Autobiografia de Woody Allen

Woody Allen é o pessimista mais engraçado que conheço.

O truque dele, parecido com o de Chaplin, é nos fazer rir das coisas tristes da vida, e nos enternecer. Ateu como o colega, para Woody a vida não tem sentido. Nem por isso fica chorando pelos cantos.

Na autobiografia, recém-lançada, ele diz que, jovem, se apaixonou por mágica. Estudou ilusionismo e se tornou mágico amador. Pois no cinema ele foi isso: um mágico. Daquele tipo que provoca admiração quando a cartola do coelho emperra e o coelho não sai.

A autobiografia está disponível no Amazon/Kindle. E é excelente, muito bem escrita e divertida. Além de apaixonado por mágica, ele diz que, desde muito cedo, se apaixonou pelo jazz e pelos filmes.

“A realidade é para quem não consegue coisa melhor”, diz um de seus personagens. Na verdade, quem diz isso é ele mesmo.

“Com qual dos meus personagens mais me identifico? Com Cecília, de ‘A Rosa Púrpura do Cairo’. Ela, que vivia no cinema, um dia abandona a realidade e entra, através da tela, em um filme, para viver na ficção”.

Cecília, em A Rosa Púrpura do Cairo

Concordo com os críticos que consideram “Crimes e Pecados” seu melhor filme. Neste trabalho, a impressão é de que diz tudo sobre a vida. Depois dele, não precisava ter feito mais nada. Mas Woody ama o trabalho de ficção e segue fazendo um filme por ano. É feliz assim.

Bom para ele que assim seja, e bom para nós, que o admiramos, e a quem devemos, com as coisas que diz, por nos fazer sentir menos sós.

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