Cinema: Viúva Negra. Por Déborah Schmidt

Após inúmeros adiamentos devido à pandemia, finalmente podemos assistir a um dos lançamentos mais aguardados do ano: Viúva Negra. Apresentada nos cinemas em Homem de Ferro 2, Natasha Romanoff se tornou, em onze anos, um dos personagens mais importantes da Marvel, e seu filme solo surge justamente após seu sacrifício em Vingadores: Ultimato.  

Lançado tanto nos cinemas como na Disney+, Viúva Negra é o primeiro filme da fase quatro do Universo Cinematográfico Marvel, e mostra Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) confrontando partes de sua história quando surge uma conspiração perigosa ligada ao seu passado. A protagonista terá que lidar com sua antiga vida de espiã, e também reencontrar membros de sua família que deixou para trás antes de se tornar parte dos Vingadores.  

Situado entre Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita, vemos Natasha sozinha após o rompimento entre os Vingadores. Com a divisão do grupo causada pelo Acordo de Sokovia, ela é procurada pelo governo dos EUA, e ao retomar alguns contatos do passado, entra no radar do Treinador, vilão que está em busca de algo muito importante para Dreykov (Ray Winstone), o criador da Sala Vermelha e responsável pelo treinamento das viúvas negras.  

Começamos com a pré-adolescência da protagonista, vivendo com os pais e a irmã mais nova em uma casa no subúrbio de Ohio, nos Estados Unidos. Em poucos minutos do filme, o flashback termina e somos transportados para 21 anos no futuro, no período em que o restante da história se passa. Não acompanhamos os treinamentos na Sala Vermelha e nenhuma das cenas que vimos nos flashbacks da personagem em Vingadores: Era de Ultron. Infelizmente, os detalhes da vida de Natasha como espiã antes da S.H.I.E.L.D. continuam sendo um mistério. É claro que o público já possui informações suficientes para preencher as lacunas de sua história, porém, fez falta mostra-los. Pelo menos o longa relata o que realmente aconteceu entre ela e o Gavião Arqueiro em Budapeste.  

Dirigido pela australiana Cate Shortland, à medida que descobrimos sobre o treinamento das viúvas negras, é possível fazer um paralelo com o abuso contra as mulheres. Manipulação e tortura psicológica fazem parte do processo que transforma jovens meninas em soldados prontos para a guerra, ao custo de suas liberdades física e mental. A proposta de retornar ao passado de Natasha e explorar seus traumas faz com que a personagem vá atrás da libertação de outras mulheres que passaram por uma experiência igual a sua. Como sua última missão, a ideia é que a Viúva Negra saia de cena com o sentimento de missão cumprida. O que é feito com maestria.  

No elenco de apoio, os ótimos David Harbour, Rachel Weisz e Florence Pugh interpretam, respectivamente, Alexei, Melina e Yelena Belova, a “família” de Natasha. Enquanto David Harbour rouba a cena como o Guardião Vermelho e Rachel Weisz vive figura materna imperfeita, a carismática Florence Pugh é o grande destaque do filme. Somando-se à boa química com Scarlett Johansson, de quem recebe o bastão como Viúva Negra, Yelena dá à atriz a chance de conquistar um espaço no MCU.  

Entregando um espetáculo visual com cenas de ação de tirar o fôlego, a produção não brinca em serviço na hora de mostrar aquilo que a Marvel faz de melhor. Nesse sentido, vale destacar também a presença do vilão Treinador, cuja identidade só é revelada no final. Clássico vilão dos quadrinhos, ele é conhecido por imitar habilidades de outros lutadores, incorporando o estilo de luta de alguns Vingadores, como Capitão América e Pantera Negra.  

Viúva Negra dá à Scarlett Johansson uma despedida digna da jornada de sua personagem e ainda deixa em aberto a continuação de seu legado.

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