Leite presidente do Brasil?

Quando Eduardo Leite era só um ex-prefeito, escrevi um artigo com o título: “Leite presidente do Brasil”. É claro que a maioria dos leitores riu e debochou. A coisa mais simpática que me disseram foi: “Este cara (eu) precisa de umas sessões de eletrochoque no Hospital Espírita”.

Deixe-me explicar. De vez em quando, por falta de coisa melhor, jornalistas arriscam palpites. É um macete da profissão. Um lance para preencher um vazio momentâneo. Não há nada a perder. Como Leite é um garoto e a possibilidade presidencial para ele ainda é incerta, se a previsão se revelar errada, ninguém mais se lembrará se não acontecer (um ou outro chato, vá lá, poderá dar o ar de sua graça para te desmoralizar, mas não muitos). Já se um dia o palpite cravar na mosca, alguém poderá ver no palpiteiro um visionário das galáxias, e, claro, sendo os humanos como são, ninguém aparecerá para te parabenizar pelos teus olhos de lince.

O macete é um pouco como nas locuções de futebol. Antes da cobrança de uma falta perto da grande área, o narrador, buscando mobilizar a audiência, arrisca: “Dali, meu caro Rodolfo Fernandes, é meio gol… Eu diria que está com cara de gol inteiro…”. Aí a bola fura a rede e ele fatura a previsão. Já se a bola não entra, mesmo que passe a 10 metros da goleira, a menção ao “meio gol” terá servido como um salvo conduto. No meu caso, apostei num gol a partir de uma falta a ser cobrada antes do meio campo. Por que apostei alto? Não sei. Talvez explique o prognóstico o fato de que, quando criança, em visita a zoológicos, eu sempre tinha uma queda pelas zebras, assim como prestava atenção nos jacarés de papo amarelo. Neles e nos bugios.

Então veio a campanha para o governo do estado e EL se mostrou capaz de convencer a maioria dos eleitores gaúchos de que era o cara que ia tirar a bunda da cadeira, depois de sentar nela, óbvio, e foi mais longe: passou a dormir e a acordar no Palácio Piratini, tomar o café da manhã, almoçar e jantar. Agora, depois de apoiar o capitão em 2018, anda sonhando em ver Bolsonaro ao telefone contratando o caminhão de mudança do Alvorada, para que ele o ocupe como um “redentor dos conflitos”, seu novo mote.

Para mim é indiferente acertar ou não um chute, ainda mais de três anos atrás. Como disse, tudo não passou de uma brincadeira numa hora sem ter o que fazer. Nunca tive bola de cristal; até a última radiografia, os exames revelaram que minha anatomia pélvica era normal. Mas, quando EL se elegeu governador, foi impossível não cogitar uma visita ao radiologista, para uma observação mais acurada das radiografias.

1 thought on “Leite presidente do Brasil?

  1. Bom dia. Apenas uma questionamento em relação ao que disse o nosso governador, de percorrer o Brasil em campanha. Com o dinheiro de quem o mesmo fará tais viagens ???

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