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Nesta quinta-feira (28), às 19h, o Museu Diários do Isolamento (MuDI), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), abrirá ao público a exposição “Bordando Memórias: Doces Linhas na pandemia”, uma parceria com o projeto de extensão Bordados e Memórias no Museu do Doce – Grupo Doce Linhas.

A exposição tem como mote as atividades do grupo de bordadeiras “Doces Linhas” como forma de superar o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19.

O grupo de bordadeiras “Doces Linhas” teve início no ano de 2017, a partir de uma disciplina sobre o bordado oferecida pela Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI), projeto de extensão da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PREC/UFPel). A disciplina intitulada “Bordaduras – a vida bordada” transformou-se em um projeto de extensão realizado no Museu do Doce, e passou a chamar-se “Doces Linhas: Bordados no Museu do Doce”. Esse projeto reúne um grupo de mulheres, que uma vez por semana se encontravam no Museu para desenvolver os seus trabalhos de bordado. Com a pandemia, os encontros deixaram de ser presenciais, mas o grupo continuou a se encontrar de forma virtual e encontrou nessa atividade uma forma de superar o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19.

Na exposição o público vai conhecer o histórico do grupo, as pessoas que o compõem e as ações de solidariedade desenvolvidas antes e durante a pandemia. O acesso será pelo site do MuDI.

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OLITA. Por Vitor Bertini

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– A senhora me dá licença?

Sentada junto à janela, instalada como quem sabe que vai até o fim da linha, Olita puxou para o colo a sacola de loja que estava entre suas pernas, aproximou-se da lataria do ônibus, murmurou alguma concordância, olhou para baixo e lembrou do tempo em que não ocupava, sem querer, quase dois assentos.

Reacomodada, suspirou fundo, apertou a sacola junto ao peito, sentiu o trabalho do dia e o mormaço da tarde pesando nos olhos e, embalada pelo sacolejar da viagem, dormiu sentada.

Dormiu e sonhou. Em seu sonho ela tinha o tamanho do colo de seu Vôswaldo. Era nele que a menina buscava refúgio da cena e dos sons que a assombravam quando o sapo vinha – “é só um sonho ruim, Lita; só um sonho ruim”, repetia o avô enquanto acolhia a neta.

No pesadelo, um sapo abocanhava a cabeça de um passarinho e, por isto, era morto a pauladas. Apanhava até morrer. Morriam os dois. Acordada, chorando, acarinhada pelo avô, a menina Lita dizia que quando fechava os olhos ainda ouvia o barulho do pau batendo nas costas do sapo. Não queria mais dormir.

– Lita, a vida é assim. Com o tempo, é você quem vai assustar os sapos – dizia o avô.

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Na troca de companhia de banco, Olita, involuntariamente cutucada, entreabre os olhos. Acorda apenas o suficiente para, com a visão embaçada, ver uma menina ao seu lado e pensar que Juanita, sua única filha com o falecido Carlinhos, devia estar a caminho de casa, após a escola. Voltando a dormitar, sorriu.

Assim seguiu a viagem, entre solavancos, lembranças e sonhos, até que um discurso gritado acordou a passageira:

– Pessoal! Pessoal, estou com um defeito no carro. Estragou. Fim da jornada. Por favor, aguardem o próximo veículo – a passagem será liberada!

Ainda zonza, mão firme na sacola, Olita abriu espaço na fila que se formava no corredor e desceu os degraus só pensando nos problemas que o atraso lhe causaria: tinha que lavar a louça de ontem, fazer o jantar de hoje e preparar o almoço de amanhã – Juanita haveria de ter varrido a casa. Além das tarefas, o capítulo da novela que não podia perder.  

Decidida a ser uma das primeiras a embarcar na baldeação, a dona da sacola toma a dianteira do grupo de passageiros em direção ao ponto mais próximo, e se surpreende na frente da Paróquia de São Benedito.

A pressa de ir para casa colidiu com a esperança de um pouco de serenidade. Fragilizada pelos tempos difíceis que atravessava com Sérgio, seu ex-companheiro que voltara a beber e a procurá-la, Olita decide entrar na igreja. Precisava falar com Deus.

As orações, o silêncio reparador, a contrição: tudo contribuiu para que Olita sentisse a alma leve e se deixasse ficar.

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Depois, serena, foi para o ponto de embarque, sem importar-se com o fato de pagar um novo ticket.

O restante do percurso pareceu mais rápido e agradável do que nunca. Até os trezentos metros de chão batido do fim da linha até sua casa pareceram curtos e, quem diria, capazes de refletir os primeiros raios de luar.

A situação só mudou depois que a alma leve que carregava uma sacola dobrou a única curva cheia de eucaliptos e avistou, estacionada na frente de sua casa, a caminhonete – velha e agora batida, que pertencia a Sérgio. 

Seus passos acompanharam a aceleração de seus batimentos cardíacos até virarem uma corrida. Ao lado da porta entreaberta, encostada na parede, estava a vassoura que a mãe da Juanita pegou sem pensar.

Debruçado sobre o colo desnudo da então enteada, Sérgio começou a apanhar até quebrar o cabo da vassoura com que Olita, em silêncio, lágrimas lavando o rosto, batia e batia. Batia como batia roupa antigamente; batia ouvindo o barulho nas costas do maldito sapo de seus pesadelos. Bateu com o que restou do cabo da vassoura até que Sérgio, cambaleando, conseguiu fugir, dirigindo sua caminhonete.

Depois, chamou a filha, enxugaram suas lágrimas e foram, de mãos dadas, assistir o fim da novela.

Na manhã seguinte, indo para o trabalho, Olita desceu bem antes de seu destino final, atravessou a rua e entrou na Igreja de São Benedito. Ela precisava falar com Deus.

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Visite a ´página de Vitor: A história da Sexta.

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Confissões de um cadáver adiado, novo romance, em gestação, de Luiz Carlos Freitas

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O escritor e jornalista Luiz Carlos Freitas está produzindo um novo romance: Confissões de um cadáver adiado. Abaixo, um trecho do livro e outras informações sobre o autor e seu trabalho. Material fornecido pela Fábrica de literatura.

***

“Mal havia completado 15, matei meu pai. Velei o corpo e a culpa durante quatro décadas, sepultei ambos no dia em que finalizei 55 anos. O peso se tornara insustentável perante o diagnóstico de câncer recorrente no estômago, primário ou secundário no pâncreas, no baço, necrose safada no fígado, recebido do médico de fala mansa, excessivamente franco, brutalmente impiedoso, inapelavelmente direto. E reto. Resignado, pereci no ato, aceitei a única herança paterna, entranhada nas células, me repassada por vingança daquele filho da puta, responsável por me trazer ao mundo sem consentimento prévio, artífice dos meus desgostos, cicatrizes e deformações, semeador em campo fértil à germinação de flores do mal, similares às de Baudelaire. À brotação da ambiguidade de crime e castigo, semelhante ao mergulho aos confins da alma humana experimentado por Dostoiévski – filho outro da paternidade irrefletida, geradora de gente bizarra, não raro perigosa, se não a si, decerto à sociedade. A revelação crua, endurecida pela insensibilidade fortalecida com o sangue, o desalento e a aflição dos sentenciados à morte, me pegou no contrapé, me abateu, pipoquei, tremi, temi o pior, na mente desfilou parada de dores e horrores.”

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Da Fábrica de literatura:

O trecho inicial do “Confissões de um cadáver adiado”, em gestação na “fábrica de literatura” do jornalista e escritor pelotense Luiz Carlos Freitas, é para os fortes, destinado aos que apreciam obras profundas, sombrias – um estudo da alma, aos moldes dos autores russos, notadamente Dostoiévski. O título foi “pinçado” de um poema de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, mestre em reduzir o homem a sua verdadeira dimensão.

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“O livro é uma autoficção, na qual me desnudo, revelo períodos da infância, da adolescência e da idade adulta, com ênfase na superação de grave enfermidade enfrentada e superada em 2011 e 2012”, Freitas esclarece, acrescentando que o título remete às dificuldades, dores e horrores enfrentados pela espécie humana, sem deixar de acreditar na redenção da humanidade.

Luiz Carlos Freitas

Enquanto trabalha no novo livro, Freitas faz contatos e recebe propostas. Assinou contrato com a editora portuguesa Ases da Literatura, por exemplo, cedendo os direitos autorais do romance “MoriMundo”, originalmente editado em 2011 pela Editora Livraria Mundial. A nova versão da obra foi publicada em meados de novembro, com lançamento internacional.

“Entendo que, depois de publicado, o livro é dono de si mesmo e não temos mais ascendência sobre ele. Devemos deixá-lo seguir o seu caminho e chegar ao destino final – o leitor – esteja onde estiver, no Brasil, em Portugal, em Angola, na Índia, num condomínio de luxo ou numa casa de periferia. O importante é que deixe marcas e auxilie no aperfeiçoamento da sociedade, na busca da tolerância, da solidariedade, da fraternidade e da igualdade”.

Responsável pela coluna política “Entrelinhas”, publicada durante sete anos no Diário Popular, desde o início do ano Freitas passou a se dedicar exclusivamente à literatura e anuncia para 2022 a publicação do livro “Homo Perturbatus” na França (publicado em 2018 e lançado na Bienal Internacional do Livro de São Paulo naquele ano). Segundo ele, a obra está em fase de tradução, na editora, em Paris, com lançamento previsto para o segundo semestre do ano que vem. “Essa é a expectativa, embora tudo esteja se movendo devagar em função da Covid-19 – e não é para menos, diante da tragédia que se abateu sobre o mundo. Sem deixar de lamentar as vidas perdidas e fazendo a nossa parte, temos de ser otimistas, acreditar que a epidemia será controlada, remetendo a civilização a um novo ciclo, menos materialista e individualista, conforme  defendo no livro ‘Homo Perturbatus’.”

“MoriMundo” está à venda na Livraria Mundial (Pelotas). E mais:

LOJAS AMERICANAS

SHOPTIME

ESTANTE VIRTUAL

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MERCADO LIVRE

AMAZON (EBOOK E LIVRO FÍSICO

Também podem ser encontrado na Amazon em Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália, EUA e França. 

***

Trecho do MoriMundo:

“Tanto no Paraíso quanto no Limbo, sobretudo no Inferno, passarinhos de asas coloridas e cantos melodiosos já não existiam, exceto pardais, pombas e urubus, mas esses não contam. Não cantam. Arrulham, piam, crocitam. E a plumagem deles era escura, às vezes cinza, marrom ou bege, geralmente preta. Tanto no Paraíso quanto no Limbo, sobretudo no Inferno, não se via borboletas esvoaçando, abelhas zumbindo e cigarras cantando. Tampouco grilos estrilando, vaga-lumes iluminando, rãs coaxando. Os ratos e baratas, aranhas e morcegos, estes sim subsistiram, predadores que são. Não sobrou quase nada, tanto no Paraíso quanto no Limbo, sobretudo no inferno. Raras árvores, rios e lagos, gramados e jardins. Tudo era cinza, triste e monótono. E o calor, torturante. Insuportável! Durante o dia, envolta por névoa espessa, a cidade fervia, espumava, presa em si mesma, manietada pelo aço, o cimento e o vidro. Tanto no Paraíso quanto no Limbo, sobretudo no Inferno, desfilavam multidões suarentas, tensas e caladas, como se formigas entontecidas. À noite, o frio dominava e a paisagem mudava. Praticamente desertas, as ruas se transformavam em território de sombras furtivas, apressadas e silenciosas. A metrópole se autodevorara, sucumbira à superpopulação, à degradação e à poluição, exceto no Paraíso, onde se tentava recomeçar um novo ciclo, marcado pela exclusão, elitizado, apesar de fadado ao fracasso, pois um dia também seria tragado pelo redemoinho do tempo, pelas hostes indignadas e ensandecidas.”

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Trecho do Homo Perturbatus:

“Trajano equilibrou-se entre dois mundos por anos e anos sem conta. Tornou-se exemplo vivo do maniqueísmo que grassa em sucessivas civilizações, desde que inventaram Deus. Do ponto de vista externo, era o Mal encarnado, alguém que negava a existência dos deuses: Deus-Todo-Poderoso; Deus-Money; Deus-Consumo; Deus-Cinismo: Deus-Intolerante; Deus-Ignorante e uma infinidade de divindades idolatradas e respeitadas, cujos preceitos são seguidos ovinamente pela maioria, com fortuitas e meritórias exceções. Do ponto de vista pessoal, fruto de personalidade diferente e ainda imaculada, por conta, segundo os outros, de anomalia – “um castigo” – inata, Trajano acreditava piamente, com a devoção e a convicção de beato inveterado, ser exemplo raro de uma classe humana em extinção, a exemplo do que ocorria com  determinadas espécies: tartarugas-marinhas e borboletas, bem-te-vis, beija-flores, peixes-gato e  amores-perfeitos, árvores-da-felicidade e peperômias, jatobás, jerivás e samambaiaçus. Não tinha dúvidas, representava o Bem, Dom Quixote feito gente de carne, osso e cérebro, com virtudes e defeitos, sim, mas humanista e idealista, do cabelo ao dedão do pé. Fiel às convicções íntimas, perseverou, e foi em frente, apreendendo e aprendendo! Ser cândido e confiante, sequer desconfiava, mil armadilhas o aguardavam estrategicamente armadas ao longo do caminho, nem lhe passava pela mente que mil e um deuses irados e malévolos o espreitavam a cada momento.”

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