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Especial

Prefeitura informa cronograma de vacinação entre os dias 14 e 19

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Prefeitura de Pelotas divulga a programação semanal de vacinação contra a Covid-19, que se inicia na segunda-feira (14) e vai até sábado (19). Está aberto um novo local para vacinação infantil, com agendamentos através de site específico do Município. A aplicação de doses, no Trailer da Vacina, estará disponível normalmente nesta semana.

A Unidade Básica de Saúde (UBS) Navegantes seguirá, por tempo indeterminado, sem aplicar vacinas – tanto contra o coronavírus quanto aos demais imunizantes do calendário vacinal. A orientação é que a população procure a UBS Fátima, que fica na rua Baldomero Trapaga, 480, São Gonçalo, para receber as vacinas durante esse período. A programação completa consta abaixo.

Dose de reforço da Janssen

Para pessoas que completaram dois meses ou mais desde a aplicação da primeira dose.

– De segunda a sexta-feira

* No Laboratório Municipal: das 13h30min às 17h

* No Shopping Pelotas, loja 40: das 17 às 21h

– No sábado

* Na Escola Estadual Coronel Pedro Osório: das 10 às 15h

1ª dose

* Crianças de 6 a 11 anos – CoronaVac

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Mediante agendamento no site da Prefeitura dedicado ao coronavírus.

– De segunda a sexta-feira

* Unidade de Vacinação Infantil (Casa Cenáculo) – Av Dom Joaquim, 1568 – Três Vendas, das 8h às 18h (sem fechar ao meio dia)

– Segunda-feira

* UBS Simões Lopes – avenida Visconde da Graça, 107 – Simões Lopes

– Terça-feira

* UBS Guabiroba – rua Doutor Arnaldo da Silva Ferreira, 352 – Fragata

– Quarta-feira

* UBS Santa Terezinha – rua São Miguel, 5 – Três Vendas

– Quinta-feira

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* UBS Laranjal – rua São Borja, 683 – Laranjal

– Sexta-feira

* UBS Bom Jesus – Avenida Itália, 350 – Areal

É importante salientar que, nessas datas, as UBSs não aplicarão nenhum outro tipo de vacina ou atendimento.

No dia que as Unidades Básicas de Saúde estiverem aplicando a vacina pediátrica, de acordo com o cronograma exposto, não haverá vacinação para adultos.

* Crianças a partir de 5 anos e de 5 a 11 anos que sejam imunocomprometidas, tenham comorbidades ou deficiência – Pfizer

Mediante agendamento no site da Prefeitura dedicado ao coronavírus.

– De segunda a sexta-feira

* Unidade de Vacinação Infantil (Ubai Navegantes) – rua Dona Darci Vargas, 212 – Navegantes, das 9h30min às 19h30min

* Pessoas com 12 anos ou mais

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Será utilizado o imunizante disponível no momento e local.

– De segunda a sexta-feira

* Em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs): das 8h30min às 11h – exceto nas unidades sentinela (UBSs Salgado Filho, PAM Fragata, Leocádia e CSU Cruzeiro)

* Nas UBSs Fraget, Lindoia e Porto: das 8h30min às 15h

* No Laboratório Municipal: das 13h30min às 17h

* No Shopping Pelotas, loja 40: das 17 às 21h

* No Trailer da Vacina, conforme cronograma do dia: das 9h às 17h

– No sábado

* Escola Estadual Coronel Pedro Osório: das 10 às 15h

No dia que as Unidades Básicas de Saúde estiverem aplicando a vacina pediátrica, de acordo com o cronograma exposto, não haverá vacinação para adultos.

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2ª dose

Disponível para pessoas com 12 anos ou mais, de acordo com o período de intervalo indicado para a vacina de cada um dos laboratórios – CoronaVac, Pfizer e Astrazeneca.

– De segunda a sexta-feira

* Em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs): das 8h30min às 11h – Astrazeneca e Pfizer – exceto nas unidades sentinela (UBSs Salgado Filho, PAM Fragata, Leocádia e CSU Cruzeiro)

* Nas UBSs Fraget, Lindoia e Porto: das 8h30min às 15h – Astrazeneca e Pfizer

* No Laboratório Municipal – das 13h30min às 17h – Astrazeneca, Pfizer e CoronaVac

* No Shopping Pelotas, loja 40: das 17 às 21h – Astrazeneca, Pfizer e CoronaVac

* No Trailer da Vacina, conforme cronograma do dia: das 9h às 17h

– No sábado

* Na Escola Coronel Pedro Osório: das 10 às 15h

Veja os endereços dos pontos de vacinação

Laboratório Municipal – rua Lobo da Costa, 1.774 – Centro

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Shopping Pelotas – avenida Ferreira Viana, 1.526 – Areal

Escola Coronel Pedro Osório – rua General Osório, 818 – Centro

Unidade de Vacinação Infantil / Ubai Navegantes – rua Dona Darci Vargas, 212 – Porto

UBS Arco-Íris – avenida Pery Ribas, 523 – Três Vendas

UBS Areal I – rua Apolinário de Porto Alegre, 290 – Areal

UBS Areal Fundos – avenida Domingos José de Almeida, 4.265 – Areal

UBS Barro Duro – praça Aratiba, 12 – Laranjal

UBS Bom Jesus – avenida Itália, 350 – Areal UBS Caic – avenida Leopoldo Brod, 3.220 – Pestano

UBS Cascata – estrada Cascatinha 1, s/n – 5º distrito

UBS Cerrito Alegre – estrada Cerrito Alegre, s/n – 3º distrito

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UBS Cohab Guabiroba – rua Doutor Arnaldo da Silva Ferreira, 352 – Fragata

UBAI Lindoia – avenida Ernani Osmar Blaas, 344 – Três Vendas

UBS Cohab Pestano – avenida Leopoldo Brod, 2.297 – Pestano

UBS Cohab Fragata – rua Paulo Simões Lopes, 230

UBS Colônia Maciel – acesso Colônia Maciel, s/n – 8º distrito

UBS Colônia Osório – 4º distrito

UBS Colônia Triunfo – Colônia Triunfo, s/n – 8º distrito

UBS Colônia Z-3 – rua Rafael Brusque, 147 – Laranjal

UBS Corrientes – BR-116 UBS Cordeiro de Farias – 5º distrito

UBS CSU Areal – rua Guararapes, 50 A – Areal

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UBS Dom Pedro l – rua Ulisses Batinga, 749 – Fragata

UBS Dunas – avenida Ulysses Silveira Guimarães (avenida Um), s/n – Areal

UBS Fátima – rua Baldomero Trápaga, 480 – São Gonçalo

UBS Fraget – rua Três, 81 – Vila Real/Fragata

UBS Getúlio Vargas – rua Sete, 184 – Getúlio Vargas

UBS Guabiroba – rua Doutor Arnaldo da Silva Ferreira, 352 – Fragata

UBS Grupelli – 7º distrito

UBS Jardim de Allah – avenida Fernando Osório, 7.430 – Centro

UBS Laranjal – rua São Borja, 683 – Laranjal

UBS Monte Bonito – 9º distrito

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UBS Obelisco – rua Doutor Francisco Ribeiro Silva, 505 – Areal

UBS Osório (Loteamento) – rua Barão de Mauá, 217

UBS Pedreiras – 9º distrito

UBS Posto Branco (anexo Vila Princesa) – Estrada Porto Alegre antiga, Granja Retiro, s/n

UBS Porto/Puericultura – rua Doutor João Pessoa, 240 – Centro

UBS Py Crespo – rua Marquês de Olinda, 1.291 – Três Vendas

UBS Sanga Funda – avenida Engenheiro Ildefonso Simões Lopes, 5.025 – Três Vendas

UBS Sansca/Vila Castilho – rua Doutor Amarante, 919 – Centro

UBS Santa Silvana – Colônia Santa Silvana, s/n – 6º distrito

UBS Santa Terezinha – rua São Miguel, 5 – Três Vendas

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UBS Simões Lopes – avenida Viscondessa da Graça, 107 – Centro

UBS Sítio Floresta – rua Ignácio Teixeira Machado, 299 – Sítio Floresta

UBS União de Bairros – rua 1, s/n – Loteamento dos Municipários

UBS Vila Municipal – rua Luciano Galleti, 600 – Três Vendas

UBS Vila Nova – 7º distrito – Vila Nova

UBS Vila Princesa – rua Quatro, 3.205 – Três Vendas

UBS Virgílio Costa – rua Epitácio Pessoa, 1.291 – Fragata

Todos que optarem por realizar a vacinação no Shopping Pelotas estarão isentos do pagamento da taxa de estacionamento do local. A gratuidade será concedida a quem apresentar a Carteira de Vacinação. Além disso, quem comparecer para a vacina e adquirir um ingresso para o cinema, para a data, ganhará outro sem custo algum.

Quais documentos levar

Para 1ª dose

Crianças de 5 a 11 anos

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– Documento de identidade da criança e do responsável legal com foto

* Caso a criança não tenha documento com foto deverá apresentar cópia da Certidão de Nascimento juntamente com a declaração disponível neste link

– Comprovante de residência do responsável

– Carteira Nacional de Vacinação da criança

– Declaração Vacinação para Adolescentes/Crianças – disponível em http://bit.ly/vacina-crianca-pelotas

– Comprovante do agendamento da vacinação – com protocolo final (pode ser print da tela)

– Atestado (simples – não precisa ser padrão) para crianças de 5 a 11 anos com imunocomprometimento, comorbidade ou deficiência.

Pessoas com 12 anos ou mais

– Comprovante de residência

– Documento de identidade

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– Cartão SUS ou CPF

– Carteira de Vacinação para comprovar a primeira dose (para quem vai receber a segunda)

Para 3ª dose

Pessoas com 18 anos ou mais

– Documento de identidade

– Carteira de Vacinação para comprovar as duas doses ou esquema vacinal completo, com quatro meses de intervalo desde a última aplicação

Para 4ª dose

Imunossuprimidos

– Documento de identidade

– Carteira de Vacinação, a fim de comprovar a imunização com a terceira dose há quatro meses

– Atestado-padrão, confeccionado pela Prefeitura, que está disponível no site do coronavírus

Para o reforço da Janssen

– Documento de identidade  

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– CPF ou Cartão SUS

– Carteira de Vacinação para comprovar o prazo da primeira dose

Orientações da SMS

A SMS esclarece que, como regra, todas as vacinas recomendadas no Calendário Nacional de Vacinação podem ser aplicadas no mesmo dia. Não é mais preciso aguardar o intervalo mínimo de 14 dias entre a aplicação do imunizante contra a Covid-19 e qualquer outro do calendário.

Crianças de 5 a 11 anos, para receber a dose contra a Covid-19, devem aguardar o intervalo mínimo de 15 dias entre a aplicação desse imunizante e qualquer outro do calendário vacinal infantil, não podendo recebê-los concomitantemente.

Continua a orientação às pessoas que apresentarem sintomas gripais de não comparecer na data marcada. O mesmo vale para quem tiver positivado para o coronavírus. É necessário aguardar 30 dias do início dos sintomas para receber a aplicação.

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Especial

Que os sintomas voltem a ser dramas

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“A função do terapeuta é fazer com que os sintomas voltem a ser dramas existenciais” (Maurizio Andolfi)

Se você sente palpitações, sua frio e acha que vai morrer do coração, mas os médicos não encontram nada de errado nos seus exames, você está tendo um episódio de síndrome do pânico, uma das formas mais frequentes de ansiedade aguda nos dias de hoje.

Palpitações, suor, medo de morrer, são o que se chama de “sintomas”, enquanto a síndrome do pânico é o diagnóstico do seu tipo de transtorno. O que psiquiatras e psicólogos sabem é que os seus sintomas, antes de se tornarem sintomas, eram angústias, temores, conflitos, ou seja, emoções e pensamentos desagradáveis que você queria evitar, por isso eles foram tirados do seu pensamento e depositados no seu inconsciente.

Quando Anfolfi diz que “a função do terapeuta é fazer com que os sintomas voltem a ser dramas existenciais”, ele está dizendo que para que a terapia funcione é preciso descobrir o que está “´por trás” daquelas palpitações, do suor, do medo de morrer.

Trazer os conteúdos do inconsciente à tona, durante a terapia, para serem examinados num ambiente de empatia, onde se possam encontrar outras alternativas existenciais para aqueles sentimentos e ideias desagradáveis.

Se chama de “repressão” o mecanismo psicológico que faz com que uma vivência desagradável, em vez de ser resolvida, vá ser depositada, “escondida”, no inconsciente. Isso acontece desde a infância, são os sentimentos e pensamentos “não aceitos” no ambiente em que você vive, que são reprimidos e você “se esquece” deles, mas eles estão lá no fundo, bem guardados.

Uma criança se sente frágil e vulnerável diante dos adultos, necessita de afeto, cuidados, aceitação, assim começamos é que surge a “incongruência” entre o que vivenciamos e o que temos consciência. Por exemplo, não gostamos de algo, mas não é permitido não gostar. Ou o contrário, gostamos de algo, mas é “feio” gostar. Imagine qualquer coisa que você gostasse ou não na sua infância, mas isso não era permitido a você.

Lembro de uma sessão de terapia de família onde um paciente já adulto contava seus sintomas e o psiquiatra respondeu assim: “Isso não é nada, diante de ver sua mãe colocar o seu padrasto para dentro de casa”. O terapeuta captara os sentimentos de ciúmes do filho diante do novo relacionamento da mãe, mas ter ciúmes da mãe não era aceito socialmente.

Os exemplos são infinitos, pense nas suas emoções reprimidas, pense nos seus dramas existenciais, pense nos seus sintomas e observe se há uma associação entre as duas coisas. Os medicamentos e a psicoterapia são métodos para resolver sofrimentos que se apresentam como sintomas psiquiátricos mas que tem como pano de fundo sofrimentos humanos, profundamente humanos.

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Cultura e diversão

Gaúcho ou gauchesco?

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Gaúcho não é um termo brasileiro, mas castelhano, e embora seu significado seja controverso, não era um elogio, surgiu como uma ofensa, uma discriminação, até ser revertido em um motivo de orgulho para os habitantes de uma região, nosso estado. Isso é demonstrado em documentos antigos, o primeiro de 1771, de Maldonado (Uruguai), e o segundo em Montevidéu em 1780, que diz claramente que “no consentirá en dicha estancia que se abriguen ningunos contrabandistas, bagamundos u ociosos que aqui se conocen por Gauchos”.

Nos últimos 250 anos o mundo mudou completamente e a inversão do sentido da palavra é o menos surpreendente, diante das outras reviravoltas: nosso território passou ao domínio português, os índios e jesuítas das Missões foram massacrados, o Brasil se libertou de Portugal.

A palavra foi evoluindo – no próprio uso popular – para passar a denominar quem estivesse envolvido com a pecuária, com o couro, em uma vasta região do sul da Amárica do Sul, incluindo Uruguai, Argentina e Paraguai, além do Rio Grande do Sul.

Com a expressão assumindo conceito positivo, e motivo de orgulho do homem do campo, foi surgindo também uma cultura gaúcha, registrando os costumes, a fala, os valores, o jeito de ser dessa população. Um dos mais populares foi Martin Fierro, de José Hernández, um sucesso de público e de crítica. Já outros textos mais exibiam expressões gauchescas do que um conteúdo significativo.

Jorge Luís Borges, o maior escritor argentino de todos os tempos, fez uma ironia distinguindo os escritos “gaúchos” dos “gauchescos”, onde os primeiros seriam os autênticos e os segundos os que exibiam palavras gaudérias para “parecerem gaúchos”.

Uma exceção a essa “regra” são os “Contos Gauchescos” de Simões Lopes Neto, uma obra-prima da literatura brasileira, onde as muitas expressões gauchescas não são artificiais, mas uma reprodução da fala oral dos personagens do campo.

Martin Fierro, por sua vez, mesmo sendo um poema popular– um texto gaúcho “raiz” – tem expressões elevadas como o trecho em que define o que é o tempo. É numa trova entre Martin e Moreno, um primor de versos, que mostra que a simplicidade da forma não impede a beleza e a elevação: Moreno, voy a decir, / Sigún mi saber alcanza: / El tiempo sólo es tardanza / De lo que está por venir; / No tuvo nunca principio / Ni jamás acabará,/ Porque el tiempo es una rueda. / Y rueda es eternidá. / Y si el hombre lo divide, / Sólo lo hace, en mi sentir, / Por saber lo que ha vivido / O le resta que vivir “.

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Cultura e diversão

A felicidade

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Vivemos uma época de simplificações, “memes”, como se diz. Um de meus problemas sempre foi a certeza de que, por baixo da felicidade, há inevitavelmente um problema. Algo como a lagoa do Laranjal: linda, desde que não mergulhemos nela. Sempre há um furo na história perfeita. Porque, sendo perfeita, não pode ser humana.

Chaplin, um artista de quem gosto muito, escreveu: “Não precisei ir aos livros para saber que o tema da vida é conflito e dor”. Críticos disseram que ele era melancólico, triste. Chaplin não gostou. “Estão errados. Eu sou um otimista”. Um otimista não é necessariamente feliz. Mas, com sua atitude, presta um grande serviço à humanidade. Apesar dos problemas em que seu patético personagem se mete, sempre termina suas aventuras caminhando sozinho, de costas para a câmera, numa estrada poeirenta, rumo à próxima decepção, a superação desta e o lançar-se em busca de novas aventuras. Sucessivos calvários e ressurreições.

O vagabundo de Chaplin era tão sonhador quanto outro personagem, Dom Quixote, mas nunca louco e alheio como este. Em Chaplin, cada poro de seu mirrado corpo desprovido é hiper consciente da realidade. Tudo nele é mecanismo de defesa em relação ao mundo real. Mais associal que antissocial, o personagem aspira ingressar na sociedade, só não nos termos dela. Existe, mas não se encaixa no mundo. Na verdade, o problema do personagem é maior: quer que o mundo se ajuste a ele (será que isso lhe parece familiar?) Não por acaso Chaplin se tornou um mito mundial: fez a plateia rir do próprio desespero, do seu desamparo diante da natureza, de sua inadequação. Não conheço nada mais genial, e reconfortante, do que isso.

Tenho me interessado por outro pensador, este contemporâneo: o psicólogo Jordan Peterson. Sobre a felicidade, o canadense diz o mesmo que Chaplin. Para ele, a finalidade da vida não é a felicidade. “A realidade é sofrimento e tragédia. Você não vai querer viver a vida se entregando aos prazeres, até porque isso é impossível. No final, você vai querer ser o cara que construiu a arca” (referência a Noé). Diz ainda: “Todos nós carregamos fardos. A vida consiste em assumir responsabilidades, mirar alto e agir. Isto é o que vai fazer atravessar os percalços de existir. Se você fizer isso, talvez, naquela meia hora de paz no fim da tarde, você encontre a sua felicidade”.

Freud, o homem que explica tudo, diz em essência o mesmo: “A felicidade humana está em desacordo com a natureza, onde tudo a contraria. A felicidade não foi incluída na Criação”, escreveu. Já Kafka é radical: “Há salvação. Só não para nós”. Woody Allen invoca o humor judaico: “O que eu acho da vida? Não é um bom negócio”.

Sempre gostei dos pensadores realistas. Esses seres que se esforçam para ver as coisas como elas são, e só então, desiludidos, estabelecem os termos em que vão viver, inclusive para influir significativamente. É difícil. Uma pessoa que se propõe a enxergar as coisas como elas são, logo aprende a desconfiar, inclusive de si mesmo. Viver com medo (em estado de defesa contra a realidade) não é bom. Mas viver em negação é melhor? A experiência mostra que não adianta fugir. Chega uma hora em que o fardo pede passagem, com os problemas entulhados no sótão desabando pelo alçapão.

É difícil ver as coisas como são porque, quem consegue, se vê, de repente, sozinho com a decepção, com esta lhe apontando o dedo, contraditando certezas e exigindo coerência. Como ninguém fica de papo com a decepção, talvez só nos consultórios, em geral voltamos para o corredor de espera. É onde nos encontramos: no corredor, batendo cabeças. Ou então, ingressando numa igreja, onde o requisito de admissão é ter vocação para Cristo, o que uma form de evitar bater cabeça, escondendo-a.

É difícil confiar em si mesmo. Imagine, agora que se avizinha mais uma eleição, confiar em quem se propõe a representar os outros. Imagine a cara de pau que a tarefa de ser aprovado pela maioria exige, sem desviar da coerência. Provável que não haja pretensão maior. Uma personalidade narcísica e, em consequência, uma atitude cínica. Eis as duas exigências do papel principal na mais antiga das peças: A Mediação dos Intermináveis Conflitos Humanos.

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No passado, Lula foi eleito dizendo que a esperança venceu o medo. Acreditamos por um tempo. Então veio a decepção. Confiança demais nos outros, problema de sempre. Já Bolsonaro diz: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Seria caso de perguntar: Acima inclusive da esperança? Se for, chegamos a um estágio perigoso. Quase sempre temos estado aquém das possibilidades, nunca além.

Chaplin pode ter atingido o teto da meta: gargalhar do próprio desespero, encarando-o com disposição de ânimo. Sem nada para matar a fome, comer uma bota, fazendo de conta que é um frango; chupar os pregos da bota como se fossem ossinhos da sorte, sabendo o tempo todo que são bota e pregos, nunca se enganando. Apesar dos desenganos, Smile!, como seguiu recomendando aquele emoji de 1968 chamado Smiley (foto). Hoje flutua nas ondas da internet a seguinte mensagem: “O maior negócio da vida é sorrir. Eventualmente, os outros acreditarão”.

Eu acredito que todas as verdades essenciais já foram ditas. Ter ciência delas não nos tem conformado. Sem solução que dure, a saída elementar continua a de Chaplin: Smile!, depois materializada na figurinha do Smiley, hoje trivial nos emojis das redes sociais. Há uma ironia, uma tristezinha na sugestão. Mas, se não for ela, o que será?

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