Nomadland, o vencedor do Oscar. Por Déborah Schmidt

Grande vencedor do Oscar com três estatuetas (melhor filme, direção e atriz), Nomadland acompanha Fern (Frances McDormand), uma viúva de 60 anos que, após perder tudo na Grande Recessão de 2008, embarca em um trailer para uma viagem pelo oeste americano, vivendo como uma nômade. Entre empregos temporários e contratempos, ela faz amigos e descobertas pelo caminho.  

Em uma mistura de filme e documentário, a diretora Chloé Zhao inspirou seu roteiro no livro “Nomadland: Sobrevivendo aos Estados Unidos no século XXI”, de Jessica Bruder, que conta histórias reais, mas a protagonista foi inteiramente criada por Zhao. É um retrato fiel e honesto de uma parcela da população norte-americana que enfrenta dificuldades diariamente, como o frio e a pobreza.  

A narrativa segue Fern viajando por diversos lugares e arrumando empregos temporários, como empacotadora da Amazon, garçonete, zeladora, entre outros. O filme é um road movie onde a jornada não tem fim, e isso nem importa, pois a proposta é explorar o estilo de vida dos nômades, que a protagonista faz questão de salientar: “Não sou sem-teto, sou sem-casa”. Com longas cenas de Fern caminhando por acampamentos no deserto, o longa apresenta um ritmo lento, o que pode acabar desagradando alguns espectadores. Porém, o resultado é uma imersão completa, onde alguns buscam aventuras e outros simplesmente não tem opção, mas, juntos, formam uma comunidade que merece ser ouvida.  

Conquistando, merecidamente, o terceiro Oscar de sua carreira, a sempre magnífica Frances McDormand entrega uma performance poderosa e ao mesmo tempo vulnerável. Em uma jornada de aceitação e superação, testemunhamos seu olhar diante de diferentes cenários naturais em seu caminho.

Em seu terceiro longa-metragem, Chloé Zhao se destacou com Domando o Destino (2017) e chamou a atenção da Marvel, que a contratou para o aguardado Os Eternos, previsto para estrear em novembro deste ano. Nascida na China, a cineasta costuma utilizar pessoas reais para ilustrar suas culturas e costumes, e em Nomadland não é diferente. Com exceção de McDormand e David Strathairn, vemos ótimas atuações de verdadeiros nômades que aparecem no filme, como Linda May, Swankie e Bob Wells. Outro destaque do filme vai para a belíssima fotografia, que apresenta momentos contemplativos e planos abertos que mostram que a conexão com a natureza é um fator importantíssimo para estas pessoas.  

Como uma ode à liberdade, Nomadland debate o capitalismo em uma obra humana e sensível.

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