Pandemia: Nosso comportamento como povo

Comentando sobre os motivos de sermos tão indisciplinados quanto povo diante da pandemia, Fernando Gabeira me deixou intrigado.

Registrou ele:

“Jorge Luis Borges dizia que os argentinos são indivíduos e não cidadãos. Pensei comigo: os brasileiros também têm essa tendência. E lembrei-me do livro do Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil. É um livro escrito há quase 80 anos, em 1943, mas ainda apresenta muitas chaves de interpretação do Brasil. Buarque afirma que o traço singular dos colonizadores espanhóis e portugueses é a valorização da autonomia do indivíduo diante dos outros e que a independência pessoal, o não precisar da comunidade, é considerada um valor.”

No começo fiquei intrigado. Pensei que aquela afirmação (a prevalência do indivíduo) fosse um valor dos EUA (We, The People), não brasileiro.

“Só se for no sentido do egoísmo”, concluí.

Troquei impressões com um amigo. Ele comentou:

“É nesse sentido que ele (Gabeira) fala, de egoísmo. Temos dificuldade de viver em sociedade. Isso a gente vê nos condomínios de edifício, nos partidos políticos… Os pioneiros americanos chegavam no oeste e elegiam entre eles um xerife. Os partidos americanos… compara com os nossos… Aqui é um manda no partido e o resto obedece. Não temos prática democrática nem pra administrar um condomínio. Nos EUA, a persuasão é um direito. O indivíduo lá pode falar e tentar persuadir com racionalidade os demais. Os outros vão falar também e no fim cada um terá um voto. Aqui no Brasil a gente gosta é de panela, em tudo, nas mínimas coisas. A gente tem uma tendência a fechar com os outros. A gente fecha uma panela, essa panela pode tudo, e brigamos com outras panelas”.

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