As Mil e Uma Noites

Um livro passou anos me esperando na estante. As Mil e Uma Noites, uma coletânea de contos das arábias. Logo ficamos sabendo algo fundamental: quem conta as histórias é uma mulher. Igualmente, e até mais fundamental, é o motivo pelo qual o faz.

Resumindo, um sultão (rei), traído pela mulher, decide que nunca mais será humilhado. Casar, ele continuaria, mas “não para ser traído”. A resolução dele: na manhã seguinte à noite de núpcias, as esposas devem ser mortas. Assim, começa a matança.

As mulheres do reino não querem se casar com o sultão, mas ele as exige. Ordena ao grão-vizir (equivalente a primeiro ministro nas democracias) que traga uma mulher a cada vez para casar e, no dia seguinte, que as mate. A matança se estende e o terror se espalha.

Para surpresa e pavor do grão-vizir, uma de suas filhas, Sherazade, suplica ao pai que a leve para casar com o rei. O pai repele a ideia de oferecer a filha ao sultão e ter de matá-la em seguida. Mas ela insiste, alegando que aquele feminicídio precisa parar.

Sherazade tem muita imaginação e fantasia.

É então que ela se casa e, na noite de núpcias, pouco antes que amanheça, começa a contar uma história ao rei e não a termina naquela noite, alegando que “já vai amanhecer, que o rei tem compromissos”, e prometendo concluí-la na noite seguinte, se o rei concordar. Como o sultão fica curioso, concorda em adiar a morte da mulher para o dia seguinte; quer ouvi-la terminar a história.

Na segunda noite, Sherazade termina de contar a primeira história, emenda-a em outra, não a conclui pelo mesmo motivo (dia raiando, compromissos oficiais do sultão) e este, ainda mais curioso, adia a morte de mulher em mais um dia. E assim ocorre sucessivamente. Ela sobrevive pessoalmente e salva as demais mulheres.

O punitivo rei, ao poupar Sherazade, se reencontra com seus sentimentos, por obra justamente de uma mulher, um ser que ele considera vil, mas a que sucumbe, aparentemente, sem perceber.

As histórias que Sherazade conta para escapar da morte compõem o livro.

É muito interessante.

Sherazade e o sultão

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