Mensagens de Dominghetti dão a entender que Bolsonaro participou de negociação de vacina

Em mensagens apreendidas pela CPI da Covid e divulgadas pelo portal O Antagonista, o policial militar Luiz Paulo Dominguetti dá a entender que o presidente Jair Bolsonaro participou das negociações para compra das vacinas da Astrazeneca oferecidas pela Davati Medical Supply. As mensagens foram localizadas no celular do PM, apreendido pela CPI.

Dominghetti, representante da empresa, diz ter recebido do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, que foi demitido após a revelação. Ele conversou com um contato identificado em seu celular como “Rafael Compra Deskartpak”.

Para o contato, ele enviou a seguinte mensagem: “Manda o SGS. Urgente. O Bolsonaro está pedindo. Agora”. “SGS” é um certificado que garante que o produto passou por todas as etapas dos processos exigidos por órgãos reguladores. 

A mensagem não foi escrita por ele; foi reencaminhada. Integrantes da CPI suspeitam que o autor dessas mensagens enviadas a Dominghetti e reencaminhadas a “Rafael Compra Deskartpak” seja o reverendo Amilton Gomes de Paula, que será ouvido pela comissão no Senado.

“Rafael Compra Deskartpak” respondeu: “Dominghetti, agora são 5 da manhã no Texas [sede da Davati nos Estados Unidos]. E outra! Jamais será enviado uma SGS sem contrato assinado.” E o policial respondeu: “vamo alinhar com reverendo.”

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Dominghetti também pressionou “Rafael” para que fosse realizada uma reunião com o presidente da Davati nos Estados Unidos, Herman Cárdenas, e que “o Presidente chamou ele lá”.

“O presidente tá apertando o reverendo”

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“O reverendo está em uma situação difícil neste momento. Ofereceu a vacina no ministério. Presidente chamou ele lá”, escreveu o policial militar. “O presidente tá apertando o reverendo. Ele ta ganhando tempo. Tem um pessoal da presidência lá para buscar o reverendo.” O reverendo, que iria depor na quarta-feira, 14, à CPI da Covid, apresentou atestado e disse que não poderá ir.

“A gente prometeu que ia mandar essa SGS e depois ele assinariam a FCO [fluxo de caixa operacional]. E já mandaram e-mail desde manhã. Se a gente já tivesse falado essa tratativa mais cedo, a gente já tinha alinhado com o presidente ou alguma coisa nesse sentido. Na cabeça do reverendo, a carga é dele, a declaração foi dele, os emails foram trocados com ele e ele está diretamente com o presidente da República, né?. A situação dele é uma situação difícil, porque já mandaram ele lá. Estão ligando direto do gabinete da presidência, né? O Herman deve ter a sensibilidade de fazer as coisas fluir com ele. Porque a gente deixar nessa situação aí de ‘ah, só mando se mandar uma coisa assinada’ é complicado”, disse Dominghetti em áudio.

“Porque as tratativas foram diferentes, ontem foram diferentes, agora cedo diferente e agora que o presidente manda buscar ele lá, vai se mudar. A gente tem que achar uma maneira de se resolver isso nos próximos minutos aí, com o Herman ou por o Herman pra conversar com ele, porque essa SGS é o que vai fazer o presidente tomar essa decisão. Porque até agora a Davati não falou que tem carga nenhuma. E a situação do reverendo tá muito difícil nesse momento”, continuou.

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