Existencialismo na ordem do dia

O atual momento no Brasil (talvez não só aqui) faz a gente lembrar de Heidegger, Sartre e Camus – do Existencialismo, filosofia que vê o homem como um ser lançado num mundo sem sentido, absurdo.

Para um existencialista, a vida é hostil, estranha, solitária, e as pessoas, nela, inadequadas.

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Segundo Pedro Menezes, professor de Filosofia, mestre em Ciências da Educação:

A base da proposta existencialista é analisar o ser humano em seu todo e não dividido em aspectos internos (sua mente, cognição e sentimentos) e externos (seu corpo, comportamento e ações). Embora tenhamos semelhanças com outros seres e alguns objetos, a consciência que temos das nossas ações e do mundo ao nosso redor é peculiar.

Não poderíamos, assim, tentar entender o ser humano do mesmo modo que compreendemos os demais seres e objetos do mundo. A existência não é algo que se possa meramente classificar ou mensurar, pois é um desdobramento ou acontecimento que não se deixa compreender a não ser sendo um indivíduo.

Encontramo-nos numa situação na qual o que somos não está predeterminado, mas é antes resultado das nossas ações. Coloca-se em questão, assim, o propósito do ser humano em um mundo que não é como deseja ou tenha escolhido.

Essa situação, que consiste geralmente na percepção de uma limitação, é o que gera o sentimento de ansiedade. As ações passam a ser entendidas como resultados unicamente de escolhas e não como reações ou reflexos das situações nas quais alguém se encontra.

A autenticidade é uma noção que encontra reflexos e semelhanças em todos os pensadores da linha existencialista. Ser autêntico seria não se deixar meramente submeter aos valores de uma sociedade e assumir um lugar na dinâmica social. O cotidiano pode ser uma fuga da nossa responsabilidade ao fazermos apenas o que é esperado de nós ou o que nos é solicitado, sem refletirmos seriamente sobre a própria existência.

Camus e Sartre

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