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Cultura & entretenimento

CAMINHOS DA MEMÓRIA. Por Déborah Schmidt

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Nick Bannister (Hugh Jackman) é um investigador particular da mente que ajuda seus clientes a acessar memórias perdidas. Quando a cantora Mae (Rebecca Ferguson) busca seus serviços, os dois acabam se apaixonando até que ela desaparece sem deixar vestígios, deixando o protagonista obcecado em encontrá-la.  

O longa é ambientado em uma Miami distópica e devastada pelo aquecimento global, uma vez que as marés subiram e alagaram boa parte da cidade e as pessoas trocaram o dia pela noite por causa do calor. Dirigido e roteirizado por Lisa Joy, criadora, produtora e roteirista da série Westworld, a produção é construída através de um universo noir futurista, repleto de referências a grandes filmes do gênero, como A Origem e Blade Runner.  

Assim que Mae desaparece, Nick cria um vínculo de dependência com o resgate das memórias. Todos os dias, ele revive suas lembranças a fim de encontrar pistas de seu paradeiro. Aliás, é justamente neste momento que o filme perde seu brilho. O que inicia como uma obra potencialmente profunda e complexa se transforma em uma trama de investigação regular. São tantos elementos presentes na narrativa, como a nostalgia e o caos político e social de Miami, que é surpreendente que a diretora não tenha desenvolvido nenhum destes temas com a devida atenção. Com isso, a impressão que temos é que o filme está sempre caminhando para uma grande revelação ou mudança de ritmo, o que nunca acontece.  

Apesar de simples, o roteiro peca em sua própria construção, transformando a trajetória de Nick em um longo e doloroso processo de desmitificação do poder da memória. Várias vezes durante a história, o protagonista fala sobre como as pessoas se prendem às memórias e como o passado pode assombrar alguém. Ou ainda, como o passado pode ser viciante e que a nostalgia se tornou o único caminho possível, visto que não há muito que esperar do futuro.  

Misterioso, visualmente deslumbrante e com um ótimo elenco, Caminhos da Memória é a estreia promissora, porém abaixo da expectativa, de Lisa Joy na direção de um longa-metragem.  

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Cultura & entretenimento

O filme mais insano da carreira de James Wan: Maligno

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Madison (Annabelle Wallis) passa a ter sonhos aterrorizantes de pessoas sendo brutalmente assassinadas. Ela acaba descobrindo que, na verdade, são visões de crimes enquanto acontecem. Aos poucos, ela percebe que esses assassinatos estão conectados a uma entidade do seu passado chamada Gabriel. Para impedir a criatura, Madison precisará investigar de onde ela surgiu e enfrentar seus traumas de infância.

James Wan é, sem dúvidas, um dos cineastas de terror mais importantes dessa geração. Responsável por iniciar franquias como Jogos Mortais e Invocação do Mal, Wan sempre inova em seus projetos.

Até mesmo os maiores clichês do gênero são reinventados e executados com perfeição em sua filmografia. Aqui, o diretor mantém suas características e homenageia subgêneros como o slasher e o Giallo, de Dario Argento. Há, ainda, referências ao cinema trash e aos filmes de horror japoneses. Por mais que a produção tenha os seus defeitos, a jornada está repleta de sequências de tirar o fôlego.

Maligno é o tipo de filme que, quanto menos soubermos, melhor. O roteiro de Akela Cooper, com uma história de James Wan e Ingrid Bisu, explora uma trama cheia de reviravoltas que deixam o espectador angustiado com o que está acontecendo com a protagonista.

Através de um thriller investigativo sombrio e repleto de nuances sobrenaturais, a jornada de Madison começa logo após um grave incidente. A partir daí, um intrigante quebra-cabeça é apresentado e nada parece fazer muito sentido. Enquanto isso, mortes violentas vão se acumulando ao redor de Madison. Aliás, a revelação do mistério apresenta-se como um dos mais chocantes e surreais plot twists do ano.

Visualmente impressionante, o filme tem uma estética própria, com uma paleta de cores vibrante, onde o vermelho do sangue e o preto da escuridão se contrastam criando uma atmosfera assustadora. Também se destacam sequências ousadas e filmadas de forma magistral, em cenas de ação brilhantemente coreografadas.  

Maligno é o filme mais insano da carreira de James Wan, e deve agradar não apenas os fãs do gênero. Um filme de terror cheio de reviravoltas e que consolida James Wan como um dos grandes contadores de histórias de terror em Hollywood.

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Brasil & Mundo

Encantado e desencantado

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Encantado ganhou destaque nacional em tempos de pandemia, com a construção do Cristo Protetor que havia iniciado em 2019 mas seguiu a pleno em 2020 e 21. A primeira necessidade humana é sobreviver, a segunda é ser feliz, e essa iniciativa atende a ambos instintos.

Numa crise de saúde e empregos, muitas pessoas se apegam a fé. Já as pessoas em condições melhores buscam outras necessidades, como lazer e turismo, que essa bela construção também proporciona.

A história é interessante, foram terras doadas por três famílias para a Prefeitura de Encantado com a finalidade específica de construir a estátua do Cristo, mas o poder público não gastou nada na construção, custeada pela própria sociedade da cidade, organizada na Associação Amigos do Cristo (AAC), recebendo doações de pessoas, empresas e entidades, para um orçamento de mais de 2 milhões de reais. Será a maior estátua de Cristo no Brasil, quase 5 metros mais alta que o Cristo Redentor.

A obra vai atrair turistas para o Vale do Taquari, tendo como atrativo um elevador que leva a uma linda vista panorâmica da região, e já é um sucesso midiático, com brincadeiras do Prefeito do Rio de Janeiro no twitter e até do jornal inglês The Sun, de que a iniciativa vai “ofuscar” o Cristo Redentor. Para a inauguração, prevista para o final de 2021, além do Prefeito do Rio será convidado também o Papa Francisco.

As necessidades humanas vão além das mais básicas como emprego, saúde e educação, fé e lazer também são importantes para a saúde emocional. A pessoa pessimista, trancada em casa, acuada pela pandemia, entra em sofrimento, ansiedade, depressão. E os ambientes cujo atrativo é a natureza, as paisagens, são os mais saudáveis, até porque não envolvem aglomerações, são passeios ao ar livre.

Estamos todos encantados com Encantado, justificando seu nome. Mas desencantados com Porto Alegre, onde o potencial turístico do Guaíba até hoje recebeu apenas a “nova Orla” mas nada que atraia turistas, tal como a linha turística que o Aeromóvel propôs do Gasômetro até o Pontal, não liberada ainda, que sequer geraria gastos públicos, seria custeada por investidores.

Porto Alegre tem morro à beira do Guaíba mas não tem teleférico, como Camboriú, outro exemplo de turismo. Resulta que os milhões de turistas que vão a Gramado (que já chegou a ser de 8 milhões de pessoas por ano) sequer param em Porto Alegre, apenas desembarcam do avião na capital, Agora nem mais isso, pois a TAM anuncia um voo direto entre São Paulo e Caxias do Sul, tirando Porto Alegre definitivamente do mapa turístico.

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Cultura & entretenimento

Ao meu amigo Monquelat

Monquelat retirava toda a maquiagem e revelava a face nua de Pelotas

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Não tive cabeça de comentar antes a morte do Adão Monquelat, o livreiro que não se contentava em vender livros; que pesquisava vorazmente a história de Pelotas, com evidente amor pelo ofício e pela sua terra; e que escrevia livros históricos sobre a cidade, sem fazer concessões aos maquiadores de plantão.

Monquelat contava a história sem enfeitá-la, sem deixar de ver o lado B, a Pelotas dos excluídos. Amava o ser humano, a alma do povo, desprezava as imposturas e os fricotes burgueses que, em Pelotas, provincianamente, sempre foram mascarados por autores deslumbrados, sem apreço pelos fatos.

Monquelat retirava toda a maquiagem e revelava a face nua de Pelotas.

Pessoalmente, sentirei falta da profunda humanidade, do jeito gaiato brincalhão, cúmplice, cheio de amor, daquele jeito de corrigir a gente, olhando por cima das lentes do óculos, como que para nos confrontar, olho no olho, com a vida sem disfarces, como ela é.

Vai em paz, amigo. Obrigado pela tua amizade. Saudades!

Monquelat

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