Paula pode fechar comércio de novo no fim de semana

No começo da noite desta segunda-feira (14), a prefeitura informou que vai reabrir o comércio a partir desta terça (15). Não se sabe ainda o grau das restrições que a prefeita decretará, embora a tendência seja tomar por base a bandeira vermelha, contrariando o governo do estado, que classificou a região em preta – risco altíssimo.

Nesta segunda-feira (14), a prefeitura teve um recurso contra a bandeira preta negado pelo estado. Na avaliação dos indicadores do Plano de Distanciamento do governo Leite, a bandeira da região de Pelotas É PRETA. Ficamos nessa classificação porque, segundo o estado, “tanto a capacidade hospitalar como o contágio por coronavírus alcançaram níveis críticos. Por isso, indica a necessidade de cuidados mais rígidos do que os já adotados na bandeira vermelha“.

Pela lógica, então, a autoridade na região, sobretudo em Pelotas, onde o problema da pandemia é mais grave, deveria endurecer as medidas em relação às que se tinha antes do fechamento do comércio e dos serviços não essenciais nestes últimos quatro dias.

E ACONTECEU MESMO (ABAIXO)

Para tentar a reversão da bandeira, Paula alegou que locara 10 leitos de UTI novos. Os leitos estão em instalação na Santa Casa. Seu argumento não convenceu porque a verdade é que o quadro da pandemia está descontrolado em Pelotas. Sendo assim – e é, como adverte o Piratini – fica difícil entender porque, nesta segunda, a Associação dos Municípios da Zona Sul informou que os 22 prefeitos da região “concordaram” que o comércio volte a abrir nesta terça tomando por base protocolos de bandeira vermelha, menos gravosa que a preta.

O que se supõe, no caso local, é que a prefeita não tenha tido tempo de decidir que protocolos adotará; oficialmente, o resultado dos recursos sai por volta das 18h das segundas. Mas a impressão é de que o decreto que Paula anunciará nesta terça contenha, de fato, medidas restritivas mais próximas da bandeira vermelha, apesar do recurso de reversão da bandeira preta ter sido negado.

Por que ela agiria (rá) assim se o governo do estado diz que o quadro é grave e requer maior rigor nas medidas?

Uma das respostas é que Paula cogita a possibilidade de fazer um novo fechamento do comércio e dos serviços no próximo fim de semana, a exemplo destes últimos quatro dias. Talvez não por quatro dias, mas por menos dias, com menos danos ao comércio, por ser época de Natal. Adotando então uma estratégia de abre e fecha regularmente.

O plano original do estado não previa o direito de os prefeitos entrarem com recursos contra as classificações de bandeiras. Também não previa o regime de cogestão da crise com as prefeituras, em que estas ganham poder para divergir e adotar protocolos sanitários próprios, conforme as peculiaridades municipais da crise.

Em certo momento o governo estadual suspendeu a cogestão. Agora, no mesmo instante em que classificou as regiões de Pelotas e Bagé em bandeira negra – justamente no momento mais sério -, tornou a validar a possibilidade de que as prefeituras adotem protocolos próprios, ressuscitando a cogestão na hora mais complicada. Daí a manifestação da Azonasul pela bandeira vermelha, ainda que sem fundamentos convincentes, em contradição com o risco altíssimo.

Talvez para amenizar o choque desse anacronismo, a prefeita esteja pensando na estratégia do abre e fecha, fechando no próximo fim de semana de novo, ainda que por menos dias, e assim sucessivamente.

As pessoas precisam trabalhar, mas, se há um Plano de Distanciamento, que valha o Plano original, sem brechas. Ou então seria mais lógico cancelá-lo.

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