Um pit-stop não faria mal

Nesta terça-feira, o jurista Miguel Reale Jr. questionou a sanidade do presidente. Tem experiência no ramo, autoridade. Foi autor do pedido de impeachment de Dilma, que acabou afastada.

Reale defende que o Ministério Público requeira um exame para saber se o PR é “tecnicamente louco”. Diz ainda que este acumula crimes que justificariam a abertura de um processo de impeachment.

“As buscas no Google sobre o impeachment do PR aumentaram 1.400% na última semana”, diz a revista Época.

Há um evidente conflito em andamento, acentuado pelas posições contraditórias do PR, que joga com os humores da população e atiça uma polarização que não serve ao País. Isso em meio a uma pandemia que matou mais de 210 mil brasileiros, pessoas sufocadas por falta de oxigênio, como ocorre em outras cidades além de Manaus.

Ontem, em Coari, no Amazonas, uma família de sete pessoas morreu sem respirar. Em Faro e Nova Maracanã, no Pará, respectivamente, seis morreram sem oxigênio e 34 pacientes lutam pela vida em estado grave.

Bolsonaro vem reagindo aos pedidos de afastamento e às cobranças da imprensa, erguendo outro velho espantalho além do conhecido “açular o ódio à esquerda”, logo a esquerda, coitada, que anda mais por baixo que as barrigas das cobras. Falar que “as Forças Armadas, das quais ele é o comandante maior, são quem decidem se um país vive em ditadura ou democracia” não resolve a nossa vida.

Mourão sempre ameniza as palavras do presidente, dizendo que as FA estão ao lado da Constituição e da democracia. Mas como há muitos militares de alta patente no governo, além dele e Pazuello, suas palavras não convencem totalmente.

Contribui para o mal-estar um agravo incomum: em geral, governantes escolhem alguém da equipe para fazer o papel de sua “face má”. Bolsonaro, não. Ele mesmo é a face má, enquanto Mourão é o bombeiro. Essa inversão basta para confundir ainda mais e deixar todo mundo inseguro.

O PR poderia pôr a mão na cabeça e fazer um pronunciamento propondo um realinhamento, um recomeço, explicando didaticamente as diretrizes para os próximos dois anos. Seria um gesto de grandeza, bom para ele e todos. Afinal, Deus não está acima de tudo?

Talvez considere que tenha chegado a um ponto em que seja tarde para voltar. Talvez pense que, se mudar de atitude, aí sim vão achar que é louco. Assim, restaria seguir em frente na mesma batida. Chegará a um bom lugar?

Por ora, seria gratificante que ao menos explicasse como fará para comprar as vacinas. Precisamos de pelo menos 300 milhões de doses.

O Brasil tem seis milhões do Butantan e quatro milhões por receber. As demais vacinas dependem de insumos da China ou de virem prontas da Índia, fornecimento que o governo não vem conseguindo rápido, por admissão tardia do problema.

Um pit-stop não faria mal.

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