E DEUS CRIOU A MULHER…

Em meio translúcido, de temperatura agradável e mergulhado em um líquido acolhedor, o pequeno ser desfrutava de momentos de indescritível tranquilidade. Um corpo pequeno, frágil, mas com um potencial de vida que, explorado na sua plenitude durante o resto de sua vida, poderia ser parte da solução de harmonização do planeta.

Brigitte Bardot no filme E Deus criou a mulher, de Roger Vadim

Este frágil ser movimentava-se em câmara lenta, mais parecia uma dança em ritmo de profunda harmonia com os movimentos do universo que o circundava. Quando começava a se sentir intranquilo uma mão cheia de afeto e de amor incondicional suavemente deslizava por sobre as paredes que o protegia. Muitas vezes ouvia sons agradáveis que o deixava calmo e até sonolento. Outros momentos vozes e ruídos mais fortes o deixavam irritado, desperto e angustiado, mas imediatamente aquela voz melodiosa o fazia retornar ao estado de alegria total.

Cada dia que passava, embora estivesse bem acomodado, aumentava sua expectativa sobre o seu destino. Algum dia deveria sair daquele lugar acolhedor e se lançar em uma aventura no mundo externo, que só conhecia pelos seus efeitos indiretos, mas que podia muito bem perceber.
Alimentando-se daquele corpo que o transportava, aquele pequeno ser cresceu. O ambiente espaçoso dos primeiros tempos já não parecia tão adequado às suas dimensões iniciais e originais. Precisava sair. Precisava nascer!

Pressionado por esta necessidade e obedecendo a seu instinto, inteligência inata impressa em seu DNA, começa a percorrer o caminho de saída. Percebe pelo seu próprio sofrimento o sofrimento do outro ser para que seu destino possa ser cumprido.

Entre gemidos de dor de ambos e vozes preocupadas de desconhecidos, mas que pareciam estar ajudando naquela caminhada, foi lentamente entrando em um novo mundo, mais complexo, mais agressivo, mas com muita luz e muitas oportunidades.

Esta criança ao nascer estava cumprindo com a magia da maternidade. O corpo da mãe a havia gestado dando-lhe alimento, calor, tranquilidade e amor, muito amor.

Esta mesma mãe estava proporcionando ver a luz pela primeira vez e ainda, pelo mesmo amor, iluminaria o seu caminho para que aquela criança pudesse ir de encontro ao seu destino de forma digna e cidadã.

Mãe e mulher, indissociáveis, formam a dualidade perfeita, pois em seu corpo, por obra do amor, forma-se um outro ser que terá que render homenagens permanentemente à mulher que o abrigou em seu ventre, deu-lhe o primeiro alimento, fez os primeiros gestos de amor e o entregou puro à sociedade.

Por isto tudo Deus fez a mulher depois do homem, pois necessitou aperfeiçoar sua criação, entregando a continuidade de seu trabalho à mulher.

Então, Ele descansou…

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