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Cultura & diversão

Oscar: ‘Meu Pai’. Por Déborah Schmidt

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No final de semana do Oscar, apresento um dos melhores filmes presentes na premiação. Com 6 indicações, Meu Pai acompanha Anthony (Anthony Hopkins), um idoso que já passou por diversas cuidadoras e recusa auxílio, enquanto sua filha Anne (Olivia Colman) tenta se ajustar às vontades de seu pai e criar um cenário reconfortante antes de se mudar para Paris.

O diretor, roteirista e dramaturgo francês Florian Zeller estreia no cinema adaptando sua própria peça de teatro e transforma o espectador no maior aliado de seu protagonista. Para isso, o diretor utiliza os mais variados recursos artísticos, construindo um trabalho ao mesmo tempo comovente e poético. Através de conversas repetidas e confusas, alterando detalhes no cenário ou nos próprios personagens, o longa explora o ponto de vista de Anthony, que sofre com os problemas da velhice, como a demência.  

Ambientado inteiramente dentro de um apartamento que, por vezes, é o de Anthony e, às vezes, de Anne, e personagens diferentes que aparecem e somem sem grandes explicações, o filme vai intensificando cada vez mais a confusão mental do protagonista, deixando o espectador desconfortável e vulnerável cena após cena, até o seu arrebatador final. Propositalmente confuso, o roteiro escrito por Zeller e Christopher Hampton (vencedor do Oscar por Ligações Perigosas) é espetacular ao se unir com a edição certeira de Yorgos Lamprinos, que corta a sensação de tempo linear. Estamos perdidos, assim como Anthony, em um mar de informações que não faz sentido. Vivemos a experiência e sentimos na pele o que o protagonista está sentindo.  

Com atuações magníficas de Anthony Hopkins e Olivia Colman, Meu Pai mostra, com delicadeza, uma visão devastadora da demência. Uma obra-prima emocionante!

    Déborah Schmidt é servidora pública formada em Administração/UFPel, amante da sétima arte e da boa música.

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    Cultura & diversão

    Parada da diversidade no Guarany: em tese, Johns Waynes são proibidos

    O release diz que participarão (sic) “drag queens, atores, bailarinos, cantores, rappers etc”

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    A prefeitura organizou a parada da diversidade sexual deste ano com um conceito hollywoodiano. “Red carpet”, diz o release. Tapete vermelho do Oscar.

    Como se os participantes fossem receber estatuetas por desempenhos no cinema.

    O percurso deste ano será curto: da porta do Teatro Guarany para dentro dele.

    O release diz que participarão “drag queens, atores, bailarinos, cantores, rappers etc”.

    “Johns Waynes”, em tese, são proibidos na parada da diversidade.

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    Cultura & diversão

    A CURVA DO RIO. Por Vitor Bertini

    Olá. Hoje é uma sexta-feira de um texto mais longo, de um ano interminável e de esperanças infinitas. Força na peruca! Entre uma correnteza, uma página, um gole e um bj, boa leitura e bom fim de semana

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    Olá. Hoje é uma sexta-feira de um texto mais longo, de um ano interminável e de esperanças infinitas. Força na peruca! Entre uma correnteza, uma página, um gole e um bj, boa leitura e bom fim de semana.

    CURVA DO RIO

    Carlinhos trabalha na cidade, mas não mora na cidade.

    Carlinhos gosta de pescar na curva do rio que corre nos fundos de sua casa, atrás dos eucaliptos, do outro lado das pedras, e de onde, sentado, avista o pontilhão de madeira. 

    Atravessando o pontilhão, moram os que não trabalham na cidade.

    Carlinhos pesca com caniço de linha e rolha, anzol pequeno e iscas de minhoca. Vai pescar sozinho, em silêncio. Antigamente, levava um radinho de pilha; hoje, leva uma térmica com café preto e um pedaço de bolo em sua velha mochila do exército.

    – O segredo é a concentração na rolha. Focando nela você não perde a fisgada e esquece os problemas. – Ensina, mesmo quando o assunto não é pescaria.

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    Suas idas ao rio não tem rotina. Dependem do sol, da lua, do vento, do seu humor, do clima em casa ou dos aborrecimentos da vida. Às vezes, do bolo.

    Certo fim de tarde, no horário das sombras compridas, por alguma das razões ruins, lá se foi Carlinhos de caniço e mochila. Naquele dia, apesar dos ensinamentos, não havia rolha que prendesse o olho do pescador. 

    E foi assim, olhando sem ver, que ele acompanhou uma mãe e seu bebê de colo caminhando devagar na estrada do velho pontilhão. Vinham da direção do sol vermelho. Quando a silhueta de contornos escuros parou no meio da ponte e levantou os braços, a correnteza fez silêncio e Carlinhos prendeu a respiração. 

    Depois, o mergulho e o desespero para conseguir enxergar o bebê naquela água escura e fria. 

    Criança em uma mão, calça atrapalhando os movimentos, respiração encurtando, um braço que remava, até que os pés, finalmente, encontraram pé – um pouco adiante da curva, quase embaixo do pontilhão.

    O alívio com o choro da criança só não foi maior do que o espanto de ver a mãe, rosto molhado, de pé, na margem, braços abertos, esperando o filho. Um segundo de hesitação, nenhuma palavra trocada, um olhar mais demorado e lá se foram, mãe e filho. Agora, quase correndo.

    Carlinhos não contou nada para ninguém e começou a ir pescar, no mesmo horário, todos os dias. Voltava ao local do espanto, procurando respostas. Esqueceu a rolha, não levava café, e não tirava os olhos da estrada e do pontilhão. Nenhum peixe, e nenhum sinal da mãe e seu bebê.

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    Foi no fim do quinto dia, quando Carlinhos já pensava em ir embora, que a lenta aproximação de uma viatura da polícia trouxe, junto com uma descarga de adrenalina, a certeza de problemas. 

    Estacionou a dez passos do pescador que fingia olhar fixo para o rio. Desligou o motor; não desligou as luzes vermelhas que giravam sem parar. Uma eternidade depois, quase simultaneamente, o barulho de duas portas abrindo e fechando. Carlinhos transpirava.

    – Esta mochila é sua? – Perguntou o primeiro policial.

    A resposta foi uma cabeça acenando que sim, enquanto via o outro policial retirar uma camiseta, um emaranhado de fios de nylon e uma gaita de boca enferrujada de dentro da mochila. Silêncio.

    – Você pesca sempre por aqui?

    – Hum, hum.

    – Pegou algum peixe hoje?

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    – Não, hoje tá ruim – balbuciou Carlinhos.

    – Veio ontem?

    – Hum, hum.

    – Antes de ontem?

    – Acho que faz uma semana que venho todos os dias.

    – Sei… – devolveu o segundo policial, fazendo novo silêncio.

    – Algum problema? – Perguntou o dono da mochila, juntando, sacudindo e guardando o que estava espalhado.

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    – Não temos certeza. Você viu alguma coisa estranha ou fora do comum acontecer por aqui nestes dias?

    – Não, acho que não – respondeu Carlinhos, sacudindo a cabeça e baixando o olhar.

    – Mulher? Alguma namorada pescando com você?

    – Sou casado – disse entre dentes, começando a enrolar a linha no caniço.

    – Estranho. Um mulher, a dona Cenira, foi lá no posto e contou uma história diferente. Disse que não aguentava mais um monte de coisa na vida, estava desesperada, não sabia o que fazer, e jogou o filho no rio. Aqui, desta ponte velha. Neste horário. Mais, disse que um homem, na descrição parecido com você, salvou a criança. Mergulhou, nadou e tudo o mais. Depois, entregou a criança para a própria dona Cenira. Ela disse que o homem salvou a criança e ela. Disse que ela precisava contar para alguém, por isso foi lá. Depois, foi embora. Nem BO quis fazer.

    – Você conhece a dona Cenira? Ou uma tal de Cenira? – Perguntou o segundo policial.

    – Não sabia que era esse o nome dela.

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    – Quer dizer, então, que foi você? E você não achou nada estranho nisso? Não acha que esta história está mal contada?

    – Foi isso que aconteceu. Não sei porque ela fez isso. – Respondeu Carlinhos olhando, pela primeira vez, nos olhos dos policiais.

    – Ok, ficamos assim… Mas, atenção, abre o olho. Sabemos onde você pesca… Mas, também sabemos onde você mora. – Finalizaram os policiais, falando ao mesmo tempo, pelas janelas da viatura já em movimento. Alguns metros depois, desligaram as luzes vermelhas.

    Carlinhos continuou a ir lá na curva do rio. Só não conseguia jogar a linha na água.

    Assim foi, até o dia em que o vento da tardinha trouxe, outra vez, Cenira e seu bebê. Carlinhos, quase sem respirar, era só um par de olhos fixos. Ela veio pela estrada, entrou na ponte, parou no meio do caminho, olhou para a margem, deu um beijo no filho e abanou.

    Carlinhos enxugou os olhos, serviu uma caneca de café, pegou um pedaço de bolo, jogou a linha na água, e focou na rolha.

    ***

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    VITOR BERTINI

    Porto Alegre, Praça Pinheiro Machado, a esquina do Lombas, Engenheiro Eletricista, Bacharel em Administração, empreendedor, dirigente público em mais governos do que deveria, filhos, São Paulo, Boston, futebol, consultorias, participações institucionais, Amsterdam, Shanghai, café, Brasília, testemunha da extinção dos dinossauros e a decisão de escrever.
    Contar histórias é consequência disto tudo.

    Visite a ´página de Vitor: A história da Sexta.

    Vitor Bertini aceitou colaborar com o Amigos.

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    Cultura & diversão

    Covid: prefeitura se manifesta sobre Carnaval em Pelotas

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    Amigos perguntou à prefeitura sobre a possibilidade de ocorrência de Carnaval na cidade em 2022. Veja a resposta:

    “Ainda não há um posicionamento do Município quanto à realização do Carnaval em Pelotas no ano de 2022, pois isso depende principalmente do momento da pandemia que a cidade estará vivendo.

    O número de casos e internações influencia diretamente na adoção de medidas de controle e prevenção ao coronavírus, por isso é preciso aguardar, assim como as recomendações também são baseadas nos protocolos exigidos pelas autoridades sanitárias, conforme a situação.

    A Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap) pretende realizar o Carnaval fora de época no próximo ano, mas isso também depende do quadro da pandemia no município.”

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