Dona Maricota – Semipresencial na CPI/COVID. Por Neiff Satte Alam

Há dois anos, em razão de uma explosão de seu celular, Dona Maricota transita pelo mundo virtual. Fenômeno estranho e totalmente inexplicável e contrariando todas as leis da física, que conhecemos.

Dona Maricota tem se intrometido em assuntos da maior importância e em ambientes que lhe permite avançar em conhecimentos que jamais imaginou ter, como é o caso de ler uma infinidade de assuntos, de forma totalmente virtual – tanto ela quanto os temas que absorvia com muita velocidade.

Esta é uma pequena introdução para quem não conhece as histórias da Dona Maricota (transcritas no Site Amigos de Pelotas, sob as denominações: O Recomeço; a triste história de Dona Maricota; Dona Maricota, o Retorno; Dona Maricota, um papagaio de pirata virtual; Dona Maricota e a invasão da Biblioteca).

Bem, lendo e vivenciando virtualmente as inúmeras sessões da CPI da COVID19, no Senado da República, não entendendo muito bem os caminhos dos argumentos e das narrativas e a fantástica bagunça gerada por questionamentos e interações de duvidosa complexidade, resolveu interagir de forma semipresencial. Quando me falou que iria agir, levei medo, pois Maricota não tem freios!

Não deu outra, lá estava sentada a Dona Maricota, com seu vestido simples, colorido, pois imensas margaridas apareciam de cima a baixo, seu coque tradicional e com pequenos óculos de aros redondos, que quase não cobriam seus grandes e curiosos olhos, cujo olhar parecia ver a alma dos pobres Senadores, que, surpresos, indagavam quem era aquela mulher.

Aí, nesta brecha deixada pela surpresa, apresentou-se: Vim de um mundo que vocês não conhecem, mas que me ensinou muito: sou a síntese entre o conhecimento e a curiosidade; entre o que pergunta e o que responde; sou a oratória do povo contra a escutatória dos parlamentares, pois hoje o parlamentar não vai falar, mas escutar; vim de um mundo virtual, logo ninguém poderá me prender ou confiscar meu celular; conheço tudo da Santa Inquisição, portanto não me submeterei aos abusos de autoridade, que eventualmente ocorrem neste ambiente; circulei por lugares e tempos, que sequer podem imaginar, pois o mundo virtual é não linear, como seus cérebros deveriam ser.

Se não escutarem, serei obrigada a entrar nos celulares, tablets, computadores e quaisquer outros equipamentos, pois é o meio em que circulo com enorme facilidade.

Neste momento, tentei me comunicar com a Dona Maricota, pois queria impedir a continuidade de suas manifestações, mas esta pediu que não interferisse, seu desabafo era necessário! Calei-me, então. Quem sou eu para me meter com as ações da Dona Maricota. Ela continuou…

Tenho ouvido perguntas mal formuladas e com a nítida intenção de induzir uma determinada resposta e não obter respostas adequadas ao propósito desta CPI, que é saber a verdade dos fatos. Ao mais comum dos mortais, este procedimento revela que o questionador não sabe perguntar, pois não permite ao inquirido dizer o que sabe, talvez devessem consultar os Professores, especialistas em perguntar, como se questiona alguém; percebi que as perguntas (a maioria, pelo menos) não são respondidas, pois não se permite que quem é questionado o faça; também percebi que a investigação está sendo feita no sentido errado, pois se escolhe alguém como boi de piranha e tenta colocar-lhe culpa e fazem de tudo, do sofisma barato à pressão psicológica, para encaixar a culpa na vítima de ocasião.
Senhoras Senadoras e senhores Senadores, obrigado por me ouvirem, mesmo que “na marra”, mas, mais adiante virei de novo.

Neste momento, todos os celulares dos Senadores registraram a fala da Dona Maricota e sua foto ficou registrada – soube-se, depois, que nenhum técnico conseguiu removê-la dos celulares. Foi uma saída de cena impressionante , pois simplesmente saiu do modo presencial e retornou a seu mundo virtual… mas o recado estava dado!

Neiff Satte Alam é professor Universitário Aposentado – UFPEL Biólogo e Especialista em Informática na Educação

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