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Cultura e diversão

tick, tick…BOOM! Por Déborah Schmidt

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Ambientada na Nova York de 1990, Jonathan Larson (Andrew Garfield) é um jovem compositor de teatro que está prestes a completar 30 anos e sofre com a pressão de ainda ser um garçom, enquanto sonha em escrever um grande musical.

Paralelamente, as duas pessoas mais importantes de sua vida passam por mudanças: sua namorada, Susan (Alexandra Shipp) é uma dançarina que deseja deixar Nova York para se tornar uma professora, e seu melhor amigo, Michael (Robin de Jesús) abandonou a carreira de ator para ganhar dinheiro em um emprego corporativo.  

Jonathan Larson compôs Rent, um dos musicais mais importantes da história da Broadway, que entre inúmeros prêmios, foi sucesso de público e esteve durante 12 anos em cartaz. Antes disso, o compositor escreveu o autobiográfico tick, tick…BOOM!, que detalhava uma época em que temia fazer 30 anos sem ter composto um musical de sucesso, tendo passado oito anos de sua vida em uma versão rock futurista do livro de George Orwell, “1984”, chamada Superbia, enquanto trabalhava em uma lanchonete. Em 1996, Jonathan Larson faleceu subitamente, aos 35 anos, no mesmo dia da primeira apresentação de Rent na Broadway.  

Para a versão cinematográfica, ninguém melhor que outro artista que revolucionou a Broadway e que é assumidamente um grande fã do trabalho de Larson: o brilhante Lin-Manuel Miranda, criador de Hamilton. Disponível na Netflix, tick, tick…BOOM! marca a estreia de Miranda na direção e a forma que ele encontrou de homenagear o artista através de sua obra. No filme, vemos Larson apresentando tick, tick… Boom! que, por sua vez, retrata os bastidores de Superbia, cuja criação representa a sua própria história.

As canções ajudam a contar a jornada do protagonista, porém, o longa aprofunda o contexto da época, onde o compositor se encontrava cercado pela epidemia da Aids. O roteiro de Steven Levenson utiliza a metalinguagem ao explorar o caos na vida do protagonista, ao mesmo tempo em que é aconselhado e admirado pelo seu ídolo, Stephen Sondheim (falecido recentemente e interpretado por Bradley Whitford), ou vendo seus amigos morrerem por uma doença ainda sem cura.  

O que assistimos é uma imersão profunda na vida pessoal e profissional de Jonathan Larson. Confesso que poucas vezes vi uma obra transmitir tão intensamente a vida de um artista a partir de sua arte. O filme acaba se tornando uma carta de amor não apenas para Larson, mas também para a Broadway. A sequência musical de “Sunday” é um deleite para os fãs de musicais, com as presenças de nomes de peso de várias gerações da Broadway.

Todo o elenco funciona perfeitamente, mas é inegável que o destaque fica com a atuação do carismático Andrew Garfield, que brilha no papel de Jonathan Larson. O ator consegue trazer o estilo caótico e energético do compositor, traduzindo com maestria toda a sua vulnerabilidade. Sua performance é movida pelo processo criativo de Larson, e certamente renderá ao ator a sua segunda indicação ao Oscar.  

Um filme não apenas para fãs de musicais, tick, tick, BOOM! é uma celebração à genialidade de Jonathan Larson. Simplesmente imperdível!  

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Déborah Schmidt é servidora pública formada em Administração/UFPel, amante da sétima arte e da boa música.

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Cultura e diversão

O homem do norte. Por Déborah Schmidt

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O Homem do Norte segue a história de vingança do príncipe Amleth (Alexander Skarsgård) que, quando criança, testemunhou seu pai, o rei Aurvandil War-Raven (Ethan Hawke), ser brutalmente assassinado por seu irmão, Fjölnir The Brotherless (Claes Bang), que ainda sequestrou sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Vinte anos depois ele retorna determinado a salvar sua mãe, vingar seu pai e matar seu tio.

Um dos diretores mais interessantes da atualidade, Robert Eggers se destacou logo com seus primeiros filmes, os excelentes A Bruxa (2015) e O Farol (2019), duas produções de terror aclamadas. Para seu próximo projeto, o cineasta saiu de sua zona de conforto e embarcou em uma trama de ação e aventura, em uma ambiciosa saga viking. O roteiro de Eggers e Sjón é baseado na lenda de Amleth, conhecida como inspiração para a criação da clássica peça Hamlet, de William Shakespeare. O longa explora uma história típica dos nórdicos antigos, acertando no drama familiar e na jornada de vingança.  

Como o protagonista, Alexander Skarsgård demonstra toda sua entrega (física, principalmente) ao viver a versão adulta do guerreiro Amleth. Revelada em A Bruxa, a talentosa Anya Taylor-Joy tem um papel coadjuvante como Olga, mas rouba a cena com seu magnetismo e por estar ligada aos elementos místicos do longa, assim como os personagens de Willem Dafoe e Björk.

Visualmente espetacular, a direção de fotografia de Jarin Blaschke, que trabalhou com Eggers em seus dois filmes anteriores, se destaca pela composição de ambientes naturais. Se tratando de um épico viking, a produção aposta em cenas de lutas com violência e selvageria, e também mostra autenticidade e fidelidade na impressionante recriação do visual e dos costumes vikings.  

O Homem do Norte detalha com perfeição uma saga viking, em uma história de vingança e brutalidade que flerta com o misticismo. Um espetáculo artístico e grandioso.  

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Cultura e diversão

Cuco. Por Vitor Bertini

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No meio do campus universitário, o centro do mundo. No centro do mundo, uma cafeteria.

A cafeteria da faculdade de arquitetura era ponto obrigatório para estudantes de todos os cursos: pela suposta qualidade do café – única que dizia ter grãos de origem, pela temperatura da cerveja, pelas conversas interdisciplinares e, forçado reconhecer, pela beleza das alunas.

– Todas as tribos passam por aqui – explicava Antonela, Antonela Matteo, enquanto apresentava as dependências da escola para uma caloura, filha de amigos da família. Depois, à tardinha, em horário de casa cheia, devidamente instalada com duas colegas em uma das mesas, ainda com a novata à tiracolo, sofisticou o discurso:

– Acolher bem é reconhecer o outro… e a melhor arquitetura faz isto! – Ensinou, elevando o tom de voz e exemplificando, com um giro de queixo empinado, o que queria dizer.

Na mesa ao lado, um grupo de estudantes de geologia misturava cervejas com placas tectônicas. Entre eles, Eduardo. Formando, veterano em ambientes bem mais rústicos, Eduardo ouviu embevecido os conceitos sobre a melhor arquitetura, e se encantou pelo queixo empinado.

Foi o aplauso das amigas aos ensinamentos de Antonela quem deu a deixa que Eduardo precisava: aplaudiu junto, arrastou a cadeira até a mesa das arquitetas e fez uma provocação qualquer sobre estética tempos geológicos.

Um ano de trocas conceituais, cervejas em qualquer temperatura e risadas com aplausos, resultou em uma cerimônia simples, repleta de amigos, na orgulhosa casa reformada – o primeiro projeto de Antonela.

– Somos cosmopolitas e acolhemos o outro – declarou a noiva, toda sorrisos, festejando a presença de todos.

Anos depois, triste, com voz frágil, Antonela repetia a frase:

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– Somos cosmopolitas e devemos acolher o outro – falou, iniciando as tratativas sobre a separação.
– Espero que consigamos levar isto até o fim sem brigar – devolveu Eduardo, olhando para o chão.
– Por favor… – murmurou a esposa, indo buscar dois copos d’água.

Casal de poucas posses e muitas lembranças, as divisões seguiram a harmonia buscada pela arquitetura sob o complacente silêncio de tempos geológicos:

– Fica bem assim pra você? – Perguntou a arquiteta, enxugando uma lágrima, depois da leitura de um detalhado rol de bens e seus respectivos destinos.
– Fica, fica sim – murmurou o geólogo, ainda cabisbaixo. – Você só esqueceu de incluir o relógio da sala. Mas, sem galho, foi mamãe quem nos deu; eu fico com o cuco – ponderou Eduardo.
– Eduardo, o cuco está no nicho projetado especialmente para ele. Sem o cuco, aquele nicho não faz sentido. Não interessa quem nos deu… 
–  O cuco era de mamãe; eu levo o cuco.
– Eduardoo cuco é o centro estético do meu projeto!
– Antonelase é por isso, o cuco marca a porra do tempo geológico da minha mãe– gritou Eduardo, batendo os calcanhares e a porta.

As duas petições de Ação de Divórcio Litigioso foram entregues no Foro da Cidade no mesmo dia, quase na mesma hora.

Para visitar a página de Vitor – AQUI.

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Cultura e diversão

Exposição AGO, de Felipe Caldas, começa dia 5

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O Projeto de Extensão A SALA – Ações de produção e difusão cultural convida para a exposição AGÔ, de Felipe Caldas. Agô, em iorubá, é um pedido de permissão para momentos de entrada, saída, passagem, além de proteção ou perdão, conforme o contexto.

Felipe Caldas pede assim licença para ocupar, de forma simbólica e matérica, o espaço da Galeria A Sala, na exposição que marca o retorno às atividades presenciais após o período de restrições causadas pela pandemia.

Trazendo uma reflexão sobre as condições que nos levam a recorrer às mais variadas crenças (sejam elas religiosas, de ordem política, ou outras) para buscar um refúgio, um alento, uma orientação, a instalação recobre o piso da galeria com mais de meia tonelada de carvão – elemento simbólico de proteção. O artista convoca o público a interagir com esse elemento, ao mesmo tempo em que provoca um questionamento sobre aquilo que acreditamos.

Abertura:

05/05/2022, das 17h às 20h.

Período de visitação:

06/05 à 17/06, de segunda à sexta das 8h às 22h.

Endereço: Galeria A Sala, Centro de Artes UFPel, sala 111 (acesso pela Álvaro Chaves, 65)

Coordenação: Profa. Dra. Laura Cattani

Realização: equipe do projeto de extensão A SALA – Ações de produção e difusão cultural: Barbara Calixto dos Santos, Eduardo Soares Devens, Fernanda Oberg de Miranda, Gabrielli Mourige Barbosa Nazario, Jesiel Rocha Lofhagen, Katiane Letícia Ferreira da Silva e Yuki Ynagaki Escate Zarate, com o apoio de André Gustavo de Campos e Pedro Augusto dos Santos Navarro.

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Foto: Rodrigo Marroni

Projeto Gráfico: Yuki Zarate

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