O espantalho presidencial

Nos momentos em que se sente desconfortável, Bolsonaro apela ao discurso ideológico. Hoje ironizou Maduro, por ter oferecido oxigênio a Manaus.

“Ele tem 200 quilos, taí o motivo do coração grande”, disse.

De uma pessoa de coração se esperaria um “muito obrigado, apesar de tudo”, ainda mais sendo cristã. Eu me pergunto se o PR consegue se ver refletido nos espelhos.

Há motivos para criticar Maduro. Mas que o façam pelos motivos certos. Do contrário, vira um apelo aos instintos irracionais, destinado a uma plateia de fanáticos, sem pensamento.

A impressão é de que o PR recorre à retórica ideológica quando, ameaçado pela realidade, se sente nu e teme perder a conexão com seus seguidores. O viés da retórica parece ser o segredo. Quanto mais absurdo, melhor a eficácia do teste de fidelidade.

Talvez não por acaso volte a fazê-lo no dia em que nova pesquisa da XP mostra uma queda na avaliação positiva do governo.

Quando as circunstâncias ameaçam a vida, porém, a retórica contra um espantalho, o mesmo boneco de sempre, enfraquece como um eco que diminui a cada repetição. É o que a própria pesquisa pode indicar.

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