Connect with us

Brasil e mundo

No caso da UFPel, a caneta presidencial não funcionou

Publicado

on

Esta semana foi marcada por um confronto federal: a reação do deputado Bibo Nunes, do PSL, e o contra-ataque da UFPel, após a nomeação da professora Isabela Andrade para reitora e o anúncio do modelo de gestão que adotará em seu reitorado.

Acompanhe.

Outro professor, Paulo Ferreira Jr., foi o mais votado da lista tríplice, aprovado em dois momentos de votação: maioria na comunidade acadêmica e maioria no Conselho Universitário, o Consun. A votação da comunidade é informal, uma consulta que as federais realizam, por tradição democrática. Já a votação do Consun é a que decide.

Embora possa divergir da consulta, em geral o Consun, seguindo a tradição democrática, respeita a escolha da comunidade acadêmica. Foi assim na mais recente eleição. A votação no Consun: 56 conselheiros votaram em Paulo, seis em Isabela e 2 no professor Eraldo Pinheiro.

Os três (Paulo, Isabela e Eraldo) compuseram a lista tríplice, passo final do processo, uma lista que segue para o presidente da República, da qual ele tem o direito de escolher o que quiser dos três para reitor.

Bolsonaro descartou Paulo, o eleito, e Eraldo, o terceiro. Nomeou Isabela, segunda colocada.

Publicidade

Descartar o primeiro colocado nos processos eleitorais tem sido a opção do PR, que considera as Universidades dominadas pela esquerda. Nem sempre consegue alternativas à direita para escolher. Foi o que ocorreu na UFPel.

Politicamente, o grupo político que dirigiu a Universidade nos últimos quatro anos já estava vitorioso de saída: todos os integrantes da lista tríplice eram (são) do mesmo grupo da Situação. Os três representam a continuidade.

Isabela era a menos “estigmatizada” ideologicamente. Nesse sentido, o presidente, influenciado pelo deputado federal Bibo Nunes, do PSL, fez a melhor escolha possível para ele, a mais coerente com sua lógica. Mas como Isabela é afinada com Paulo, Eraldo (e com o ex-reitor Pedro Hallal), em termos práticos, não adiantou nada. Foi um gesto “emburrado”.

Poderia a UFPel ter celebrado a escolha de Isabela sem protestos, já que faz parte do mesmo grupo político dos demais? Poderia, e há quem acredite que teria sido o mais elegante, em todos os sentidos. Afinal, a vitória do coletivo, no caso, já estava sacramentada desde o começo.

Ocorre que o grupo, incluindo Isabela, estava de acordo desde o princípio que defenderia o respeito à democracia interna das Universidades como um bem superior e sagrado da Instituição. Daí terem anunciado publicamente que aceitavam a nomeação de Isabela (até porque, se não o fizessem, abririam margem legal para que o PR nomeasse um interventor na instituição), mas que ela fará uma gestão compartilhada com o candidato preferido pela comunidade acadêmica e o Conselho, o eleito Paulo.

Na prática, falar em gestão compartilhada é um jogo de palavras, uma expressão de um conceito. Afinal, toda gestão é sempre compartilhada. A rigor, Isabela é a reitora. O fato de ela dizer que vai gerir a UFPel ombro a ombro com Paulo, o eleito, não é ilegal. A principal assinatura nos papéis de gestão será dela, assim como a responsabilidade decorrente.

Falar em gestão compartilhada foi a forma que as lideranças da UFPel encontraram de fazer da Instituição um símbolo de resistência nacional.

Publicidade
No caso da UFPel, a caneta não adiantou

Em entrevista à Globo News sobre a pandemia, na última sexta-feira, Hallal aproveitou para dizer à audiência nacional que era seu último dia na Reitoria e que, a partir dali, a UFPel seria a primeira instituição de ensino federal a ter uma “gestão compartilhada, com dois reitores administrando”. Para ele e o grupo, um exemplo, um símbolo.

O deputado Bibo Nunes não gostou. Como foi ele quem indicou Isabela a Bolsonaro, ficou numa situação constrangedora junto ao presidente.

Bibo gravou um vídeo para protestar. Disse que estava tomando providências contra o anúncio da gestão compartilhada, ameaçando com intervenção, ofendendo pesadamente Hallal e chamando Isabela de panaca.

Em vídeo subsequente postado nas redes sociais, Hallal minimizou o deputado e fez uma revelação: segundo ele, Bibo procurou Isabela semanas atrás, buscando aproximação com ela, atrás de segurança para indicá-la a Bolsonaro para ser a reitora. Pedro disse que Isabela não atendeu o deputado. Que respondeu a ele que teria de consultar os demais componentes da lista tríplice sobre o telefonema, já que eram (são) do mesmo grupo político. A conversa ficou por aí.

Bibo não conseguiu 100% de segurança, mas, como não tinha saída legal, indicou Isabela, na avaliação dele, “a pessoa mais comedida e sensata” (leia-se: menos “marcada” ideologicamente). E, quando saiu a nomeação, o deputado capitalizou-a politicamente, chamando para si a indicação.

Na sequência, Isabela, fiel aos colegas, falou publicamente que, para ela, Paulo deveria ter sido o nomeado, não ela, pois foi ele o mais votado. E que, por pensar assim, administraria com Paulo ao lado em todos os atos administrativos e cerimoniais, até mesmo nas formaturas.

Tivesse nomeado Paulo, o presidente teria poupado constrangimentos. Afinal, quando Bibo diz que a gestão compartilhada é ilegal, leva ao pé da letra uma expressão que não fere a lei nem o bom senso, já que, relembrando, toda gestão é sempre compartilhada e a principal assinatura nos papéis de gestão será – sempre e exclusivamente – de Isabela. Fiel a si mesmo, Bolsonaro preferiu, porém, negar a cadeira ao reitor eleito, embora o efeito prático, pelo exposto até aqui, seja zero.

Formal e legalmente, a responsabilidade principal, o ônus além do bônus, será de Isabela, embora o conjunto das decisões seja coletivo.

Publicidade

Ao gravar o vídeo com ameaça de intervenção, Bibo mordeu uma isca que não precisava ter mordido, inclusive porque a Advocacia-Geral da União já referendou a legalidade do processo conduzido na UFPel. No fim das contas, fez uma tempestade em copo d’água. Provavelmente reagiu com a ameaça para não ficar mal com Bolsonaro, a quem ele próprio indicou Isabela.

Intervenção, no caso da UFPel, seria o gesto menos inteligente que o presidente poderia tomar.

Se estivesse bem informado, Bibo não teria indicado nenhum da lista tríplice, deixando a escolha para o PR. Afinal, era um jogo jogado. Não havia, politicamente, nada a ganhar. Pois fez pior para ele: no estrito dos fatos, perdeu.

Publicidade
2 Comments

2 Comments

  1. clauzer

    17/01/21 at 00:49

    Que situação vergonhosa. Para mim, está aberto o caso de intervenção, uma vez, que a própria Reitora e ex-reitor declaram o modelo compartilhado. Independentemente da lisura, atestada pela AGU quanto a “forma” do processo” o “conteúdo” do mesmo engana a própria comunidade e país naquilo que se espera da instituição e objetivo do pleito. O que se esperar de nossas universidade? De onde deveria vir o exemplo de boas práticas, lisura, desenvolvimento, pensamento liberal e multi-facetado, mais uma vez, temos o exemplo do “Jeitinho” e “Lei de Jerson” para continuar tudo como dantes no quartel de Arbantes. Vergonhoso este capitulo!!!

  2. Ricardo

    15/01/21 at 10:40

    Para o bem da Instituição (UFPEL), a caneta presidencial deveria ter funcionado.

Obrigado por participar. Comentários podem ser rejeitados ou ter a redação moderada. Escreva com civilidade, por favor.

Brasil e mundo

Weintraub sobre Lula: “Esse cara não é desse mundo”

Publicado

on

“O Lula é um encosto para mim. A gente pensa que acabou e ele renasce, vem de novo, não cansa, não para. Esse cara não é deste mundo, ele tem alguma força sobrenatural, não é possível”, disse Weintraub, na quarta-feira 19, em entrevista à Rádio Bandeirantes. “O Lula é meu inimigo”.

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub deseja ser candidato ao governo de São Paulo, mesmo que tenha de enfrentar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

Continue Reading

Brasil e mundo

Instituto Capitalismo Consciente fará webinar sobre “despertar da consciência empresarial gaúcha”

Evento de lançamento da filial do ICCB no Rio Grande do Sul vai abordar os
pilares que sustentam o movimento através de quatro empresas da região

Publicado

on

O Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB) vai lançar a Filial Regional do Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul, por meio do Talk Consciente O Despertar da Consciência Empresarial Gaúcha, que promete abordar os pilares que sustentam o movimento através de quatro empresas gaúchas.

O evento será realizado virtualmente, na próxima quarta-feira (26), de 19h às 20h, pela plataforma Zoom. O trabalho das filiais, na visão do ICCB, é uma necessidade para todos os estados do Brasil com o objetivo de promover a conscientização dentro das empresas, acelerando o processo de transformação.

A ideia é que a presença regionalizada aproxime ainda mais estes empresários brasileiros, criando uma corrente do bem dentro dos negócios. No Rio Grande do Sul, o instituto chega através dos empreendedores Eliane Davila e Solon Stahl.

“Nosso estado é inovador e está se desenvolvendo muito para ser referência em
educação e inovação. Mas o nosso principal desafio é sensibilizar os empresários,
empreendedores e lideranças locais, para que percebam que o Capitalismo Consciente
é uma filosofia sustentável que entende o negócio para além do lucro. Que empresas
apoiadas nos quatro pilares do movimento são mais rentáveis, a longo prazo, e
impactam positivamente a sociedade e o mundo”, diz Eliane Davila.

Para conversar sobre a mudança que o despertar da consciência empresarial pode fazer no Sul e falar sobre os pilares do Capitalismo Consciente, o Instituto convida os
palestrantes Suzane Girondi Culau Merlo, Solon Stapassola Stahl, Soraia Schutel e
Guilherme Massena. O evento ainda terá mediação de Eliane Davila, colíder da Filial
Regional do Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul.

Para se inscrever neste evento, basta preencher um formulário disponível no site:
https://landingpage.ccbrasil.cc/lp-inscricao-talk-consciente-rio-grande-do-sul-26-01-2022-19h00

Os convidados:

Publicidade

Suzane Girondi Culau Merlo – Advogada e empresária fundadora da Capim na Pele.
Mestre em Direito Ambiental. Conselheira e Coordenadora da Filial Regional do
Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul. Embaixadora do Instituto Capitalismo
Consciente Brasil e Certified Conscious Business Change Agent.

Solon Stapassola Stahl – Diretor Executivo da Sicredi Pioneira. Administrador de
Empresas. Embaixador do Capitalismo Consciente. Colíder da Filial Regional do
Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul.

Soraia Schutel – Empreendedora e Cofundadora da Sonata Brasil. Doutora em
Administração. Conselheira da Filial Regional do Capitalismo Consciente no Rio Grande
do Sul.

Guilherme Massena – Cofundador da Dobra. Bacharel em Administração. Gestão da
Inovação e Liderança. Conselheiro da Filial Regional do Capitalismo Consciente no Rio
Grande do Sul.

Eliane Davila (mediadora) – Mentora de Carreiras e de Negócios Conscientes. Doutora
em Processos e Manifestações Culturais. Colíder da Filial Regional do Capitalismo
Consciente no Rio Grande do Sul e embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente

Sobre o Instituto Capitalismo Consciente Brasil

Fundado em 2013, o Instituto Capitalismo Consciente Brasil incentiva, inspira e ajuda
empreendedores e líderes a aplicarem os princípios do capitalismo consciente em suas
organizações. Com o intuito de ajudar a transformar o jeito de fazer investimentos e negócios no Brasil, para reduzir a desigualdade, o Instituto realiza programas de conscientização, inspiração e educação. Em 2020 a instituição alcançou a marca de 200 corporações associadas, e o número de associados pessoa-física ultrapassou a marca de 2 mil pessoas.

Site: https://www.ccbrasil.cc/

Publicidade

Continue Reading

Brasil e mundo

Dona Olinda, mãe de Bolsonaro, morre em São Paulo

Publicado

on

A mãe do presidente Jair Bolsonaro, Olinda Bonturi Bolsonaro, morreu na madrugada de hoje (21). Ela estava com 94 anos e morava em Eldorado, no interior de São Paulo.

O presidente, que está em viagem internacional ao Suriname e à Guiana, informou o falecimento da mãe em suas redes sociais.

“Com pesar, o passamento da minha querida mãe. Que Deus a acolha em sua infinita bondade. Neste momento, me preparo para retornar ao Brasil”.

Em postagem no Twitter, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que estava orando pelo presidente e sua família.

“Orando agora pelo nosso presidente e a família. Dona Olinda Bolsonaro, a mãe que ele tanto amou e honrou, foi para o céu. Que Deus console toda a família. O senhor foi um filho extraordinário, presidente. Força, Michelle! Força, meninos! Descanse em paz dona Olinda!”.

Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) apresentou condolências pelo falecimento de dona Olinda. A Secom “une-se à toda a equipe de governo e aos brasileiros em condolências e orações pelo falecimento da senhora Olinda Bonturi Bolsonaro, mãe do presidente Jair Bolsonaro. Que Nosso Senhor acolha a alma de dona Olinda e ampare o senhor presidente da República e demais familiares”.

Quem também se manifestou pelas redes sociais foi o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. “Registramos nosso sentimento de pesar ao presidente Jair Bolsonaro e familiares pelo falecimento da sra. Olinda Bonturi Bolsonaro, após uma vida longa e feliz. Um exemplo a ser seguido por sua força e coragem”, postou Queiroga em conta no Twitter.

Publicidade

Continue Reading



Publicidade
Publicidade
Publicidade

Em alta