O CÉU DA MEIA-NOITE

Dirigido, produzido e protagonizado por George Clooney para a Netflix, O Céu da Meia-Noite acompanha um solitário cientista no Ártico, que tenta impedir que uma equipe de astronautas volte para casa em meio a uma misteriosa catástrofe mundial.  

Augustine (George Clooney) é um cientista com uma doença terminal que decidiu permanecer na Terra enquanto a humanidade precisou abandonar o planeta, que se deteriorou a ponto de se tornar inabitável. Após semanas isolado, o protagonista se depara com Iris (Caoilinn Springall), uma criança que foi deixada para trás na base do Ártico. Além disso, ele descobre que a equipe de astronautas liderada pela Comandante Sully (Felicity Jones) deseja retornar, mas não consegue comunicação com a Terra, sem saber que o planeta está deserto.  

Baseado no livro “Good Morning, Midnight” de Lily Brooks-Dalton, o longa é ambientado em um futuro não muito distante e nada otimista. Com o roteiro de Mark L. Smith os núcleos são muitos bem separados para que a solidão de Augustine seja um contraponto à esperança dos tripulantes da nave. Nela, a grávida Sully, preocupada com o retorno para casa, tenta desesperadamente entrar em contato com a Terra, mas sem sucesso. Ao seu lado estão quatro colegas, o Comandante Adewole (David Oyelowo), o cientista Sanchez (Demián Bichir), o Capitão Mitchell (Kyle Chandler) e a novata Maya (Tiffany Boone).  

Em seu sétimo filme como diretor, George Clooney revisita uma temática na qual já atuou duas vezes, no remake de Solaris e em Gravidade. Ao lidar com a solidão e a mortalidade em um cenário apocalíptico, a ficção-científica é ambientada tanto na Terra como no espaço. Porém, é inevitável notar que as duas tramas não se conectam. O longa acerta em cheio no clima solitário de Augustine, que passa seus dias relembrando memórias cruciais de sua vida, e seu laço peculiar com a silenciosa Iris. Enquanto tenta contato com a nave de Sully, o núcleo dos astronautas lida com os contratempos tradicionais de histórias que se passam no espaço.  

Tecnicamente, a belíssima fotografia e os impressionantes efeitos especiais tornam o filme visualmente impecável. Uma qualidade técnica admirável que fortalece ainda mais a direção competente de Clooney, que apenas peca no uso dos flashbacks, muitos sem sentido, e que só ganham significado no último ato.  

O filme não explica exatamente o que aconteceu na Terra e nem quanto tempo se passou até seu colapso definitivo. Aliás, não deixa de ser interessante, pra não dizer assustador, o paralelo da produção com a nossa realidade atual. E, apesar de não mostrar abertamente como toda a tragédia global aconteceu, Clooney transforma seu próprio filme em um recado de que o planeta precisa seguir outro rumo.  

Isolamento e comunicação definem O Céu da Meia-Noite. Um filme poético e melancólico.

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