Foco e sabedoria

Montserrat Martins *

No Ano Novo eu fazia listas de prioridades para o ano: um novo curso, uma atividade social, um esporte, uma viagem, coisas assim. Cheguei a ter listas com 10 atividades, depois limitei a 7, teve ano que coloquei 5, ou 3, esse ano vou ter um só foco, retomar a Academia.

A experiência mostra que nada funciona sem foco, quando eu listava 10 coisas, era difícil me concentrar e fazer tudo direito, por isso fui reduzindo as listas. Evidente que você não precisa fazer listas para as coisas acontecerem, o único objetivo é ajudar você a se concentrar em algo, pensar em muitas coisas é dispersivo.

Pessoas realizadoras não precisam nem se programar, vão fazendo as coisas naturalmente.

Tem quem pensa duas vezes antes de fazer, tem quem faz duas vezes antes de pensar. Cada um com seus problemas, rs.

Foco ajuda quando algo é realmente importante. Os times de futebol costumam perder quando pensam “no campeonato” em vez de “focar” no próximo jogo, nas características do adversário, quais perigos oferece, quais seus pontos fracos. Os desafios da vida são assim, dificuldades e oportunidades para nós.

Eu continuo tendo interesse em cursos, viagens, atividades sociais, mas no momento a saúde é o mais importante e a academia é fundamental. Pode ser que eu consiga alguns objetivos que desejo para o ano, mas não vou abrir mão dos exercícios, vou me cobrar disso mais que qualquer outra coisa.

Assim como são as pessoas, são os governos. O de Israel, país que valoriza ciência, focou na vacinação, é hoje o país que mais vacinou seus idosos e outros grupos prioritários. Enquanto isso, o Brasil ficou discutindo ideologias, polêmicas sobre medicamentos, e não focou em encomendar as vacinas, que agora estão em falta nas cidades, não chegamos ainda nem até as pessoas com 80 anos de idade, recém vacinamos as de 85 anos, na maioria do país.

“Quem não sabe o que quer, não reconhece quando encontra”, diz um sábio ditado. Ao invés de providenciarmos vacinas, ficamos falando bobagens sobre elas, botando defeitos, dizendo coisas vergonhosas como a de que os países desenvolvidos seriam “cobaias” para nós. Como se os países mais evoluídos não soubessem o que estavam fazendo, como se não tivessem uma noção mais clara da ciência. 

Escolher um bom foco também depende de sabedoria: somos um povo simples, mas nos falta humildade em aprender com quem sabe mais.

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Montserrat Martins é médico psiquiatra.

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