 8h às 22h.

Endereço: Galeria A Sala, Centro de Artes UFPel, sala 111 (acesso pela Álvaro Chaves, 65)

Coordenação: Profa. Dra. Laura Cattani

Realização: equipe do projeto de extensão A SALA – Ações de produção e difusão cultural: Barbara Calixto dos Santos, Eduardo Soares Devens, Fernanda Oberg de Miranda, Gabrielli Mourige Barbosa Nazario, Jesiel Rocha Lofhagen, Katiane Letícia Ferreira da Silva e Yuki Ynagaki Escate Zarate, com o apoio de André Gustavo de Campos e Pedro Augusto dos Santos Navarro.

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Foto: Rodrigo Marroni

Projeto Gráfico: Yuki Zarate

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