A covid e um enterro por engano

Este momento da pandemia em Pelotas tem inquietado quem acompanha os fatos mais de perto. Hoje, a impressão é de que Deus terá de nos oferecer uma das mãos.

O caso de uma mulher sepultada por engano nesta sexta (5) soa como um alerta. Enterrada na colônia, precisaram exumá-la para que fosse sepultada uma segunda vez, no local certo, com a família certa.

A Funerária Nossa Senhora Aparecida divulgou nota isentando-se de responsabilidade. O corpo que levou para os serviços foi o que o Hospital liberou, disse. Já o Hospital diz que o equívoco foi de uma funerária.

O São Francisco de Paula não atendia covid. Passou a fazê-lo há pouco, depois que a prefeitura, por falta de leitos de UTI, desistiu de abrigar os pacientes de covid em alguns hospitais apenas e liberou a internação em todos; a lógica de concentrar em alguns hospitais, que buscava evitar um risco de disseminação, se perdeu.

Quando uma pessoa morre de covid, ainda no hospital é embalada e o invólucro recebe uma etiqueta com o motivo da morte. Quando é covid, o velório deve ocorrer com o caixão fechado.

Talvez o ineditismo do atendimento à covid no São Francisco tenha contribuído para a confusão com o corpo. Pode ter ocorrido um problema no despacho dos corpos. Ou foi a funerária que se enganou na hora de encaminhar os corpos para sepultamento. De qualquer forma, é um sinal de que os estados de espírito estão alterados.

Lendo os decretos municipais, a primeira linha diz: “Estado de Calamidade Pública”. A gente é que, por autodefesa, não leva a sério.

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